Amazônia
Amazônia: Advocacia-Geral da União garante bloqueio de R$ 15,5 milhões de desmatadores do Cerrado
Decisões proferidas pela Justiça Federal da 1ª Região são as primeiras vitórias obtidas pelo programa no bioma
Amazônia
Foto: Divulgação/AGU
Advocacia-Geral da União (AGU) – O Programa “AGU Recupera” – criado para adotar medidas jurídicas de proteção dos biomas e do patrimônio cultural brasileiros – obteve o bloqueio liminar de cerca de R$ 15,5 milhões em bens e valores de desmatadores do Cerrado, a partir de duas diferentes decisões proferidas pela Justiça Federal da 1ª Região. Esses são os primeiros êxitos do programa na defesa do bioma.
Em um dos imóveis alvos de atuação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a autarquia identificou o desmatamento de 752,51 hectares de vegetação nativa, tendo sido aplicado embargo e multa de R$ 752 mil, ainda em dezembro de 2008.
No entanto, desde então, os responsáveis pelo terreno rural situado em Formosa do Rio Preto (BA) não adotaram as medidas necessárias para reparar o dano, motivo pelo qual a AGU ingressou com uma ação civil pública, requerendo, liminarmente, o bloqueio dos valores necessários para a recuperação da área degradada, no importe de R$ 12,1 milhões, o que foi devidamente atendido pelo Juízo da Vara Federal Cível e Criminal de Barreiras (BA).
“Sob a ótica da cautelaridade, a tutela de urgência deve servir para salvaguardar a efetividade de futura decisão, para que não se mostre, ao final, vã”, registrou a magistrada Andreia Guimarães do Nascimento, na decisão. “Na seara ambiental, assim como se dá no âmbito da improbidade administrativa, o ordenamento jurídico deu conformação de evidência à tutela liminar, (…) o que se convencionou chamar de risco presumido ou de urgência presumida”, fundamentou.
Na segunda ação, a Vara Federal Cível e Criminal de Gurupi (TO) determinou a indisponibilidade patrimonial no valor de R$ 3,4 milhões pelos danos ambientais estimados, bem como pelos danos morais à coletividade decorrentes do desmatamento de 153 hectares de vegetação nativa, conforme identificado pelo Ibama em julho de 2010.
“O objetivo do bloqueio pleiteado é o resguardo da possibilidade de recomposição, ao menos financeira, de parte do prejuízo ocasionado pelos atos praticados como forma de punir e reprimir condutas lesivas ao meio ambiente, assim como possibilitar, dentro de programas existentes, a recomposição da flora, ainda que de forma distinta daquela observada anteriormente”, registrou o juiz Fabrício Roriz Bressan. O magistrado ainda determinou a imediata desocupação da área e a cessação de qualquer atividade econômica na área embargada, sob pena de multa diária.
Para a procuradora-regional Federal da 1ª Região, Renata Maria Periquito Pontes Cunha, as vitórias são fruto do trabalho e da preocupação da AGU com todos os biomas brasileiros. “Trata-se de um precedente de extrema importância para a instituição, pois é o primeiro precedente obtido pela AGU no âmbito do projeto ‘AGU Recupera’ fora da região amazônica, o que demonstra a preocupação da instituição com todos os biomas existentes no Brasil, em especial o Cerrado, que nos últimos meses foi alvo das maiores taxas de desmatamento, tendo atingido recordes”, disse.
Ref.: Processos nº 1004321-85.2023.4.01.4302 e 1008992-44.2023.4.01.3303.
Amazônia
Desmatamento na Amazônia registra menor índice em seis anos, aponta levantamento do MapBiomas
Brasil reduz perda de vegetação em todos os biomas e fica abaixo de 1 milhão de hectares desmatados pela primeira vez desde 2019 – Foto: Ricardo Stuckert
O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de desmatamento dos últimos seis anos, segundo dados divulgados pela organização MapBiomas. O levantamento aponta uma redução de 20,6% na perda de vegetação em comparação com o ano anterior, marcando a primeira vez desde o início da série histórica, em 2019, que o país ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares desmatados.
De acordo com o relatório, aproximadamente 985 mil hectares foram devastados em território nacional ao longo do último ano. A queda foi observada em todos os biomas brasileiros, incluindo a Amazônia, que apresentou redução de 23,5% no desmatamento em relação a 2024. O resultado reforça o impacto das ações de fiscalização ambiental e do endurecimento no combate à exploração ilegal de madeira.
Mesmo com a melhora nos indicadores, os números ainda preocupam especialistas e organizações ambientais. Somente na Amazônia, a destruição da vegetação continuou em ritmo acelerado, com perdas equivalentes a quase cinco árvores derrubadas por segundo, segundo os dados apresentados pelo monitoramento ambiental.
O coordenador técnico do MapBiomas, Marcos Rosa, afirmou que o fortalecimento das operações de fiscalização teve influência direta na redução registrada em 2025. Segundo ele, aumentaram as ações de embargo, monitoramento e transparência nas autorizações ambientais emitidas pelos órgãos responsáveis.
Outro dado apresentado pelo estudo mostra que 65% das áreas onde houve perda de vegetação receberam algum tipo de ação das autoridades ambientais em 2025. O índice representa um crescimento significativo quando comparado aos anos anteriores. Em 2019, por exemplo, apenas 5% dessas áreas haviam sido alvo de fiscalização efetiva.
Apesar da desaceleração no ritmo do desmatamento, o relatório alerta que o Cerrado continua sendo o bioma mais pressionado do país, concentrando mais da metade da devastação registrada em 2025. O levantamento também aponta que a expansão agropecuária segue como a principal causa da perda de vegetação no Brasil, mantendo o debate ambiental no centro das discussões sobre desenvolvimento econômico e preservação dos biomas nacionais.
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