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Deputados acionam PGE e pedem investigação contra Nikolas Ferreira por suposto uso de documento falso da PF

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Representação apresentada por parlamentares pede abertura de AIJE e cita possível uso indevido das redes sociais – Foto: Kayo Magalhães/ CdosD

Os deputados federais Rogério Correia (PT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Alencar Santana (PT-SP) apresentaram à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) uma representação contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), candidato à reeleição. Os parlamentares pedem a abertura de procedimento preparatório e, posteriormente, de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). A denúncia sustenta que Nikolas teria divulgado em suas redes sociais um documento falsamente atribuído à Polícia Federal para rebater informações envolvendo conversas mantidas com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O episódio ganhou repercussão após a divulgação de mensagens e áudios atribuídos a Nikolas e Vorcaro, extraídos do celular do empresário apreendido durante a Operação Compliance Zero. Segundo a representação, o conteúdo das conversas envolve pedidos de intermediação relacionados à liberação de um ativo minerário e a aproximação entre o empresário e um ex-assessor do deputado. Em meio à repercussão do caso, passou a circular nas redes uma imagem apresentada como se fosse parte de um relatório da Polícia Federal, afirmando que não existiriam indícios de crime na atuação do parlamentar.

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A autenticidade do material, entretanto, foi contestada pela própria Polícia Federal. De acordo com a denúncia encaminhada à PGE, a corporação negou ter produzido a análise ou emitido a conclusão apresentada na imagem. Um laudo técnico anexado à representação também aponta uma série de inconsistências entre o documento divulgado nas redes e um relatório verdadeiro da PF, de 218 páginas, relacionado ao caso e tornado público em processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre as divergências apontadas estão diferenças na numeração das páginas, nas datas atribuídas às conversas e na própria estrutura utilizada no suposto relatório. A análise também destaca a ausência de elementos normalmente encontrados em documentos oficiais, como identificação do procedimento, assinatura, matrícula de servidor e código de verificação. Conforme a representação, a imagem começou a circular inicialmente em perfis de apoio e, posteriormente, foi compartilhada nos perfis oficiais de Nikolas Ferreira no Instagram e no X, ampliando significativamente o alcance da publicação.

Nikolas afirmou publicamente que não sabia que o documento seria falso, sustentou que apenas compartilhou uma publicação feita por terceiros e informou ter retirado o conteúdo de suas redes sociais. Os autores da representação, porém, argumentam que candidatos têm obrigação de verificar a autenticidade das informações divulgadas em seus canais de campanha. Eles também alegam que o relatório verdadeiro da Polícia Federal já estava disponível publicamente antes do episódio e que o próprio parlamentar havia comentado informações relacionadas ao documento em conteúdos publicados anteriormente.

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Com base no artigo 22 da Lei Complementar nº 64/1990, os deputados pedem que o caso seja analisado pela Justiça Eleitoral sob a hipótese de uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder político. A representação solicita, em eventual condenação, medidas que podem incluir cassação do registro ou diploma e inelegibilidade por oito anos. Os parlamentares também requerem investigação na esfera criminal por possíveis delitos relacionados à falsificação e ao uso de documento falso e à divulgação de informações inverídicas no período eleitoral. Como Nikolas Ferreira possui foro por prerrogativa de função, a eventual apuração criminal deverá observar a competência do Supremo Tribunal Federal.

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Em meio à tensão no STF, Flávio Dino denuncia exploração eleitoral da crise e cita Bíblia: “Pai da mentira”

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Dino pede defesa da institucionalidade e alerta para mistura entre política, interesses econômicos e “mentiras” – Gustavo Moreno/ STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a se manifestar sobre a crise que atinge a Corte e criticou a tentativa de transformar os problemas enfrentados pelo Judiciário em instrumento da disputa eleitoral. Segundo o magistrado, questões que considera sérias estão sendo colocadas no mesmo debate que interesses políticos, econômicos, estrangeiros e conflitos pessoais.

A declaração ocorre em um momento de forte tensão dentro do Supremo, especialmente após os desdobramentos envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o confronto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. A disputa ganhou novos contornos depois que Moraes pediu apuração contra Mendonça por suposto abuso de autoridade, enquanto Mendonça levantou questionamentos sobre a possibilidade de investigação envolvendo Moraes e suas supostas relações com Vorcaro.

Ao abordar o cenário, Dino afirmou que a verdade estaria sendo prejudicada pelo ambiente de confronto e pela exploração política do episódio. O ministro sustentou que o debate sobre o funcionamento do Judiciário precisa ocorrer com responsabilidade e sem ser condicionado pelas eleições. A crise também passou a integrar o discurso de candidatos à Presidência, entre eles Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), que intensificaram críticas à atuação de integrantes do Supremo.

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Dino também respondeu aos questionamentos sobre o elevado número de decisões monocráticas tomadas pelos ministros. Para ele, decisões individuais são necessárias diante da quantidade de processos e da existência de entendimentos jurídicos já consolidados. O magistrado argumentou que obrigar turmas ou o plenário a analisar todas as matérias, inclusive aquelas com jurisprudência definida, poderia aumentar a demora na prestação jurisdicional e reduzir a capacidade de julgamento da Corte.

Outro assunto levantado pelo ministro foi a proposta de retirar do STF parte de sua competência na área criminal. Dino afirmou que qualquer mudança dessa natureza não pode ser feita de maneira isolada, uma vez que seria necessário definir quais órgãos passariam a assumir esses processos. Na avaliação dele, alterações nas atribuições constitucionais do Supremo deveriam integrar uma reforma planejada e mais ampla da estrutura do Poder Judiciário.

A duração dos inquéritos em andamento no Supremo também entrou na manifestação. Dino disse ser favorável à conclusão das investigações, seja com apresentação de ações penais, seja com os arquivamentos considerados juridicamente cabíveis. Apesar disso, questionou a adoção apenas do tempo de tramitação como justificativa para encerrar procedimentos e defendeu que qualquer decisão nesse sentido seja fundamentada na legislação, no regimento da Corte e nos prazos prescricionais.

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As declarações surgem enquanto o presidente do STF, Edson Fachin, tenta administrar as divergências internas e integrantes da Corte discutem possíveis mudanças no funcionamento do tribunal. O caso Banco Master ampliou as tensões entre ministros, enquanto propostas relacionadas às investigações e à atuação de servidores e agentes de órgãos de segurança nos gabinetes passaram a fazer parte das discussões internas.

No encerramento de sua manifestação, Flávio Dino reforçou que as instituições não deveriam ser submetidas aos interesses circunstanciais da campanha eleitoral. Para enfatizar sua crítica à disseminação de informações falsas, o ministro fez referência ao Evangelho de São João e afirmou que o “DIABO é o ‘pai da mentira’”. Para Dino, as controvérsias envolvendo o Supremo precisam ser enfrentadas com base em critérios institucionais e jurídicos, sem que disputas eleitorais determinem os rumos do debate sobre a Corte.

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