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Ex-sócio abre dossiê e expõe relatos de prostituição, orgias, presentes de luxo e articulações nos bastidores de Flávio Bolsonaro

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Material atribuído a Alexandre Santini reúne conversas e documentos sobre rompimento com o senador – Foto: Carlos Moura/ Agência Senado

Um acervo atribuído ao empresário Alexandre Ferreira Dias Santini, antigo sócio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma franquia da Kopenhagen no Rio de Janeiro, reúne mensagens, registros e documentos sobre o período em que os dois mantiveram uma relação comercial e pessoal. Parte do material trata do desgaste que se instalou entre eles depois do fim da sociedade e traz alegações envolvendo a vida privada do parlamentar, presentes de alto valor e contatos nos bastidores de Brasília. A existência da disputa judicial é documentada: em 2023, Santini cobrou cerca de R$ 1,47 milhão de Flávio, alegando divisão desigual de lucros e despesas que teria pago sem ressarcimento.

A parceria empresarial foi mantida por meio da Bolsotini Chocolates e Café Ltda., responsável pela operação de uma loja na Barra da Tijuca. Depois do encerramento do negócio, Santini passou a reivindicar valores que, segundo ele, ainda deveriam ser acertados pelo senador. Flávio contestou a cobrança e declarou à época que a dívida não existia. Registros do Tribunal de Justiça do Distrito Federal mostram ainda procedimento envolvendo Santini e Flávio em 2023, posteriormente arquivado.

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Além da disputa financeira, o material apresentado pelo ex-sócio contém conversas relacionadas à vida pessoal do senador e a encontros ocorridos durante o período de proximidade entre os dois. Em uma das mensagens atribuídas a Flávio, o parlamentar reclama da atuação de Santini e afirma ter se arrependido de escolhas feitas no passado, pedindo ao antigo parceiro que se afastasse de sua família. As mensagens, entretanto, devem ser tratadas como material atribuído ao acervo particular de Santini, já que nem todo o conteúdo descrito possui confirmação independente em registros públicos.

Outro capítulo envolve alegados benefícios pagos por pessoas próximas ao senador. Segundo o material atribuído a Santini, despesas relacionadas à residência de Flávio em Brasília e artigos de luxo teriam sido bancados por aliados. Entre os itens mencionados está um relógio Rolex que teria sido comprado em nome de terceiro e destinado ao parlamentar. Alegações anteriores de Santini sobre uma suposta coleção de relógios de luxo de Flávio já haviam sido publicadas em 2023, mas as circunstâncias e a propriedade desses objetos são pontos que exigem confirmação independente.

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O nome do advogado Frederick Wassef também surge no conjunto de mensagens descrito por Santini. As conversas fazem referência às disputas judiciais relacionadas às antigas investigações sobre Flávio Bolsonaro e ao trabalho desenvolvido pela defesa. A loja de chocolates chegou a aparecer nas apurações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre suspeitas relacionadas ao chamado caso das “rachadinhas”; decisões judiciais posteriores afetaram o andamento dessas investigações.

O trecho mais sensível do material atribuído a Santini é uma mensagem de 2023 na qual ele afirma ter conhecimento de supostas conversas relacionadas a processos no Supremo Tribunal Federal e menciona o ministro Kassio Nunes Marques. A mensagem, por si só, não comprova interferência do senador ou do ministro em processo judicial, e não foi localizada, nas fontes consultadas, confirmação independente dessas alegações específicas. Registros públicos confirmam, porém, que a disputa entre Santini e Flávio chegou ao Judiciário naquele período e acabou arquivada após a tentativa de composição entre os antigos sócios. A informações e do portal PlatôBR.

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Promessa de Flávio Bolsonaro de “decretar Brasil de Jesus Cristo” provoca reação de bispo, que alerta para ameaça ao Estado laico

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Dom Roberto Francisco afirma que proposta anunciada pelo candidato à Presidência precisa ser esclarecida – Foto: Charles Vieira/ Campanha

O bispo dom Roberto Francisco Ferreira Paz, da Diocese de Campos, questionou o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a declaração de que, caso seja eleito, pretende ter entre seus primeiros atos um decreto afirmando que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Para o religioso, a proposta precisa ser explicada com clareza, principalmente quanto aos possíveis efeitos sobre brasileiros que seguem outras religiões ou não professam nenhuma fé.

Integrante da Pastoral da Saúde e da Comissão para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Roberto classificou a ideia anunciada por Flávio como “perigosa”. O bispo questionou se uma iniciativa dessa natureza poderia gerar privilégios aos cristãos ou algum tipo de tratamento diferente para seguidores de outras crenças. Segundo ele, a liberdade religiosa deve ser garantida igualmente a todos os cidadãos.

A discussão ganhou repercussão após uma declaração feita por Flávio Bolsonaro em agosto. Ao explicar sua ausência em um debate promovido pela TV Bandeirantes, o candidato afirmou que gostaria de debater com quem não acredita em Deus e disse que, chegando à Presidência, um de seus primeiros atos seria decretar que o país pertence a Jesus Cristo. A fala voltou ao centro do debate nesta segunda-feira (28), após os questionamentos públicos feitos pelo bispo.

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Dom Roberto argumentou que existe diferença entre um governante manifestar publicamente sua fé e transformar uma convicção religiosa pessoal em ato oficial de governo. Para ele, um presidente pode declarar sua religião, mas deve governar cidadãos de todas as crenças. O religioso afirmou que o Estado não possui uma fé própria e deve assegurar o livre exercício religioso. O Conselho Nacional de Justiça também reconhece, com base na Constituição, o caráter laico do Estado brasileiro e as liberdades de consciência, crença e religião.

O bispo também relacionou a declaração do candidato ao que chamou de “doutrina dominacionista”, corrente que, segundo sua avaliação, busca ampliar a influência religiosa sobre a política. Dom Roberto defendeu que critérios confessionais não sejam utilizados na administração pública e lembrou que decisões de um presidente precisam considerar toda a população, independentemente de orientação religiosa. Até a publicação da manifestação do bispo pela Folha de S.Paulo, a assessoria de Flávio Bolsonaro ainda não havia apresentado resposta específica aos questionamentos.

A manifestação ocorre ainda em meio a outro episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e setores católicos. Nos últimos dias, circulou a informação falsa de que o candidato pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Flávio negou a alegação e afirmou defender a liberdade religiosa. A própria informação foi posteriormente corrigida, e o candidato agradeceu à CNBB após a entidade negar ter disseminado a versão. O novo debate, porém, concentra-se na declaração efetivamente feita pelo presidenciável sobre um eventual decreto envolvendo Jesus Cristo e nos questionamentos apresentados pelo bispo sobre seus possíveis efeitos institucionais.

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