Região Nordeste
Ministro José Guimarães reage a Javier Milei e diz que Brasil não abrirá mão da soberania nacional
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Ministro rebate declarações de Milei, destaca políticas sociais do governo Lula e critica modelo econômico adotado na Argentina – Pedro Reis/ SRI-PR
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, respondeu às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, feitas durante a Convenção Nacional do PL, em São Paulo. Em nota, o integrante do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil seguirá defendendo sua soberania, as políticas de inclusão social e o fortalecimento da democracia, em contraposição às críticas feitas pelo líder argentino.
Guimarães afirmou que a forma de governar adotada pelo Brasil tem como prioridade a proteção da população mais vulnerável e o crescimento econômico aliado à redução das desigualdades. Segundo o ministro, o país escolheu um caminho baseado no diálogo institucional, na preservação dos direitos sociais e na valorização das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento.
Ao comparar os dois países, o ministro criticou a política econômica implementada pelo governo argentino. Na avaliação dele, as medidas de austeridade adotadas por Milei têm provocado impactos negativos sobre trabalhadores, aposentados e famílias de baixa renda, ampliando as dificuldades enfrentadas pela população.
Durante a manifestação, Guimarães também destacou que o Brasil não aceitará interferências externas em assuntos internos. Ele afirmou que a defesa da soberania nacional envolve a preservação das riquezas naturais, do patrimônio público e de instrumentos estratégicos criados pelo país para fortalecer sua economia e sua autonomia.
Entre os exemplos citados pelo ministro está o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central. Para Guimarães, a ferramenta representa um exemplo da capacidade tecnológica nacional e simboliza uma conquista que deve ser preservada diante de qualquer tentativa de enfraquecimento das instituições brasileiras.
A resposta ocorreu poucas horas depois da participação de Javier Milei na convenção do Partido Liberal, evento que oficializou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante o encontro, o presidente argentino voltou a criticar governos de esquerda, manifestou apoio ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e fez ataques ao Supremo Tribunal Federal.
Guimarães também ressaltou que a política externa brasileira continuará pautada pela independência e pelo respeito às instituições democráticas. Segundo ele, o compromisso do governo federal permanece voltado à defesa dos interesses nacionais, ao fortalecimento da economia e à promoção de políticas que garantam desenvolvimento com inclusão social.
Ao encerrar sua manifestação, o ministro fez questão de separar as críticas dirigidas ao governo argentino da relação histórica entre os dois países. Guimarães declarou solidariedade ao povo da Argentina e afirmou acreditar que a sociedade argentina continuará buscando soluções democráticas para enfrentar os desafios econômicos e sociais, preservando a integração regional e o fortalecimento das relações entre as nações sul-americanas.
Região Nordeste
Ciro Nogueira deve rejeitar aliança entre PP e Flávio Bolsonaro e defender neutralidade do partido
PP resiste a apoiar Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira aposta em estratégia de neutralidade – Foto: Edilson Rodrigues/ Agência Senado/ Isac Nóbrega/ PR
O presidente nacional do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira (PI), deve comunicar ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que a sigla não pretende formalizar uma aliança para a disputa da Presidência da República em 2026. A decisão foi construída após consultas internas realizadas com dirigentes e lideranças estaduais do partido, que apontaram ampla preferência pela manutenção da neutralidade no cenário nacional.
A reunião entre Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro está prevista para esta quarta-feira (22) e servirá para apresentar oficialmente a posição predominante dentro do PP. Segundo integrantes da legenda, a maior parte das bases partidárias considera que um alinhamento antecipado com qualquer candidatura presidencial poderia limitar a estratégia política adotada para as eleições.
Nos bastidores, dirigentes afirmam que a resistência não está relacionada apenas ao planejamento eleitoral. Também pesam fatores políticos acumulados ao longo dos últimos anos, incluindo episódios que desgastaram a relação entre integrantes do PP e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, reduzindo o entusiasmo por uma composição nacional.
Outro ponto considerado decisivo é a prioridade do Progressistas em fortalecer sua representação no Congresso Nacional. A legenda trabalha em conjunto com a federação União Brasil-PP para ampliar a bancada na Câmara dos Deputados e consolidar maior influência política na próxima legislatura.
Na avaliação de lideranças partidárias, uma candidatura presidencial apoiada formalmente pelo PP exigiria uma parcela significativa dos recursos do fundo eleitoral, diminuindo o investimento disponível para candidatos a deputado federal e estadual. Por isso, o foco da estratégia permanece concentrado nas eleições proporcionais.
A postura de neutralidade também representa uma mudança em relação a discussões anteriores dentro do partido. Após avaliar diferentes cenários para a eleição presidencial, a direção nacional concluiu que o melhor caminho, neste momento, é preservar autonomia política, priorizar o fortalecimento da legenda no Congresso e manter liberdade para futuras articulações durante o processo eleitoral.
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