Região Sudeste
Lindbergh compara Flávio Bolsonaro a Collor e alerta para possível ataque às aposentadorias, saúde e educação
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Deputado denuncia riscos de cortes de R$ 250 bilhões em políticas sociais – Crédito: Agência Câmara/ Instagram/ Repórter Unesp/ Agência Senado
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) fez duras críticas ao candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e comparou seu projeto político ao do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Em manifestação divulgada nas redes sociais, o parlamentar afirmou que propostas econômicas discutidas por integrantes da campanha bolsonarista representam uma ameaça aos direitos sociais e podem atingir diretamente aposentados, pessoas com deficiência e milhões de brasileiros que dependem dos serviços públicos.
A reação do petista ganhou força após a divulgação de informações de que assessores econômicos de Flávio Bolsonaro avaliam medidas para reduzir aproximadamente R$ 250 bilhões em despesas públicas. Entre as possibilidades mencionadas estão mudanças nas regras de reajuste das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), além da revisão dos investimentos mínimos obrigatórios em saúde e educação. Flávio, entretanto, nega que pretenda reduzir os reajustes previdenciários e afirma que essas propostas não fazem parte de seu programa oficial de governo.
Deputado vê semelhanças entre Flávio Bolsonaro e Collor
Ao analisar o cenário eleitoral, Lindbergh resgatou sua trajetória como uma das lideranças do movimento dos caras-pintadas, responsável por grandes manifestações contra Fernando Collor em 1992. Para o deputado, o Brasil enfrenta novamente uma disputa entre projetos econômicos distintos, e as propostas atribuídas à equipe de Flávio Bolsonaro apresentam semelhanças com políticas defendidas durante o governo Collor. “Flávio Bolsonaro é a cara do Fernando Collor de Mello”, declarou.
Uma das maiores preocupações levantadas pelo parlamentar envolve a possibilidade de desvincular determinados benefícios previdenciários e assistenciais dos ganhos reais do salário mínimo. Caso uma medida dessa natureza fosse aprovada, os reajustes poderiam ficar limitados à inflação, impedindo que parte dos beneficiários acompanhasse os aumentos reais concedidos aos trabalhadores. Lindbergh considera que uma mudança desse tipo provocaria perdas sociais e aprofundaria as dificuldades enfrentadas pela população de baixa renda.
Saúde e educação também entram no centro das críticas
Outro ponto questionado pelo deputado diz respeito à possibilidade de flexibilização dos pisos constitucionais que garantem recursos mínimos para saúde e educação. Na avaliação de Lindbergh, alterar essas regras poderia enfraquecer o financiamento de hospitais, escolas e outros serviços essenciais. “Eles, na verdade, têm um plano. O plano é atacar violentamente a educação, a saúde pública. É um arrocho em cima dos mais pobres”, afirmou o parlamentar, ao criticar as medidas em discussão.
Além das críticas econômicas, Lindbergh demonstrou entusiasmo com a participação de jovens em manifestações políticas realizadas em diferentes regiões do país. O deputado lembrou que, durante a crise do governo Collor, estudantes ocuparam as ruas, pintaram os rostos de verde e amarelo e ajudaram a ampliar a pressão popular pelo impeachment presidencial. “Meu coração tá batendo com muita esperança com esse levante dos estudantes brasileiros”, declarou, defendendo o protagonismo da juventude na discussão sobre o futuro do Brasil.
O parlamentar também mencionou mobilizações no Rio de Janeiro e a organização de um novo ato na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Para Lindbergh, a presença dos estudantes no debate nacional pode fortalecer a defesa da educação pública, dos direitos trabalhistas e das políticas de proteção social. Ele afirmou acreditar que a juventude continuará ocupando os espaços democráticos para cobrar compromissos dos candidatos e questionar propostas que considere prejudiciais à população.
As declarações ocorrem em meio à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula conquistou 45,16%. Com a decisão marcada para 25 de outubro, o debate sobre aposentadorias, assistência social, saúde e educação tende a ganhar destaque na campanha. Lindbergh aposta na mobilização popular para fortalecer a candidatura de Lula, enquanto Flávio busca afastar de sua campanha as propostas de cortes divulgadas pela imprensa.
