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Edson Fachin reage a ataque de Javier Milei contra Alexandre de Moraes e defende independência do STF

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Fachin afirma que declarações do chefe de Estado argentino são incompatíveis com a civilidade nas relações internacionais – Victor Piemonte/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, divulgou uma nota oficial em resposta às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes. Na manifestação, Fachin classificou as falas como desrespeitosas e ressaltou a independência do Poder Judiciário brasileiro.

A reação ocorreu depois de Milei participar da Convenção Nacional do PL, realizada em São Paulo. Durante o discurso, o presidente argentino criticou Alexandre de Moraes ao comentar a decisão que impediu sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar por determinação da Justiça.

Na nota, Fachin destacou que a manifestação do chefe de Estado argentino ocorreu em território brasileiro e teve como alvo um integrante da mais alta Corte do país. Segundo ele, as decisões judiciais questionadas foram tomadas dentro dos limites estabelecidos pela Constituição Federal e pela legislação brasileira.

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O presidente do STF também enfatizou que a atuação do Judiciário brasileiro é pautada pela autonomia institucional e não está sujeita a interferências ou pressões externas. Para Fachin, o respeito entre os países deve prevalecer nas relações diplomáticas, independentemente de divergências políticas.

As declarações de Milei foram feitas durante o evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Além de declarar apoio ao parlamentar, o presidente argentino fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou acreditar em uma mudança no cenário político brasileiro nas eleições deste ano.

Ao mencionar Jair Bolsonaro, Milei voltou a demonstrar solidariedade ao ex-presidente brasileiro e afirmou que pretende retornar ao Brasil para encontrá-lo futuramente. A visita, no entanto, não foi autorizada pela Justiça, fato que motivou as críticas dirigidas a Alexandre de Moraes durante seu discurso.

Em resposta, Fachin evitou comentar o conteúdo político das declarações feitas na convenção e concentrou sua manifestação na defesa das instituições brasileiras. O ministro reiterou que as decisões do Supremo Tribunal Federal são fundamentadas na Constituição e nas leis do país, reforçando o compromisso da Corte com a independência do Judiciário.

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Trecho da nota de Luiz Edson Fachin

“Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil. Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados.”

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PF investiga ministro do STJ por suspeita de envolvimento em esquema de venda de decisões judiciais

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Ministro do STJ passa a ser investigado pela PF por suspeita de ligação com esquema de venda de decisões judiciais – Foto: Emerson Leal/ STJ

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a ampliar as investigações sobre um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais e incluiu o ministro Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), entre os investigados. É a primeira vez que um integrante da corte superior se torna alvo formal do inquérito em andamento no STF.

A apuração busca esclarecer se decisões proferidas por Moura Ribeiro teriam relação com a atuação do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves e de sua esposa, Mirian Ribeiro, ambos já investigados no mesmo caso. Os investigadores também analisam movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo um ex-servidor que trabalhou no gabinete do ministro.

Segundo a Polícia Federal, o foco está em repasses feitos ao antigo funcionário, que atuava como assistente das sessões do STJ em 2019. O servidor deixou o tribunal em 2021, após ser alvo de um procedimento administrativo que apurou supostas irregularidades em sua atuação.

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De acordo com informações da investigação, o comportamento do ex-servidor já despertava preocupação entre integrantes da corte durante o período em que exercia suas funções. As apurações internas resultaram na sua exoneração, medida que, segundo o tribunal, ocorreu após a identificação de condutas incompatíveis com o cargo.

Em manifestação encaminhada por sua assessoria, Moura Ribeiro afirmou não ter conhecimento da existência de investigação relacionada às decisões que proferiu. O ministro também destacou que o ex-colaborador permaneceu em seu gabinete por poucos meses e foi afastado após a constatação de irregularidades.

A nota divulgada pela defesa reforça que Moura Ribeiro possui mais de 40 anos de atuação na magistratura e sustenta que não há qualquer fundamento para associá-lo a práticas criminosas. O texto afirma que a trajetória do ministro sempre foi pautada pela legalidade e pela ética.

Os advogados de Andreson de Oliveira Gonçalves e Mirian Ribeiro também voltaram a negar qualquer participação em um esquema de venda de decisões judiciais. A defesa afirma que o casal jamais praticou atos ilícitos e que pretende demonstrar a inocência dos investigados durante o andamento do processo.

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O caso representa um novo desdobramento da investigação conduzida pela Polícia Federal e acompanhada pela Procuradoria-Geral da República. Em maio, a PGR denunciou nove pessoas por suspeita de participação no esquema, entre elas o lobista, sua esposa e ex-servidores do STJ. Até a autorização dada por Cristiano Zanin, nenhum ministro da corte figurava oficialmente como investigado no inquérito. As informações e da Folha de São Paulo.

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