Região Nordeste
Mensagens no celular de Vorcaro revelam encontros com ACM Neto; consultoria recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag
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Diálogos de 2023 e 2024 mostram reuniões, conversas sobre articulações políticas e tratamento de “irmão” – Foto: Reprodução
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelam contatos frequentes e encontros com ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia. Os diálogos, divulgados originalmente por O Globo, abrangem os anos de 2023 e 2024 e mostram uma relação de proximidade entre os dois, incluindo conversas sobre reuniões e articulações políticas.
Uma das conversas ocorreu em 31 de outubro de 2024. Na ocasião, ACM Neto tratou Vorcaro como “irmão” e afirmou que questões discutidas em Brasília estavam consolidadas e haviam terminado conforme o esperado na política. O diálogo também menciona Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil. Vorcaro respondeu elogiando a condução de ACM Neto e o chamou de “grande homem dessa nação”. As mensagens divulgadas, porém, não esclarecem qual resultado político específico estava sendo discutido.
Outros registros indicam que ACM Neto, Vorcaro e Rueda combinaram um encontro em São Paulo em outubro de 2024. Durante a conversa, foram discutidas duas possibilidades para a reunião: a residência do então controlador do Master ou uma sala reservada em uma charutaria. Segundo o conteúdo publicado, o encontro acabou sendo acertado para uma sala privada. Há ainda registros de outras tentativas de reuniões entre ACM Neto e Vorcaro ao longo daquele período.
As conversas remontam pelo menos a outubro de 2023. Em uma das trocas, os dois demonstraram satisfação após um encontro e Vorcaro escreveu que era bom estar com ACM Neto. Em julho de 2024, outra reunião chegou a ser planejada, mas ACM Neto informou que precisaria cancelar sua participação após o nascimento antecipado do filho. O conjunto das mensagens indica que os contatos entre os dois não ficaram restritos a uma única ocasião.
A divulgação dos diálogos ocorre após vir a público que a A&M Consultoria Ltda., empresa de ACM Neto e de sua mulher, recebeu aproximadamente R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag. Conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Master realizou 12 transferências que totalizaram cerca de R$ 1,8 milhão, enquanto a Reag fez outros 13 repasses, somando aproximadamente R$ 1,83 milhão.
A A&M Consultoria foi constituída no fim de dezembro de 2022, com capital social declarado de R$ 2 mil e atividade principal de consultoria em gestão empresarial. No relatório, o Coaf registrou que a companhia apresentou movimentação de “recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada”. ACM Neto confirmou a existência dos contratos e dos pagamentos, mas afirmou que os valores correspondem a serviços efetivamente prestados, com contratos formais e recolhimento de impostos, e negou qualquer irregularidade.
A relação com Vorcaro passou a integrar o debate político na campanha pelo governo da Bahia, com adversários explorando publicamente os contatos e os pagamentos feitos à consultoria. ACM Neto rejeita as acusações de irregularidades relacionadas aos serviços prestados. As novas mensagens acrescentam informações sobre a frequência dos contatos e encontros entre o candidato e o ex-controlador do Banco Master, mas, por si só, os diálogos divulgados não demonstram que ACM Neto tenha cometido alguma ilegalidade. As informações e do colunista Lauro Jardim, de O Globo
Região Nordeste
Fachin envia ao STJ investigação sobre suposta rede de desinformação ligada a Raquel Lyra em Pernambuco
PF apura possível uso de estrutura pública e recursos de publicidade para financiar perfis e conteúdos em meio à disputa eleitoral com João Campos – Foto: Reprodução
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou que seja encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a investigação da Polícia Federal que apura a possível existência de uma estrutura digital ligada ao governo de Pernambuco. O inquérito investiga indícios de uso de recursos públicos para financiar conteúdos e perfis nas redes sociais durante a disputa política envolvendo a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB).
A apuração estava no STF por ter sido relacionada inicialmente ao inquérito das fake news. Ao analisar os elementos reunidos pela Polícia Federal, Fachin entendeu que não foram identificadas, até o momento, evidências de que a suposta estrutura tenha atuado diretamente contra o Supremo ou seus ministros. Os indícios encontrados apontariam principalmente para ações relacionadas à disputa política e eleitoral dentro de Pernambuco.
Um dos principais pontos investigados é a eventual utilização de contratos de publicidade da administração estadual para financiar, de maneira indireta, páginas e perfis responsáveis pela divulgação de conteúdos políticos. A Polícia Federal também identificou elementos técnicos que aproximariam publicações feitas pelo perfil oficial da governadora e por contas citadas na investigação.
Segundo informações da investigação divulgadas pela imprensa, uploads de conteúdos atribuídos ao perfil oficial de Raquel Lyra e a dois perfis apontados na denúncia teriam sido realizados a partir de um mesmo endereço de internet vinculado a uma autarquia estadual de tecnologia da informação. Para Fachin, os elementos justificam a continuidade das investigações sobre a possibilidade de utilização da estrutura administrativa e de dinheiro público para fins políticos.
A transferência para o STJ ocorre porque os fatos investigados podem envolver a governadora do estado. Fachin considerou que, diante da ausência de indícios de ataques direcionados às prerrogativas do STF e da concentração das suspeitas no cenário político pernambucano, cabe ao Superior Tribunal de Justiça acompanhar o caso, considerando sua competência sobre eventuais crimes comuns atribuídos a governadores.
O episódio ocorre em meio a uma disputa eleitoral marcada também por acusações no sentido contrário. A coligação de Raquel Lyra acionou a Justiça Eleitoral contra João Campos e administradores de perfis digitais, pedindo investigação sobre uma suposta atuação coordenada para atacar a governadora nas redes sociais. A existência e as responsabilidades pelas estruturas denunciadas permanecem sob apuração, sem conclusão definitiva sobre eventual participação dos candidatos nos fatos investigados.
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