RIO DE JANEIRO

Região Sudeste

“Bolsonaro comandou grupo que afundou o Rio de Janeiro”, afirma deputado Otoni de Paula em ataque duro

Publicados

Região Sudeste

Rio virou ‘narcoestado’ sob influência do grupo de Bolsonaro, diz Otoni de Paula – Foto: Kayo Magalhães/ CdosD

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) elevou o tom ao comentar o cenário político e de segurança pública no Rio de Janeiro, marcando um rompimento definitivo com o grupo liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Antes aliado, o parlamentar agora se define como um bolsonarista arrependido e passou a responsabilizar diretamente o grupo pela crise enfrentada pelo estado.

Em declarações contundentes, Otoni afirmou que o Rio vive um cenário de degradação institucional, com a presença crescente do crime organizado dentro das estruturas públicas. Para ele, a situação ultrapassou os limites da crise e exige medidas mais duras, incluindo a possibilidade de uma intervenção federal para conter o avanço da violência e da corrupção.

O deputado não poupou críticas ao senador Flávio Bolsonaro, a quem acusou de envolvimento em esquemas irregulares. Ele também direcionou ataques diretos ao ex-presidente, afirmando que Bolsonaro teria responsabilidade política sobre o atual quadro do estado, o que aprofundou ainda mais o rompimento entre o parlamentar e o grupo conservador.

Ao relembrar eleições passadas, Otoni revelou arrependimento por ter seguido orientações políticas do ex-presidente. Segundo ele, apoiou nomes indicados por Bolsonaro, como ex-governadores do Rio, sem que houvesse posteriormente qualquer reconhecimento de erros por parte do líder político que, na sua avaliação, falhou em assumir responsabilidades.

Leia Também:  Benedita da Silva destaca investimento de R$ 120 milhões em programa que amplia pesquisa clínica no SUS

O discurso do deputado ganhou ainda mais peso quando ele sugeriu que a família Bolsonaro deveria se afastar das disputas eleitorais no Rio de Janeiro. Para Otoni, a influência do grupo teria contribuído para escolhas políticas equivocadas e para o agravamento da crise de governabilidade no estado.

Em um dos trechos mais fortes de sua fala, o parlamentar classificou o Rio de Janeiro como um “narcoestado”, indicando que organizações criminosas teriam avançado sobre setores estratégicos da administração pública. A declaração reforça a percepção de que o problema da segurança vai além das ruas e alcança o núcleo das instituições.

Otoni também questionou a condução de operações policiais recentes, levantando suspeitas sobre possíveis vazamentos de informações e motivações políticas. Segundo ele, algumas ações teriam sido comprometidas por antecipação de dados, o que permitiu a fuga de alvos antes das investigações serem concluídas.

Apesar de defender o enfrentamento ao crime, o deputado fez ressalvas quanto à atuação das forças de segurança, criticando possíveis excessos. Ele destacou que o combate à criminalidade deve respeitar os limites legais e não pode se transformar em justiça pelas próprias mãos, sob risco de agravar ainda mais a crise institucional.

Leia Também:  Cármen Lúcia acompanha Moraes e amplia votos pela condenação de Eduardo Bolsonaro

No campo político, Otoni surpreendeu ao declarar apoio ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), para uma eventual disputa ao governo estadual. Mesmo sendo aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Paes foi apontado pelo deputado como uma alternativa viável diante do atual cenário, o que evidencia um reposicionamento estratégico.

Em nível nacional, o parlamentar afirmou manter apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, embora discorde de pautas como a anistia ampla aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Otoni também avaliou o governo Lula de forma ambígua, criticando a condução econômica, mas reconhecendo aspectos positivos na postura política do presidente.

Ao longo de suas declarações, o deputado reforçou que está em processo de reconstrução de sua identidade política, adotando uma postura mais crítica tanto em relação à direita quanto à esquerda. O novo posicionamento, segundo ele, busca dialogar com um eleitorado mais amplo, em meio a um cenário de forte polarização no país. As informações e do BBC News Brasil

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Região Sudeste

Cármen Lúcia acompanha Moraes e amplia votos pela condenação de Eduardo Bolsonaro

Publicados

em

Caso envolve difamação contra Tabata Amaral em publicações sobre projeto de lei – Foto: Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, votou pela condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro a um ano de detenção pelo crime de difamação contra a deputada Tabata Amaral. O julgamento ocorre no plenário virtual da Primeira Turma da Corte e ainda está em andamento.

Com o voto de Cármen Lúcia, o placar parcial chegou a dois votos favoráveis à condenação. A ministra acompanhou o entendimento do relator, Alexandre de Moraes, que considerou que as declarações feitas por Eduardo Bolsonaro configuraram ataque à reputação da parlamentar.

Segundo Moraes, as publicações questionadas tratavam de um projeto apresentado por Tabata Amaral sobre a distribuição de absorventes em espaços públicos. Para o relator, o ex-deputado atribuiu à proposta uma finalidade irregular, sugerindo benefício indevido a terceiros, o que caracteriza difamação.

O ministro destacou ainda que houve intenção clara de atingir a honra da deputada, com uso de estratégias consideradas enganosas na divulgação das informações. Na avaliação dele, tanto a materialidade quanto a autoria do crime estão comprovadas no processo.

Leia Também:  Cármen Lúcia acompanha Moraes e amplia votos pela condenação de Eduardo Bolsonaro

De acordo com o voto, Eduardo Bolsonaro agiu de forma consciente ao publicar o conteúdo e assumiu a responsabilidade pelas declarações. Moraes ressaltou que o próprio ex-parlamentar afirmou não confiar em mecanismos tradicionais de verificação de informações.

A pena proposta inclui um ano de detenção em regime inicial aberto, além do pagamento de 39 dias-multa, com valor equivalente a dois salários mínimos por dia. O relator também apontou que, por o réu estar em local incerto, não é possível a substituição da pena por medidas alternativas.

O julgamento deve ser concluído nos próximos dias e ainda conta com os votos dos ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino, que integram a Primeira Turma do STF.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

TUDO SOBRE POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

GERAL

MAIS LIDAS DA SEMANA