Veja o vídeo:
A JUVENTUDE VAI FAZER HISTÓRIA DE NOVO!
Em 1992, fui às ruas com os caras-pintadas. Hoje, vejo essa nova geração se levantar e meu coração se enche de esperança.
É a juventude tomando as ruas para defender a educação pública, os direitos do povo e decidir os rumos do Brasil.… pic.twitter.com/TlAOb4vnL1
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) October 8, 2026
Região Sudeste
Paes recorre ao STF para tentar garantir segundo turno no Rio após decisão do TSE que favorece Douglas Ruas
Coligação do candidato do PSD contesta anulação dos votos de Anthony Garotinho – Crédito: Divulgação
A disputa pelo governo do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (8), depois que a coligação liderada por Eduardo Paes (PSD) anunciou que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir o encerramento da eleição ainda no primeiro turno. A iniciativa ocorre após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar a exclusão dos votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), decisão que pode garantir a vitória de Douglas Ruas (PL) sem a necessidade de uma segunda votação.
A campanha de Paes considera que a decisão da Justiça Eleitoral modifica significativamente o cenário estabelecido pelos eleitores no último domingo (4). Segundo a coligação, nenhum dos candidatos havia conquistado mais da metade dos votos válidos na apuração inicial, condição exigida pela Constituição para a eleição de governador em primeiro turno. Diante disso, os advogados preparam uma medida cautelar para tentar assegurar a realização do segundo turno, previsto para 25 de outubro.
O julgamento terminou com cinco votos favoráveis à anulação dos votos de Garotinho e dois contrários. A maioria foi formada pelos ministros Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha, André Mendonça, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. Com a decisão, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro deverá refazer os cálculos da votação, retirando do total de votos válidos aqueles atribuídos ao ex-governador, o que pode elevar o percentual de Douglas Ruas acima da maioria absoluta.
Durante a análise do processo, os ministros favoráveis à medida defenderam que votos destinados a candidatos sem registro válido não podem integrar a apuração definitiva. André Mendonça argumentou que a retotalização representa a aplicação das normas eleitorais, enquanto Dias Toffoli destacou os impedimentos jurídicos relacionados à situação de Anthony Garotinho. Para essa corrente, a exclusão dos votos não significa interferência política no resultado, mas cumprimento da legislação.
O entendimento da maioria, entretanto, não foi unânime. Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior apresentaram posições contrárias à retotalização com efeitos sobre a definição do primeiro turno. Na avaliação dos magistrados, a desistência do recurso apresentada por Garotinho deveria impedir o prosseguimento da análise, e a posterior exclusão de seus votos não poderia modificar retroativamente as condições que determinaram a necessidade de uma segunda etapa eleitoral.
A controvérsia também envolve a interpretação do princípio da soberania popular. O advogado José Roberto de Castro Neves, responsável pela defesa da coligação de Eduardo Paes, argumenta que a decisão acaba produzindo um resultado diferente daquele inicialmente registrado nas urnas. A campanha sustenta que Douglas Ruas não alcançou a maioria absoluta no momento da votação e que a definição do próximo governador deveria ocorrer por meio de um novo confronto eleitoral.
Nos bastidores, aliados de Paes reconhecem as dificuldades de modificar o entendimento estabelecido pelo TSE, mas consideram o recurso ao Supremo uma alternativa para manter a disputa. A preocupação aumentou após a determinação de cumprimento imediato da retotalização, medida que pode consolidar juridicamente a eleição de Douglas Ruas. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, também destacou a necessidade de uma definição rápida para não prejudicar os preparativos da votação presidencial de segundo turno.
Com a decisão da Justiça Eleitoral, o futuro da disputa pelo Palácio Guanabara passa a depender dos próximos desdobramentos judiciais. Enquanto Douglas Ruas se aproxima da confirmação de uma vitória em primeiro turno, Eduardo Paes busca impedir que a mudança na contabilização dos votos encerre antecipadamente a eleição. A eventual intervenção do STF poderá definir se os eleitores fluminenses voltarão às urnas para escolher o próximo governador do Rio de Janeiro.
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