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Ministro Alexandre de Moraes determina prisão de Eduardo Bolsonaro, cancela passaportes e manda executar pena de 4 anos e 2 meses
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Ex-deputado federal, que está nos EUA, teve condenação definitiva por coação no curso do processo relacionado ao julgamento de Jair Bolsonaro – Foto: Arte/g1
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta quarta-feira (7), o cumprimento da pena de quatro anos e dois meses de prisão imposta ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. A condenação, pelo crime de coação no curso do processo, estabelece inicialmente o regime semiaberto. A decisão também prevê a emissão de um mandado de prisão contra o ex-parlamentar, que permanece nos Estados Unidos desde 2025.
A ordem judicial foi expedida após o encerramento definitivo do processo, ocorrido em 3 de outubro, quando se esgotaram as possibilidades de recurso. O trânsito em julgado foi formalmente certificado pela Secretaria Judiciária do STF no dia 5. Com isso, Moraes autorizou o início da execução penal e determinou que o mandado seja encaminhado à Polícia Federal e registrado no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões.
Entre as medidas estabelecidas pelo ministro está o cancelamento de todos os passaportes brasileiros vinculados a Eduardo Bolsonaro. Moraes também determinou a comunicação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma vez que a condenação criminal definitiva provoca a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem seus efeitos. A decisão ainda prevê providências relacionadas à perda do cargo de escrivão da Polícia Federal.
A condenação foi estabelecida por unanimidade pela Primeira Turma do STF, em julgamento realizado em junho. Para os ministros, Eduardo Bolsonaro utilizou sua posição política para articular medidas de pressão internacional contra integrantes do Judiciário brasileiro, buscando interferir no andamento do processo criminal envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, investigado e julgado por sua participação na trama golpista.
Conforme o entendimento da Corte, o ex-parlamentar atuou para incentivar sanções estrangeiras contra autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo e o procurador-geral da República. A acusação sustentou que essas iniciativas tinham como finalidade constranger os responsáveis pelo processo judicial e criar obstáculos à responsabilização criminal de Jair Bolsonaro. O tribunal considerou documentos, registros digitais e declarações públicas para fundamentar a condenação.
A defesa de Eduardo Bolsonaro, conduzida pela Defensoria Pública da União (DPU), contestou as acusações e solicitou sua absolvição. Entre os argumentos apresentados estava o de que as manifestações do ex-deputado estariam amparadas pelo direito à liberdade de expressão. Entretanto, em setembro, os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin acompanharam Alexandre de Moraes na rejeição dos embargos de declaração. Como não houve novos recursos dentro do prazo legal, a condenação tornou-se definitiva.
Além da prisão, Eduardo Bolsonaro deverá responder ao pagamento de multa correspondente a 50 dias-multa, cada um calculado sobre o equivalente a dois salários mínimos. Moraes determinou o envio da documentação à Procuradoria-Geral da República para as providências de cobrança e a comunicação à direção-geral da Polícia Federal sobre a perda do cargo público. A execução da pena representa uma nova etapa do processo judicial, embora o ex-deputado continue em território norte-americano.
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Flávio Bolsonaro pode congelar reajustes de aposentadorias e cortar pisos da saúde e educação para reduzir gastos de R$ 250 bilhões
Propostas discutidas nos bastidores da campanha incluem mudanças nos reajustes do INSS e do BPC – Foto: Reprodução/ Piauí hoje
A equipe econômica ligada à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República avalia medidas de contenção de despesas públicas que podem provocar mudanças significativas na Previdência Social e no financiamento da saúde e da educação. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, o objetivo das discussões é promover um ajuste fiscal estimado em R$ 250 bilhões, equivalente a aproximadamente 2% do Produto Interno Bruto (PIB). As propostas, entretanto, levantam preocupações sobre possíveis impactos na renda de aposentados e na manutenção de serviços essenciais à população.
Entre as alternativas analisadas está a possibilidade de desvincular os reajustes das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) dos aumentos reais do salário mínimo. Atualmente, os benefícios vinculados ao piso nacional acompanham sua valorização. Pela mudança em discussão, esses pagamentos poderiam passar a receber apenas a correção da inflação, impedindo que milhões de beneficiários tenham os mesmos ganhos reais concedidos aos trabalhadores que recebem o salário mínimo.
A alteração teria consequências especialmente importantes para a parcela mais vulnerável da população brasileira. Dos mais de 41 milhões de benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), aproximadamente 70% possuem valor equivalente ao salário mínimo. Embora a correção inflacionária preserve, em princípio, o poder de compra desses pagamentos, a proposta impediria que aposentados e beneficiários do BPC participassem dos ganhos adicionais proporcionados pela política de valorização salarial.
Outra medida considerada pela equipe econômica envolve a retirada das vinculações constitucionais que estabelecem investimentos mínimos federais em saúde e educação. Atualmente, a União deve aplicar pelo menos 15% da Receita Corrente Líquida em ações e serviços públicos de saúde e 18% da receita de impostos, consideradas as regras constitucionais, na manutenção e desenvolvimento do ensino. A proposta em discussão substituiria esses parâmetros por reajustes vinculados à inflação, permitindo que os investimentos nessas áreas deixassem de acompanhar o crescimento da arrecadação federal.
Apesar das informações sobre as discussões econômicas, a campanha de Flávio Bolsonaro nega que essas medidas integrem seu programa oficial de governo. Em manifestação encaminhada à Folha de S.Paulo, a assessoria afirmou que conversas informais e interpretações de terceiros não podem ser apresentadas como decisões da candidatura. A equipe também destacou que as propostas mencionadas não aparecem no plano de governo registrado e que as posições oficiais são aquelas expressas publicamente pelo candidato e seus principais assessores.
As discussões ocorrem após declarações de integrantes da campanha favoráveis a uma ampla revisão das despesas públicas. O próprio Flávio Bolsonaro já defendeu a realização de um “tesouraço” nas contas federais, enquanto o senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela coordenação política da candidatura, sinalizou a intenção de reavaliar reformas anteriores, incluindo mudanças nas legislações previdenciária e trabalhista. Nos bastidores, entretanto, a divulgação de medidas que possam ser interpretadas como redução de direitos é considerada politicamente delicada durante a disputa presidencial.
Uma das estratégias discutidas prevê encaminhar ao Congresso Nacional uma ampla proposta de emenda à Constituição logo após as eleições, caso Flávio Bolsonaro seja eleito. A iniciativa, chamada informalmente de “Super PEC da Transição”, reuniria diferentes medidas de redução de despesas e buscaria aproveitar o período entre a votação e a posse presidencial para iniciar a reorganização das contas públicas. A expectativa dos defensores da proposta é conquistar a confiança dos investidores e reduzir as pressões sobre os juros e a dívida pública.
Além das mudanças previdenciárias e orçamentárias, integrantes do grupo econômico trabalham em propostas envolvendo privatizações, redução da estrutura ministerial, revisão de subsídios, combate aos chamados supersalários e substituição das atuais regras fiscais. Parte dessas discussões recebe contribuições do economista Adolfo Sachsida, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro. Embora os formuladores defendam as medidas como necessárias para equilibrar as finanças do país, o debate coloca em evidência uma questão central para os brasileiros: até que ponto um ajuste nas contas públicas poderá comprometer a valorização das aposentadorias e os recursos destinados à saúde e à educação? As informãos e da Folha de São Paulo.
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