Região Sudeste
Maricá cria diretoria para avançar na produção de medicamentos, fitoterápicos e cannabis medicinal
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AMAR cria diretoria e Maricá prepara centro de pesquisa para fármacos e cannabis medicinal – Foto: Assessoria
A Companhia Maricá Alimentos (AMAR) passou a contar com uma nova diretoria dedicada ao desenvolvimento de projetos nas áreas farmacêutica, fitoterápica, cosmética e de cannabis medicinal. Anunciada nesta quarta-feira (2), a iniciativa pretende concentrar em uma única estrutura ações de pesquisa, inovação e produção, fortalecendo a cooperação entre o município, universidades, instituições científicas e empresas.
A nova Diretoria de Fármacos, Fitoterápicos, Cosméticos e Cannabis Medicinal também ficará responsável por integrar projetos que já estão sendo desenvolvidos em Maricá. Entre eles está a Farmácia Viva, iniciativa realizada em parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que trabalha com conhecimentos tradicionais e pesquisas científicas voltadas ao aproveitamento de plantas medicinais.
Outro ponto previsto no projeto é a implantação de um centro de pesquisa e desenvolvimento dentro do Parque Tecnológico de Maricá. A estrutura deverá funcionar como espaço para estudos, elaboração de fórmulas, testes e validação de produtos. A intenção é fazer com que pesquisas científicas possam resultar em soluções aplicáveis à saúde da população e, ao mesmo tempo, estimular novas atividades econômicas no município.
A estratégia inclui estudos para o desenvolvimento de xaropes, produtos de origem vegetal, repelentes, cosméticos e soluções relacionadas à cannabis medicinal. Segundo a administração municipal, o objetivo é ampliar as possibilidades de utilização de insumos naturais e tecnologias na saúde pública, criando condições para que Maricá possa, futuramente, consolidar uma cadeia própria de pesquisa e produção.
A criação da diretoria também é apresentada como uma iniciativa voltada à redução da dependência brasileira de insumos farmacêuticos produzidos no exterior. A prefeitura aponta que aproximadamente 90% dos insumos farmacêuticos ativos utilizados pela indústria nacional são importados. Nesse cenário, Maricá pretende contribuir com pesquisas, conhecimento e desenvolvimento tecnológico capazes de fortalecer a produção nacional de medicamentos e outros produtos estratégicos.
Além dos possíveis impactos na saúde, a nova estrutura poderá abrir espaço para agricultores, pesquisadores, universidades, empreendedores e empresas interessados nas cadeias de plantas medicinais, cosméticos e produtos farmacêuticos. Com a participação da Secretaria Municipal de Saúde e do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM), a proposta é transformar conhecimento científico em produtos e oportunidades econômicas, colocando inovação, saúde e desenvolvimento produtivo dentro de uma mesma estratégia municipal.
Região Sudeste
PF encontra mensagens de Cláudio Castro com dono da Refit e aponta possível tratamento privilegiado no Rio
Conversas extraídas do celular do ex-governador mostram contatos diretos com Ricardo Magro Foto: Reprodução/ Acervo Pessoal/ TV Globo
Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro revelaram contatos frequentes com o empresário Ricardo Magro, proprietário da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. O conteúdo aparece nas investigações da Operação Sem Refino e, segundo a PF, indica que a relação entre o então chefe do Executivo fluminense e integrantes do grupo empresarial teria ultrapassado os contatos institucionais normalmente mantidos entre o poder público e representantes do setor privado.
Os diálogos foram mencionados em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou novas diligências, buscas e quebras de sigilo na investigação. Em uma das mensagens destacadas pelos investigadores, Castro escreveu a Magro: “Aqui você tem um amigo. Saiba disso”. Para a PF, o material aponta a existência de um canal direto entre o ex-governador, o empresário e pessoas que atuavam na defesa dos interesses da Refit.
A investigação também identificou conversas entre Castro e o advogado Marcos Joaquim Gonçalves Alves, apontado pela PF como ligado às demandas da empresa. Em uma das ocasiões, o advogado buscava viabilizar uma reunião relacionada à situação fiscal da refinaria. Castro teria respondido que poderia ajudar na articulação e escreveu: “Eu toco por aqui”. Os investigadores analisam se houve atuação pessoal do então governador para facilitar o andamento de assuntos administrativos de interesse do grupo.
Outro ponto levantado pela Polícia Federal envolve uma viagem de Castro a Nova York. Conforme a investigação, Ricardo Magro teria participado da organização de um evento frequentado pelo então governador e atuado na recepção da comitiva durante a passagem pelos Estados Unidos. A PF afirma que a viagem teve patrocínio da Refit e sustenta que as mensagens encontradas posteriormente indicariam uma relação mais próxima entre os dois do que aquela descrita publicamente por Castro após a primeira fase da operação.
De acordo com os investigadores, o conteúdo do celular também mostra acompanhamento de pedidos apresentados pela Refit a órgãos estaduais, articulação de reuniões e consultas sobre a tramitação de processos. A apuração tenta determinar se integrantes do poder público favoreceram a companhia em questões administrativas, tributárias e ambientais. Entre os episódios analisados está a renovação, em 2024, da licença de operação e recuperação da refinaria, aprovada apesar de manifestações contrárias de representantes do Ibama e da Uerj.
As conclusões apresentadas pela Polícia Federal ainda fazem parte de uma investigação e não representam condenação de Cláudio Castro, Ricardo Magro ou dos demais envolvidos. Carlo Luchione, advogado do ex-governador, afirmou que a defesa ainda não teve acesso à íntegra dos dados retirados do telefone e informou que Castro está à disposição da PF para prestar esclarecimentos. A defesa também nega que o ex-governador tenha praticado qualquer ato ilícito. Ricardo Magro teve a prisão preventiva determinada na primeira fase da Operação Sem Refino e, conforme consta na investigação, está foragido e incluído na difusão vermelha da Interpol.
Troca de mensagens de Castro e Magro obtidas pela Polícia Federal — Foto: Reprodução/TV Globo
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