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Senador Bolsonarista Rogério Marinho pede vista e impede avanço imediato da PEC que prevê fim da escala 6×1 na CCJ

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Proposta reduz jornada semanal para 40 horas, estabelece dois dias de descanso e mantém salários; análise deve ser retomada no Senado –  Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende encerrar a escala de trabalho 6×1 foi interrompida nesta quarta-feira (2) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A votação acabou adiada depois que o senador Rogério Marinho (PL-RN) apresentou um pedido de vista durante a discussão da matéria.

Marinho, que atua como coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, pediu mais tempo para examinar a proposta. A iniciativa ocorre em meio à estratégia da oposição de tentar frear o avanço do texto no Senado. Diante da solicitação, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), concedeu vista pelo período de uma hora antes da continuidade da análise.

A PEC está sob relatoria do senador Omar Aziz (PSD-AM), que decidiu manter integralmente o conteúdo aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados. Entre as principais mudanças está a redução da jornada semanal das atuais 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários, além da garantia de pelo menos dois dias de descanso a cada semana.

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Pelo texto em discussão, permanece o teto de oito horas de trabalho por dia. A proposta determina ainda que uma das folgas seja concedida preferencialmente aos domingos. Caso a PEC seja definitivamente aprovada e promulgada, a regra que assegura dois dias semanais de repouso deverá começar a valer 60 dias depois da promulgação.

A mudança completa para as 40 horas semanais, no entanto, ocorreria de maneira gradual. Durante a primeira etapa da transição, prevista para até dois meses, a carga de trabalho seria reduzida para 42 horas semanais, já acompanhada dos dois dias de folga. No prazo máximo de um ano, a jornada passaria definitivamente para 40 horas por semana.

Em seu parecer, Omar Aziz argumenta que a alteração representa uma medida de justiça social e trabalhista. O senador destaca que a jornada de 44 horas semanais permanece praticamente inalterada há cerca de três décadas e utiliza dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para sustentar que jornadas mais extensas atingem principalmente trabalhadores de baixa renda e com menor nível de escolaridade.

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Para Aziz, a distribuição das jornadas prolongadas no mercado de trabalho não ocorre de maneira uniforme e afeta de forma mais intensa justamente as parcelas economicamente mais vulneráveis da população. Com esse argumento, o relator defende que a redução da carga semanal não deve ser tratada apenas como uma mudança na legislação trabalhista, mas também como uma iniciativa voltada à diminuição das desigualdades.

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Deputados da bancada de esquerda aciona Fachin e cobra do STF fim do sigilo sobre caso Dark Horse envolvendo Flávio Bolsonaro

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Deputados questionam tratamento dado por André Mendonça às investigações e pedem que PGR avalie possível suspeição do ministro – Foto: Gabriel Paiva

Deputados federais de PT, PCdoB, PSOL e Rede recorreram nesta quarta-feira (2) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para tentar levar ao Plenário da Corte a discussão sobre o sigilo das investigações relacionadas ao caso Dark Horse. Os procedimentos citados pelos parlamentares alcançam o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e tratam de repasses atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para a produção de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).

Na petição encaminhada ao comando do Supremo, os deputados questionam a condução do ministro André Mendonça, relator dos procedimentos. O principal argumento apresentado é de que investigações sob responsabilidade do magistrado teriam recebido tratamentos diferentes em relação à divulgação pública das informações, circunstância que, segundo os autores, precisa ser analisada pela Corte.

Os parlamentares citam como comparação procedimentos envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e informações relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes que tiveram conteúdo tornado público. Em sentido contrário, afirmam que três investigações ligadas a Flávio Bolsonaro continuam protegidas por sigilo. Para os deputados, o Supremo deveria adotar parâmetros uniformes sobre a publicidade dos casos, sobretudo em período eleitoral.

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Outro ponto incluído na representação diz respeito às informações divulgadas nesta quarta-feira sobre um suposto encontro reservado entre André Mendonça e Daniel Vorcaro. Conforme reportagens mencionadas pelos deputados, o encontro teria ocorrido em março de 2025, em um endereço privado na cidade de São Paulo, e teria durado aproximadamente duas horas.

A petição destaca que, naquele período, o Banco Master já enfrentava dificuldades perante o Banco Central. Apesar de incorporar o episódio aos argumentos apresentados ao STF, os parlamentares reconhecem expressamente que não conseguiram verificar de maneira independente a autenticidade do material utilizado como referência. Ainda assim, sustentam que as circunstâncias precisam ser devidamente esclarecidas caso o encontro seja confirmado.

Para os deputados, a combinação entre a alegada diferença de tratamento das investigações e as informações sobre o encontro com Vorcaro justificaria uma análise mais aprofundada sobre a atuação do relator. A representação afirma que esses elementos poderiam suscitar questionamentos objetivos sobre a imparcialidade de André Mendonça na condução dos procedimentos relacionados ao caso.

Além de solicitar que o Plenário determine o levantamento do sigilo das investigações do Dark Horse, os parlamentares querem que Fachin encaminhe as informações à Procuradoria-Geral da República (PGR). Caberia então ao órgão avaliar a necessidade de providências, incluindo uma eventual arguição de suspeição do ministro e a apuração dos contatos que teriam ocorrido entre Mendonça e Daniel Vorcaro.

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O documento também registra que os deputados poderão apresentar diretamente um pedido de suspeição caso entendam que a diferença de tratamento entre os procedimentos permaneça após uma manifestação do Plenário. A petição solicita que a controvérsia seja analisada já na primeira sessão presencial do STF e pede, paralelamente, que André Mendonça reavalie de imediato a decisão de manter sob sigilo as investigações relacionadas ao caso Dark Horse.

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