Amazônia
BNDES realiza a primeira oficina de construção de projetos dirigidos ao “BNDES Corais”
Amazônia
BNDES Corais selecionará propostas para fortalecer a recuperação de recifes no litoral do Nordeste e parte do Espírito Santo – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
(BNDES) – O BNDES realiza nesta quarta-feira, dia 24, a partir das 10h, a primeira oficina de construção de projetos dirigidos ao BNDES Corais. A iniciativa é uma chamada pública do Fundo Socioambiental para selecionar e incentivar ações que contribuam com a recuperação e a conservação de recifes de corais rasos e bancos de corais brasileiros.
A chamada pública para o BNDES Corais estará aberta até 5 de julho e serão destinados até 60 milhões para os projetos selecionados. A oficina vai tirar dúvidas dos eventuais proponentes sobre a iniciativa e sobre o preenchimento do roteiro de apresentação de propostas. Para participar, os interessados podem acessar o link da oficina na página: www.bndes.gov.br/bndes-corais
Poderão participar da chamada permanente, lançada no início de abril, entidades privadas sem fins lucrativos, atuando em rede ou não, que tenham experiência na implantação e operação de projetos similares. O BNDES Corais selecionará propostas para fortalecer a resiliência e contribuir com a diminuição de perdas e recuperação de recifes no litoral do Nordeste e parte do Espírito Santo, cobrindo cerca de 3 mil dos 8,5 mil quilômetros da costa brasileira.
O BNDES Corais é parte da BNDES Azul, estratégia do banco para impulsionar a economia azul, gerando renda e oportunidades com a conservação do meio ambiente. O banco está destinando, via Fundo Socioambiental, R$ 30 milhões para a iniciativa. O investimento pode chegar a R$ 60 milhões, com a contrapartida dos parceiros que aderirem com os projetos.
Os projetos propostos devem ser dirigidos para corais rasos entre Bahia e Ceará, e para os dois grandes bancos de corais do país, localizados em Parcel Manoel Luís (MA) e Abrolhos (BA/ES). Os projetos que o BNDES vai incentivar devem promover: melhoramento da qualidade das águas das bacias que alimentam recifes rasos e bancos de corais; combate à pesca predatória pela geração de renda alternativa; ordenamento do turismo comunitário ligados a corais; combate a espécies exóticas que degradam os corais; e mapeamento, monitoramento, manutenção e recomposição de corais.
Estudos mostram que para cada um quilômetro quadrado de recife preservado, são economizados cerca de R$ 940 milhões em investimento para proteção da costa e R$ 62 milhões são gerados com turismo. No Brasil, isso representa R$ 7 bilhões com turismo de corais. Estima-se que os corais geram 30 milhões de empregos no mundo.
De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), os oceanos representam a 7ª maior economia do mundo, sendo que o valor agregado pela indústria oceânica global pode chegar a US$ 3 trilhões em 2030.
BNDES AZUL
O BNDES AZUL tem quatro frentes de atuação no âmbito da economia azul: Planejamento Espacial Marinho (PEM) da costa brasileira, incentivos à inovação e descarbonização da frota naval, estímulo à infraestrutura portuária e apoio a projetos de recursos hídricos via Fundo Clima.
BNDES Fundo Socioambiental
Os recursos do Fundo Socioambiental do BNDES são não reembolsáveis e aplicados em projetos sociais nas áreas de geração de emprego e renda, saúde, educação e meio ambiente, priorizando projetos que proporcionem benefícios na condição de vida da população de baixa renda.
Amazônia
Desmatamento na Amazônia registra menor índice em seis anos, aponta levantamento do MapBiomas
Brasil reduz perda de vegetação em todos os biomas e fica abaixo de 1 milhão de hectares desmatados pela primeira vez desde 2019 – Foto: Ricardo Stuckert
O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de desmatamento dos últimos seis anos, segundo dados divulgados pela organização MapBiomas. O levantamento aponta uma redução de 20,6% na perda de vegetação em comparação com o ano anterior, marcando a primeira vez desde o início da série histórica, em 2019, que o país ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares desmatados.
De acordo com o relatório, aproximadamente 985 mil hectares foram devastados em território nacional ao longo do último ano. A queda foi observada em todos os biomas brasileiros, incluindo a Amazônia, que apresentou redução de 23,5% no desmatamento em relação a 2024. O resultado reforça o impacto das ações de fiscalização ambiental e do endurecimento no combate à exploração ilegal de madeira.
Mesmo com a melhora nos indicadores, os números ainda preocupam especialistas e organizações ambientais. Somente na Amazônia, a destruição da vegetação continuou em ritmo acelerado, com perdas equivalentes a quase cinco árvores derrubadas por segundo, segundo os dados apresentados pelo monitoramento ambiental.
O coordenador técnico do MapBiomas, Marcos Rosa, afirmou que o fortalecimento das operações de fiscalização teve influência direta na redução registrada em 2025. Segundo ele, aumentaram as ações de embargo, monitoramento e transparência nas autorizações ambientais emitidas pelos órgãos responsáveis.
Outro dado apresentado pelo estudo mostra que 65% das áreas onde houve perda de vegetação receberam algum tipo de ação das autoridades ambientais em 2025. O índice representa um crescimento significativo quando comparado aos anos anteriores. Em 2019, por exemplo, apenas 5% dessas áreas haviam sido alvo de fiscalização efetiva.
Apesar da desaceleração no ritmo do desmatamento, o relatório alerta que o Cerrado continua sendo o bioma mais pressionado do país, concentrando mais da metade da devastação registrada em 2025. O levantamento também aponta que a expansão agropecuária segue como a principal causa da perda de vegetação no Brasil, mantendo o debate ambiental no centro das discussões sobre desenvolvimento econômico e preservação dos biomas nacionais.
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