Amazônia
Área rural: Marido de adjunta promete articulação para incluir queimadas em área consolidada
Na prática, isso permitiria a produção em área queimada e, em efeito cascata, poderia causar grande aumento no número de desmate ilegal.
Amazônia
Foto: Assessoria Prefeitura Municipal de Timon
O consultor legislativo da Assembleia Legislativa, Dauton Vasconcellos, surpreendeu produtores ao discursar na abertura do Mutirão Ambiental de Diamantino nesta semana. Ele afirmou que o primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), deve se reunir em breve com a secretária estadual de Meio Ambiente (Sema), Mauren Lazzaretti, para que juntos se unam em prol de mudanças no Código Florestal para aceitar a queimada como área de consolidação.
Na prática, isso permitiria a produção em área queimada e, em efeito cascata, poderia causar grande aumento no número de desmate ilegal.
“O deputado Max, numa das conversas com a Luciane, com a secretária Mauren, ele vai defender algumas bandeiras que vão ajudar o agronegócio. Que é a questão de aceitar a queimada como área de consolidação. Isso o deputado já colocou”, disse.
A mulher citada por Dauton antes de Mauren é Luciane Bertinatto Copetti, sua esposa e secretária-adjunta de Gestão Ambiental da Sema.
De acordo com Vasconcellos, Max Russi estaria articulando uma audiência pública com os deputados federais e senadores por Mato Grosso, para defender a ampliação do marco que estipula o ano limite das áreas de consolidação.
A área rural consolidada é definida no Código Florestal como aquela já ocupada pelo homem desde antes de 22 de julho de 2008, com edificações, benfeitorias ou atividades agrossilvipastoris, que são aquelas em que criação de animais e cultivo agrícola dividem a mesma área.
“Outra bandeira que o deputado vai cobrar, e ele vai fazer, é que ele vai fazer uma audiência pública, que vai trazer os deputados federais, e os congressistas, os senadores, para discutir o marco de 2008, para que a possa aumentar”, disse.
Procurada, a secretária Mauren afirmou que ninguém a procurou para tratar do tema e que o assunto já está formalmente definido em decreto estadual.
Amazônia
Desmatamento na Amazônia registra menor índice em seis anos, aponta levantamento do MapBiomas
Brasil reduz perda de vegetação em todos os biomas e fica abaixo de 1 milhão de hectares desmatados pela primeira vez desde 2019 – Foto: Ricardo Stuckert
O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de desmatamento dos últimos seis anos, segundo dados divulgados pela organização MapBiomas. O levantamento aponta uma redução de 20,6% na perda de vegetação em comparação com o ano anterior, marcando a primeira vez desde o início da série histórica, em 2019, que o país ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares desmatados.
De acordo com o relatório, aproximadamente 985 mil hectares foram devastados em território nacional ao longo do último ano. A queda foi observada em todos os biomas brasileiros, incluindo a Amazônia, que apresentou redução de 23,5% no desmatamento em relação a 2024. O resultado reforça o impacto das ações de fiscalização ambiental e do endurecimento no combate à exploração ilegal de madeira.
Mesmo com a melhora nos indicadores, os números ainda preocupam especialistas e organizações ambientais. Somente na Amazônia, a destruição da vegetação continuou em ritmo acelerado, com perdas equivalentes a quase cinco árvores derrubadas por segundo, segundo os dados apresentados pelo monitoramento ambiental.
O coordenador técnico do MapBiomas, Marcos Rosa, afirmou que o fortalecimento das operações de fiscalização teve influência direta na redução registrada em 2025. Segundo ele, aumentaram as ações de embargo, monitoramento e transparência nas autorizações ambientais emitidas pelos órgãos responsáveis.
Outro dado apresentado pelo estudo mostra que 65% das áreas onde houve perda de vegetação receberam algum tipo de ação das autoridades ambientais em 2025. O índice representa um crescimento significativo quando comparado aos anos anteriores. Em 2019, por exemplo, apenas 5% dessas áreas haviam sido alvo de fiscalização efetiva.
Apesar da desaceleração no ritmo do desmatamento, o relatório alerta que o Cerrado continua sendo o bioma mais pressionado do país, concentrando mais da metade da devastação registrada em 2025. O levantamento também aponta que a expansão agropecuária segue como a principal causa da perda de vegetação no Brasil, mantendo o debate ambiental no centro das discussões sobre desenvolvimento econômico e preservação dos biomas nacionais.
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