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Lula apresenta propostas para novo mandato e defende Ministério da Segurança e produção tecnológica com minerais brasileiros

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Em ato em São Bernardo do Campo, presidente condiciona criação de nova pasta à aprovação de PEC e defende que minerais críticos sejam transformados no Brasil – Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou neste domingo (16), durante o lançamento de sua campanha à reeleição em São Bernardo do Campo (SP), algumas das propostas que pretende levar para a disputa eleitoral. Entre os principais pontos anunciados estão a criação de um Ministério da Segurança Pública, condicionada à aprovação de uma mudança constitucional, e uma política para impedir que minerais críticos brasileiros sejam exportados apenas como matéria-prima.

Durante o evento realizado no estádio da Vila Euclides, Lula afirmou que pretende ampliar a presença do governo federal no enfrentamento ao crime organizado. Segundo ele, a criação de uma estrutura ministerial exclusiva para o setor dependerá da aprovação da PEC da Segurança Pública, que já passou pela Câmara dos Deputados e agora tramita no Senado. A proposta busca fortalecer a integração entre União, estados e municípios sem retirar as atribuições dos governos estaduais.

Ao abordar a criminalidade, o presidente defendeu que as ações de segurança avancem sobre o patrimônio e as fontes de financiamento das organizações criminosas. Lula afirmou que operações realizadas durante seu atual governo atingiram cerca de R$ 35 bilhões vinculados ao crime organizado e sustentou que combater o poder econômico dessas organizações é fundamental para enfraquecer estruturas criminosas mais sofisticadas.

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Lula também voltou a criticar o crescimento da circulação de armas e munições no país. Ao recordar campanhas de desarmamento realizadas em seus governos anteriores, afirmou que mais de 500 mil armas foram entregues voluntariamente pela população naquele período. Em contraponto, citou números superiores a 1 milhão de armas e 1 bilhão de munições comercializadas posteriormente e questionou quanto desse material pode ter chegado às mãos de organizações criminosas.

Outro eixo destacado no discurso foi a exploração dos minerais críticos e das terras raras. Lula afirmou que pretende evitar um modelo baseado simplesmente na retirada e exportação desses recursos. A proposta apresentada pelo presidente é estabelecer no Brasil etapas de processamento, industrialização e fabricação de produtos tecnológicos, aumentando o valor agregado da produção e estimulando a criação de empregos especializados.

O presidente mencionou Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido ao defender maior autonomia brasileira sobre essas riquezas naturais. Segundo Lula, o país não deve escolher uma potência estrangeira para assumir o protagonismo na exploração dos minerais estratégicos. A intenção apresentada no evento é formar pesquisadores e trabalhadores brasileiros capazes de atuar desde a pesquisa e extração até a produção de componentes utilizados em celulares, chips, baterias e outras tecnologias.

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A estratégia foi relacionada pelo presidente à Nova Indústria Brasil e à expansão dos investimentos em universidades e institutos federais. Lula afirmou que a retomada industrial precisa caminhar junto com a formação profissional e científica, especialmente em áreas consideradas decisivas para as próximas décadas. Ele também defendeu a ampliação das escolas de tempo integral, incluindo atividades relacionadas à cultura, música, meio ambiente e formação cidadã.

As propostas deverão integrar o programa de governo que Lula pretende apresentar ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin durante a campanha. No encerramento do discurso, o presidente também relacionou a execução de seu projeto político à eleição de aliados para a Câmara dos Deputados, Senado e governos estaduais. Segurança pública, educação, industrialização e domínio nacional sobre recursos estratégicos aparecem, assim, entre os principais temas escolhidos por Lula para sustentar sua tentativa de conquistar um novo mandato.

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Em lançamento da candidatura de Lula, Janja convoca mulheres e aposta na força feminina para garantir novo mandato ao presidente

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Primeira-dama destaca força política das brasileiras, homenageia Marisa Letícia e cobra avanços em saúde, educação, trabalho, moradia e proteção às mulheres – Foto: Reprodução

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, transformou a participação feminina em um dos principais eixos de seu discurso durante o lançamento da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, neste domingo (16), no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Diante dos apoiadores, ela defendeu maior presença das mulheres na política e afirmou que o eleitorado feminino terá papel fundamental na tentativa de reconduzir Lula à Presidência.

Ao iniciar sua fala, Janja utilizou o próprio sobrenome para estabelecer uma identificação com as brasileiras. A primeira-dama lembrou que já carregava o sobrenome Silva antes do casamento com Lula e ressaltou a diversidade de papéis desempenhados diariamente pelas mulheres. Citou mães, filhas, avós, estudantes, professoras, empreendedoras, chefes de família e mães solo para sustentar que a trajetória feminina não pode ser reduzida a uma única função dentro da sociedade.

Janja também procurou apresentar as conquistas das mulheres como resultado de uma construção coletiva atravessada por diferentes gerações. Segundo ela, os avanços alcançados por uma mulher abrem caminhos para outras, incluindo aquelas que vieram antes e as que ainda percorrerão esses espaços. A primeira-dama destacou ainda a organização feminina dentro das famílias, no mercado de trabalho e nas comunidades como elemento importante dessa trajetória.

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Um dos momentos do pronunciamento foi dedicado a Marisa Letícia, ex-primeira-dama e esposa de Lula até sua morte, em 2017. Janja recordou a participação das mulheres durante as mobilizações sindicais do ABC paulista no fim dos anos 1970 e afirmou que muitas delas foram fundamentais para dar sustentação às famílias dos trabalhadores envolvidos nas greves. Também lembrou que Marisa confeccionou a primeira bandeira do Partido dos Trabalhadores e declarou admiração pela ex-primeira-dama.

Cobranças por políticas públicas

Na segunda parte do discurso, Janja direcionou uma série de reivindicações a Lula e defendeu que as políticas destinadas às mulheres tenham espaço relevante em um eventual novo mandato. Entre as prioridades mencionadas estão ampliação das oportunidades de trabalho e estudo, autonomia financeira e condições para que as brasileiras ocupem diferentes espaços da sociedade com mais igualdade e dignidade.

A primeira-dama também defendeu que o cuidado com crianças e famílias não seja tratado exclusivamente como responsabilidade das mulheres. Nesse contexto, citou investimentos em escolas de tempo integral e alimentação escolar como instrumentos capazes de permitir que mães possam trabalhar e estudar com maior tranquilidade. Para adolescentes e jovens, defendeu condições de permanência na escola e ampliação das oportunidades de acesso às universidades públicas.

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Saúde, moradia, emprego, acesso à terra e proteção contra diferentes formas de violência também apareceram entre as demandas apresentadas. Janja afirmou que as políticas de saúde precisam acompanhar as mulheres em todas as fases da vida, da infância à velhice, e cobrou do poder público medidas que garantam direitos e segurança em diferentes ambientes. Segundo ela, um governo comprometido com as brasileiras também precisa criar condições para que tenham tempo para cuidar de si mesmas, descansar e desenvolver seus próprios projetos.

Na conclusão, Janja adotou um discurso diretamente eleitoral ao destacar que as mulheres representam a maioria da população e do eleitorado brasileiro. A primeira-dama classificou as brasileiras como “guardiãs da democracia” e afirmou que elas terão protagonismo na campanha presidencial. “Como em 22, somos nós, as mulheres desse Brasil, que iremos te eleger novamente”, declarou. Em seguida, reforçou o apoio à candidatura de Lula e encerrou o pronunciamento com a frase: “Viva as mulheres, mulheres vivas com Lula presidente!”.

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