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Governo do RJ faz limpa no Palácio Guanabara, exonera 174 cargos e atinge cúpula da Saúde, comunicação e até setor de cozinha

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Reestruturação administrativa avança, atinge nomes estratégicos e pode gerar economia milionária aos cofres públicos – Foto: Reprodução

O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, intensificou o processo de reestruturação da máquina pública e determinou uma nova rodada de exonerações nesta terça-feira (28), atingindo 174 servidores comissionados. A medida amplia uma sequência de cortes que, em apenas duas semanas, já soma mais de 800 desligamentos na administração estadual.

As demissões alcançam cargos considerados estratégicos dentro do governo, incluindo a antiga secretária de Saúde, o responsável pela comunicação institucional e até funções operacionais ligadas diretamente ao Palácio Guanabara. O movimento evidencia uma mudança profunda no comando político e administrativo do estado.

Grande parte dos exonerados estava concentrada em duas pastas centrais: a Casa Civil e a Secretaria de Governo, estruturas responsáveis pela articulação política e administrativa do Executivo. Nesta etapa, foram desligados 95 servidores da Casa Civil e outros 79 da Secretaria de Governo.

Segundo estimativas oficiais, apenas essa fase da reestruturação pode representar uma economia anual próxima de R$ 24 milhões. O governo, no entanto, projeta um impacto ainda maior ao longo do processo completo de enxugamento da máquina pública.

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O plano prevê cortes de aproximadamente 40% do quadro dessas duas secretarias, que juntas somam cerca de 4 mil servidores. Caso a meta seja atingida, cerca de 1,6 mil cargos devem ser eliminados, com economia anual estimada em até R$ 85 milhões.

Parte das exonerações também mira servidores que, segundo levantamentos internos, não estariam exercendo suas funções regularmente, os chamados “funcionários fantasmas”. A medida reforça o discurso de ajuste fiscal e de moralização da gestão pública.

Entre os nomes atingidos estão a ex-secretária de Saúde, Claudia Mello, o ex-subsecretário de Comunicação, Igor Marques, e o chef Eloi dos Santos Leite, responsável pela área de copa e cozinha do governo. Todos integravam a gestão do ex-governador Cláudio Castro.

Embora os desligamentos tenham sido registrados oficialmente como “a pedido”, nos bastidores a leitura é de que o ato marca o fim de um grupo político que concentrava poder no Palácio Guanabara desde 2020, quando Castro assumiu o governo estadual.

A gestão de Claudia Mello esteve associada a um dos episódios mais graves da saúde pública recente, envolvendo a contaminação de pacientes transplantados por HIV após falhas em exames realizados por um laboratório contratado. O caso gerou investigações, processos judiciais e forte desgaste institucional.

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No campo da comunicação, Igor Marques também enfrentou questionamentos, tendo sido ouvido em investigações sobre gastos com publicidade oficial. Sua proximidade política com o ex-governador reforça o entendimento de que as mudanças têm caráter estratégico e político.

Apesar das exonerações em massa, o governo já iniciou a recomposição de áreas consideradas essenciais. Para a Secretaria de Saúde, foi anunciado o médico Ronaldo Damião, profissional com longa trajetória na área e reconhecido por sua atuação durante a pandemia e por campanhas de conscientização como o Novembro Azul.

A troca no comando da saúde sinaliza uma tentativa de reposicionar a gestão com perfil mais técnico, enquanto o governo interino segue promovendo cortes e ajustes que devem redesenhar o funcionamento da administração estadual nos próximos meses.

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Deputado Lindbergh Farias alerta para risco à democracia e critica possível derrubada de veto sobre o PL da Dosimetria

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Votação do PL da Dosimetria coloca governo e oposição em confronto direto no Parlamento – Foto: Reprodução/ IA

A semana política em Brasília será marcada por uma votação considerada estratégica: o Congresso Nacional analisa a possível derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chamado PL da Dosimetria. A sessão conjunta, prevista para quinta-feira, pode alterar significativamente a forma de aplicação de penas em crimes ligados aos atos de 8 de janeiro de 2023, reacendendo o debate sobre responsabilização e justiça.

O tema ganhou força após manifestações públicas do deputado Lindbergh Farias, que classificou o momento como decisivo para a democracia brasileira. Segundo ele, a eventual derrubada do veto pode abrir caminho para a redução de penas e até beneficiar envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, o que, na avaliação de aliados do governo, representaria um retrocesso institucional.

A proposta, aprovada pelo Congresso no fim de 2025 e vetada integralmente pelo Executivo, altera critérios da dosimetria penal. Entre os principais pontos, está a possibilidade de aplicar apenas a pena mais grave em casos de múltiplas condenações, além de prever reduções significativas para crimes cometidos em contexto coletivo, desde que não haja liderança ou financiamento comprovado.

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Outro trecho que gera controvérsia trata da progressão de regime. Mesmo em casos de reincidência, o projeto permite avanço mais rápido no cumprimento da pena para condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito. Essa mudança pode impactar diretamente processos relacionados aos atos antidemocráticos e alimentar críticas sobre possível flexibilização das punições.

Nos bastidores, a disputa é intensa. Parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro articulam votos para derrubar o veto, enquanto o governo tenta mobilizar sua base para manter a decisão presidencial. A votação exige maioria absoluta nas duas Casas, o que eleva o grau de incerteza, especialmente no Senado, onde o cenário é considerado mais equilibrado.

Além do impacto jurídico, o desfecho terá forte repercussão política. A decisão pode influenciar o ambiente eleitoral e a relação entre Executivo e Legislativo, além de gerar reação da opinião pública. Caso o veto seja derrubado, aliados do governo já admitem a possibilidade de questionamentos no Supremo Tribunal Federal, mantendo o tema no centro do debate nacional.

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