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Alerj cria comissão para cortar gastos e Douglas Ruas admite erros em orçamentos que agravaram crise financeira do Rio de Janeiro

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Crise fiscal no Rio leva Alerj a criar comissão de cortes e presidente da Casa admite falhas em orçamentos anteriores – Foto: Octacílio Barbosa/ Alerj

O agravamento da crise financeira do estado do Rio de Janeiro levou a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro a anunciar a criação de uma comissão especial para discutir medidas de contenção de gastos e alternativas para tentar frear o crescimento da dívida pública estadual. A decisão foi apresentada nesta quarta-feira pelo presidente da Casa, Douglas Ruas, durante o início das discussões sobre o orçamento de 2027.

Ao comentar o cenário financeiro do estado, Douglas Ruas reconheceu que o parlamento fluminense também teve responsabilidade na situação atual ao aprovar os últimos orçamentos sem medidas mais rígidas de controle fiscal. A declaração chamou atenção nos bastidores políticos por representar uma autocrítica rara dentro do Legislativo estadual.

O Rio de Janeiro enfrenta atualmente uma das piores situações fiscais do país. A dívida estadual já ultrapassa os R$ 237 bilhões, colocando o estado entre os mais endividados do Brasil. O comprometimento das receitas também preocupa técnicos da área econômica, já que o percentual da dívida supera os limites considerados seguros pelos órgãos federais de controle.

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A comissão criada pela Alerj terá prazo de quatro meses para elaborar propostas que possam reduzir despesas e reorganizar as contas públicas. Entre as medidas previstas estão análises de contratos, avaliação do crescimento da folha de pagamento e estudos sobre possíveis excessos em áreas da administração estadual.

Segundo o presidente da Assembleia, o objetivo é garantir mais transparência na elaboração do próximo orçamento e evitar novos déficits milionários nos próximos anos. O grupo também deverá promover audiências públicas e ouvir representantes dos poderes Executivo e Judiciário, além de órgãos de fiscalização e controle financeiro.

Douglas Ruas também fez críticas ao aumento acelerado das despesas com pessoal durante os últimos anos. Para ele, o crescimento dos gastos ocorreu em ritmo muito superior ao aumento da arrecadação estadual, fator que contribuiu diretamente para o desequilíbrio financeiro enfrentado pelo Rio de Janeiro.

Mesmo reconhecendo os problemas, o parlamentar negou participação direta na elaboração das peças orçamentárias que agora são alvo de críticas. Ex-secretário estadual de Cidades durante a gestão do governador Cláudio Castro, Ruas afirmou que sua responsabilidade era limitada à administração da pasta e não à construção do orçamento geral do estado.

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A comissão será formada inicialmente pelos deputados Jair Bittencourt, Alan Lopes, Tia Ju e Bruno Dauaire. O relatório final deve ser concluído próximo ao período eleitoral e poderá influenciar diretamente a votação do orçamento estadual de 2027 e os debates sobre a condução econômica do governo fluminense.

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Racha no PT do Rio: Prefeito Quaquá rompe apoio à pré-candidatura de Benedita da Silva ao Senado após disputa interna

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A expectativa agora é de novas negociações entre lideranças nacionais e estaduais.

O Partido dos Trabalhadores no Rio de Janeiro entrou em uma nova crise política após o prefeito de Maricá e vice-presidente nacional da legenda, Washington Quaquá, anunciar publicamente que deixará de apoiar a pré-candidatura da deputada federal Benedita da Silva ao Senado Federal, ampliando o clima de divisão e disputa interna dentro do partido no estado.

A tensão aumentou depois que integrantes da direção nacional petista avançaram na proposta de centralizar em Brasília a definição dos suplentes da chapa de Benedita. A medida acabou sendo interpretada por aliados de Quaquá como uma intervenção direta do Diretório Nacional nas decisões do PT fluminense.

Nos bastidores, o grupo político ligado ao prefeito de Maricá defendia maior participação da executiva estadual na construção da chapa majoritária. A mudança aprovada pela cúpula partidária, no entanto, retirou o poder de decisão das lideranças regionais e ampliou o desgaste interno entre correntes do partido.

Quaquá, que possui forte influência dentro do PT do Rio de Janeiro, reagiu duramente após a decisão. Em mensagens enviadas ao grupo da Executiva Nacional do partido, o dirigente afirmou que não pretende mais participar da campanha de Benedita ao Senado e criticou o modelo de articulação imposto pela direção nacional.

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O prefeito também demonstrou irritação com a condução das negociações envolvendo a escolha da suplência. Segundo interlocutores do partido, a disputa interna girava em torno da indicação de nomes ligados ao grupo político da deputada, entre eles o ex-presidente da Casa da Moeda, Manoel Severino, defendido por aliados de Benedita para ocupar a primeira suplência.

A crise expôs mais uma vez o clima de divisão dentro do PT fluminense às vésperas das articulações para as eleições de 2026. O embate entre a ala ligada a Quaquá e setores próximos à deputada federal acendeu um alerta na legenda sobre possíveis dificuldades para unificar o partido na disputa pelo Senado no estado.

Mesmo diante do racha interno, Benedita da Silva segue sendo um dos principais nomes do PT para a corrida eleitoral no Rio de Janeiro. A expectativa agora é de novas negociações entre lideranças nacionais e estaduais para tentar conter o desgaste político e evitar novos rompimentos dentro da sigla.

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