Amazônia
Governo Federal lança processo on-line de participação na construção do Plano Clima, no Dia do Meio Ambiente
Amazônia
Além do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, outros 16 ministérios trabalham no Plano Clima – Foto: Arquivo/Agência Brasil
(MMA) – O Governo Federal lançou o processo on-line de participação social na construção do Plano Clima, no Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado na terça-feira (5/6). As contribuições enviadas por meio da plataforma Brasil Participativo serão consideradas na elaboração da iniciativa, que guiará a política climática brasileira até 2035 e apresentará medidas para prevenir e lidar com os impactos da emergência climática.
Parceria do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) com a Secretaria-Geral da Presidência da República, o processo participativo foi anunciado pela ministra Marina Silva em ato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).
“As respostas serão analisadas e encaminhadas para os setores que estão pensando os planos de adaptação e de mitigação e a nova NDC”, afirmou Marina, referindo-se à sigla em inglês para Contribuição Nacionalmente Determinada, as metas climáticas assumidas pelos países no âmbito do Acordo de Paris.
A primeira etapa será guiada pela pergunta “Como o Brasil pode contribuir para o enfrentamento da emergência climática e reduzir seus impactos?”. Cidadãs e cidadãos poderão apresentar até três propostas e votar em no máximo outras dez, relacionadas a 18 temas, até 5 de agosto.
As contribuições mais votadas na Plataforma Brasil Participativo serão consideradas na construção do Plano Clima, elaborado com participação de mais de 20 ministérios. O plano será composto de estratégias nacionais e planos setoriais de mitigação e adaptação, além de quatro estratégias transversais.
Para participar, acesse a página gov.br/planoclima e faça o login com a conta gov.br. Em seguida, clique na aba “propostas” e em “criar minha proposta”. Preencha todos os dados e clique em “publicar” para que sua sugestão seja validada.
As respostas mais votadas serão analisadas por eixos e encaminhadas aos ministérios responsáveis pelos temas. As contribuições serão consideradas na elaboração dos textos do Plano Clima e receberão respostas individuais.
“É uma iniciativa para envolver a sociedade brasileira na construção desse Plano, que vai enfrentar as mudanças climáticas e construir alternativas de políticas públicas para o Brasil até 2035”, disse o ministro Márcio Macêdo.
Atualização do CIM
A atualização do Plano Clima foi determinada pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), principal órgão de governança climática do país. Retomado pelo presidente Lula em 2023, o CIM ganhou novas atribuições em decreto assinado no Dia Mundial do Meio Ambiente.
O comitê recebeu a atribuição de aprovar o Plano Clima e promover maior integração sobre o tema no governo federal. Com a adição dos ministérios do Desenvolvimento Social, da Educação e das Mulheres, além da Advocacia-Geral da União, o CIM passará a ser composto por 22 órgãos federais.
Foi criado ainda subcomitê-executivo, que será coordenado pelo MMA, para assessorar a tomada de decisões, e subcomitê para acompanhar a organização e participação do governo federal na COP30, conferência do clima da ONU que será realizada em Belém, no Pará, em 2025.
O CIM terá também três novas câmaras: de assessoramento científico, de articulação interfederativa e de participação social. A ampliação atende à necessidade de construção de uma governança climática inclusiva e justa, dialogando com as diferentes perspectivas da sociedade e envolvendo entes federados, sociedade civil, setor privado e academia.
Plano Clima
O novo Plano Clima definirá ações para que o Brasil reduza suas emissões de gases de efeito estufa e se adapte aos impactos da mudança do clima. O documento irá prever ações até 2035, com revisões previstas a cada quatro anos.
A iniciativa traz duas estratégias nacionais como pilares: a de mitigação terá como objetivo reduzir as emissões de gases causadores de efeito estufa, enquanto a de adaptação buscará diminuir a vulnerabilidade de cidades e ambientes naturais à mudança do clima e garantir melhores condições para o país enfrentar eventos climáticos extremos.
Haverá também pelo menos 15 planos setoriais de adaptação e sete de mitigação, cuja elaboração é realizada pelos ministérios relevantes em cooperação com o MMA. Mais detalhes estão disponíveis aqui .
Em uma próxima etapa, as estratégias nacionais e planos setoriais também serão submetidos à consulta pública.
Amazônia
Desmatamento na Amazônia registra menor índice em seis anos, aponta levantamento do MapBiomas
Brasil reduz perda de vegetação em todos os biomas e fica abaixo de 1 milhão de hectares desmatados pela primeira vez desde 2019 – Foto: Ricardo Stuckert
O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de desmatamento dos últimos seis anos, segundo dados divulgados pela organização MapBiomas. O levantamento aponta uma redução de 20,6% na perda de vegetação em comparação com o ano anterior, marcando a primeira vez desde o início da série histórica, em 2019, que o país ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares desmatados.
De acordo com o relatório, aproximadamente 985 mil hectares foram devastados em território nacional ao longo do último ano. A queda foi observada em todos os biomas brasileiros, incluindo a Amazônia, que apresentou redução de 23,5% no desmatamento em relação a 2024. O resultado reforça o impacto das ações de fiscalização ambiental e do endurecimento no combate à exploração ilegal de madeira.
Mesmo com a melhora nos indicadores, os números ainda preocupam especialistas e organizações ambientais. Somente na Amazônia, a destruição da vegetação continuou em ritmo acelerado, com perdas equivalentes a quase cinco árvores derrubadas por segundo, segundo os dados apresentados pelo monitoramento ambiental.
O coordenador técnico do MapBiomas, Marcos Rosa, afirmou que o fortalecimento das operações de fiscalização teve influência direta na redução registrada em 2025. Segundo ele, aumentaram as ações de embargo, monitoramento e transparência nas autorizações ambientais emitidas pelos órgãos responsáveis.
Outro dado apresentado pelo estudo mostra que 65% das áreas onde houve perda de vegetação receberam algum tipo de ação das autoridades ambientais em 2025. O índice representa um crescimento significativo quando comparado aos anos anteriores. Em 2019, por exemplo, apenas 5% dessas áreas haviam sido alvo de fiscalização efetiva.
Apesar da desaceleração no ritmo do desmatamento, o relatório alerta que o Cerrado continua sendo o bioma mais pressionado do país, concentrando mais da metade da devastação registrada em 2025. O levantamento também aponta que a expansão agropecuária segue como a principal causa da perda de vegetação no Brasil, mantendo o debate ambiental no centro das discussões sobre desenvolvimento econômico e preservação dos biomas nacionais.
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