Região Centro-oeste
Crise no BRB: governadora Celina Leão afasta dirigentes após suspeitas de fraude bilionária envolvendo Banco Master
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Relatório técnico leva ao afastamento de dirigentes do BRB em meio à crise financeira – Foto: Luh Fiuza/ VGDF
A crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) ganhou um novo capítulo após a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), determinar o afastamento de dirigentes citados em um relatório técnico que investiga a compra de carteiras consideradas fraudulentas do Banco Master. A decisão ocorre em meio à crescente pressão sobre a gestão da instituição financeira pública.
O afastamento foi motivado pela conclusão de uma auditoria independente contratada pelo próprio BRB, que buscou identificar possíveis irregularidades na operação. O trabalho foi conduzido pelo escritório Machado Meyer Advogados, com apoio técnico da Kroll Associates Brasil, mas os nomes dos envolvidos seguem sob sigilo.
A operação sob suspeita teria provocado um forte impacto nas contas do banco, agravando sua situação financeira. Informações apontam que o BRB enfrenta um problema de liquidez significativo, com necessidade de cerca de R$ 8,8 bilhões em aporte para recompor seu capital.
Diante da gravidade do cenário, o governo do Distrito Federal afirmou que o afastamento tem caráter preventivo, com o objetivo de garantir transparência e independência nas investigações. A gestão destacou ainda que a medida não representa julgamento antecipado dos dirigentes envolvidos.
Apesar disso, o caso levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle interno e governança do banco, já que a operação suspeita teria passado por validações internas antes de ser concretizada. A suspeita é de que ativos sem lastro adequado tenham sido incorporados à carteira da instituição.
O episódio também amplia a pressão política sobre a administração do BRB, uma das principais instituições financeiras públicas do Distrito Federal. O impacto bilionário e o risco à estabilidade do banco colocam o caso no centro do debate sobre responsabilidade na gestão de recursos públicos.
Com o afastamento dos dirigentes, o caso entra em uma nova fase, marcada pela expectativa de responsabilização dos envolvidos e pela necessidade de restaurar a confiança na instituição. As investigações devem avançar nos próximos meses, com possíveis desdobramentos tanto na esfera administrativa quanto judicial.
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Ministro Flávio Dino libera à Polícia Federal dados de operação que atingiu produtora de filme sobre Bolsonaro
Ministro autorizou investigadores a acessarem materiais apreendidos em ação contra produtora e entidades ligadas ao longa “Dark Horse” – Foto: Gustavo Moreno/ STF
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a utilizar informações e documentos recolhidos durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo que teve entre os alvos a produtora Karina Ferreira da Gama. Ela está envolvida na produção de “Dark Horse”, filme que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi tomada após solicitação da PF, que investiga a possível utilização de recursos provenientes de emendas parlamentares no projeto cinematográfico.
A investigação paulista, realizada em junho, alcançou Karina, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção do longa. As buscas ocorreram tanto nas sedes das organizações quanto em dois imóveis residenciais relacionados à produtora.
Apesar de a apuração conduzida pela Polícia Civil ter origem diferente da investigação federal, o material apreendido poderá agora ser analisado pelos agentes da PF. Os investigadores buscam identificar a movimentação dos recursos e esclarecer se dinheiro público destinado a entidades vinculadas ao projeto acabou sendo empregado, direta ou indiretamente, na realização do filme.
Em São Paulo, a investigação apura suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos relacionados a um contrato celebrado entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo. Foi justamente no decorrer dessa operação que documentos, equipamentos e outros dados de interesse investigativo foram recolhidos e passaram a despertar a atenção da Polícia Federal.
Outro ponto sob análise envolve emendas parlamentares encaminhadas para organizações relacionadas ao caso. Cinco parlamentares aparecem no contexto da apuração, entre eles o deputado federal Mário Frias, que destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil em 2024. A PF procura estabelecer o caminho percorrido pelo dinheiro e verificar se houve alguma ligação entre esses recursos e os custos da produção cinematográfica.
Com a autorização de Dino, a Polícia Federal passa a contar com um volume maior de informações para confrontar documentos, transações e demais elementos já reunidos no inquérito. Mário Frias, por sua vez, declarou em maio que as emendas de sua autoria destinadas ao Instituto Conhecer Brasil não tiveram como finalidade financiar “Dark Horse”. A investigação deverá determinar se houve ou não emprego de recursos públicos na produção do filme sobre Bolsonaro.
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