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De volta ao berço de sua trajetória política, Lula lança candidatura à reeleição e inicia caminhada em busca do quarto mandato
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Presidente escolhe São Bernardo do Campo, berço de sua trajetória sindical, para iniciar campanha – Foto: Ricardo Stuckert
Luiz Inácio Lula da Silva deu início oficialmente, neste domingo (16), à campanha pela reeleição à Presidência da República. O lançamento ocorreu na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, local diretamente ligado ao início de sua projeção como líder sindical. Diante de apoiadores, Lula apresentou a busca por um quarto mandato como uma oportunidade de ampliar políticas sociais e acelerar a transformação econômica e industrial do país.
Durante o discurso, Lula afirmou que pretende apresentar, nos próximos dez a 15 dias, as propostas para um eventual novo governo. O programa será divulgado em conjunto com o vice-presidente Geraldo Alckmin e deverá detalhar as prioridades da chapa. Na largada da campanha, o presidente também orientou seus apoiadores a compararem os indicadores de sua administração com os resultados registrados no governo anterior.
A educação apareceu entre os principais compromissos apresentados pelo candidato. Lula defendeu a ampliação da formação profissional, das escolas em tempo integral e da rede federal de ensino. Ao citar a expansão do acesso às universidades e aos institutos federais desde seu primeiro mandato, afirmou que o desenvolvimento brasileiro dependerá da capacidade de preparar uma nova geração para atividades cada vez mais ligadas à ciência, à indústria e à tecnologia.
Outro eixo defendido por Lula foi a industrialização das riquezas naturais brasileiras. O presidente argumentou que minerais críticos e terras raras não devem deixar o país apenas como matérias-primas. A proposta apresentada é aumentar o processamento e a fabricação de produtos no próprio território nacional, incluindo componentes para celulares, chips e baterias elétricas, de forma a gerar empregos, renda e desenvolvimento tecnológico.
No campo econômico, Lula utilizou números de emprego, inflação, crescimento e investimentos para sustentar o discurso de continuidade. Também destacou a política de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda de até R$ 5 mil, programas de crédito direcionados ao setor produtivo e iniciativas destinadas a manter jovens no ensino médio. O presidente associou essas medidas ao projeto de fortalecimento do mercado interno e de retomada da indústria nacional.
A escolha da Vila Euclides também serviu para Lula recuperar episódios que marcaram sua trajetória antes da chegada à Presidência. Ele relembrou as grandes greves dos metalúrgicos do ABC no fim da década de 1970 e início dos anos 1980, mencionando as dificuldades das negociações, as demissões de trabalhadores e sua prisão em abril de 1980. Segundo Lula, aqueles acontecimentos foram fundamentais para sua formação política e para a decisão de participar diretamente da vida partidária brasileira.
Ao relacionar passado e presente, Lula ainda citou programas e obras executados durante os governos petistas, como o Luz para Todos e a transposição do Rio São Francisco. O presidente afirmou que investimentos em infraestrutura, segurança hídrica e educação precisam produzir resultados que ultrapassem os limites de um mandato. Nordestino que migrou para São Paulo ainda jovem, Lula também utilizou sua própria história para defender ações de combate à falta de água no Nordeste.
No encerramento do ato, Lula ampliou o discurso para as disputas estaduais e para o Congresso Nacional. Pediu apoio a Fernando Haddad na corrida pelo governo de São Paulo, além de Marina Silva e Simone Tebet para as vagas ao Senado, e defendeu a eleição de uma bancada aliada na Câmara dos Deputados. Ao iniciar a caminhada por um quarto mandato justamente no ABC, Lula buscou transformar o simbolismo de sua origem sindical em uma das marcas da campanha, combinando a memória das mobilizações operárias com promessas de educação, industrialização, tecnologia e geração de empregos.
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Lula apresenta propostas para novo mandato e defende Ministério da Segurança e produção tecnológica com minerais brasileiros
Em ato em São Bernardo do Campo, presidente condiciona criação de nova pasta à aprovação de PEC e defende que minerais críticos sejam transformados no Brasil – Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou neste domingo (16), durante o lançamento de sua campanha à reeleição em São Bernardo do Campo (SP), algumas das propostas que pretende levar para a disputa eleitoral. Entre os principais pontos anunciados estão a criação de um Ministério da Segurança Pública, condicionada à aprovação de uma mudança constitucional, e uma política para impedir que minerais críticos brasileiros sejam exportados apenas como matéria-prima.
Durante o evento realizado no estádio da Vila Euclides, Lula afirmou que pretende ampliar a presença do governo federal no enfrentamento ao crime organizado. Segundo ele, a criação de uma estrutura ministerial exclusiva para o setor dependerá da aprovação da PEC da Segurança Pública, que já passou pela Câmara dos Deputados e agora tramita no Senado. A proposta busca fortalecer a integração entre União, estados e municípios sem retirar as atribuições dos governos estaduais.
Ao abordar a criminalidade, o presidente defendeu que as ações de segurança avancem sobre o patrimônio e as fontes de financiamento das organizações criminosas. Lula afirmou que operações realizadas durante seu atual governo atingiram cerca de R$ 35 bilhões vinculados ao crime organizado e sustentou que combater o poder econômico dessas organizações é fundamental para enfraquecer estruturas criminosas mais sofisticadas.
Lula também voltou a criticar o crescimento da circulação de armas e munições no país. Ao recordar campanhas de desarmamento realizadas em seus governos anteriores, afirmou que mais de 500 mil armas foram entregues voluntariamente pela população naquele período. Em contraponto, citou números superiores a 1 milhão de armas e 1 bilhão de munições comercializadas posteriormente e questionou quanto desse material pode ter chegado às mãos de organizações criminosas.
Outro eixo destacado no discurso foi a exploração dos minerais críticos e das terras raras. Lula afirmou que pretende evitar um modelo baseado simplesmente na retirada e exportação desses recursos. A proposta apresentada pelo presidente é estabelecer no Brasil etapas de processamento, industrialização e fabricação de produtos tecnológicos, aumentando o valor agregado da produção e estimulando a criação de empregos especializados.
O presidente mencionou Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido ao defender maior autonomia brasileira sobre essas riquezas naturais. Segundo Lula, o país não deve escolher uma potência estrangeira para assumir o protagonismo na exploração dos minerais estratégicos. A intenção apresentada no evento é formar pesquisadores e trabalhadores brasileiros capazes de atuar desde a pesquisa e extração até a produção de componentes utilizados em celulares, chips, baterias e outras tecnologias.
A estratégia foi relacionada pelo presidente à Nova Indústria Brasil e à expansão dos investimentos em universidades e institutos federais. Lula afirmou que a retomada industrial precisa caminhar junto com a formação profissional e científica, especialmente em áreas consideradas decisivas para as próximas décadas. Ele também defendeu a ampliação das escolas de tempo integral, incluindo atividades relacionadas à cultura, música, meio ambiente e formação cidadã.
As propostas deverão integrar o programa de governo que Lula pretende apresentar ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin durante a campanha. No encerramento do discurso, o presidente também relacionou a execução de seu projeto político à eleição de aliados para a Câmara dos Deputados, Senado e governos estaduais. Segurança pública, educação, industrialização e domínio nacional sobre recursos estratégicos aparecem, assim, entre os principais temas escolhidos por Lula para sustentar sua tentativa de conquistar um novo mandato.
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