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CCJ do Senado aprova fim da escala 6×1 e redução gradual da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem corte nos salários
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PEC avança para o plenário após votação na comissão e prevê transição sem redução salarial, além da garantia de dois dias de descanso – Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deu aval, nesta quarta-feira (2), à proposta que altera as regras da jornada de trabalho no país e abre caminho para o fim da tradicional escala 6×1. A PEC 221/2019 foi aprovada em votação simbólica e estabelece a redução progressiva do limite semanal das atuais 44 para 40 horas, sem qualquer corte nos salários dos trabalhadores.
A aprovação ocorreu com ampla maioria entre os integrantes da comissão. Segundo o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), apenas quatro dos 27 parlamentares presentes se posicionaram contra a matéria. Superada essa etapa, o texto segue para análise do plenário do Senado, onde precisará alcançar pelo menos 49 votos favoráveis, dos 81 senadores, em cada um dos dois turnos de votação exigidos para uma mudança constitucional.
A expectativa é de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tente acelerar a análise da proposta ainda nesta quarta-feira. Para que a PEC possa entrar imediatamente na pauta do plenário, os senadores terão de aprovar um regime especial de tramitação, permitindo que algumas etapas regimentais sejam abreviadas.
O debate na CCJ também foi marcado por divergências entre governistas e integrantes da oposição. Parlamentares oposicionistas defenderam a inclusão de uma proposta alternativa que autorizaria maior flexibilidade nas relações de trabalho e remuneração calculada de acordo com as horas efetivamente trabalhadas. A mudança poderia permitir, em determinadas situações, a continuidade da escala 6×1 e jornadas superiores ao novo teto de 40 horas.
Relator da matéria, o senador Omar Aziz (PSD-AM) rejeitou a tentativa de anexar a proposta alternativa e também não acolheu outras 35 emendas apresentadas durante a tramitação. Para Aziz, permitir negociações individuais com pagamento por hora poderia reduzir a proteção garantida aos trabalhadores pela Constituição. Durante a discussão, o senador também afirmou que acordos individuais podem colocar empregados em situação de pressão diante dos empregadores.
Pelo cronograma previsto na PEC, a mudança não acontecerá de forma imediata. Após 60 dias da promulgação da emenda constitucional, a jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais, com garantia de dois dias de descanso remunerado. Passados 12 meses dessa primeira etapa, o limite será reduzido definitivamente para 40 horas por semana, mantendo-se os salários dos trabalhadores.
A proposta, que passou anteriormente pela Câmara dos Deputados, reúne iniciativas apresentadas pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Além da jornada máxima de 40 horas semanais e oito horas diárias, o texto assegura dois dias de repouso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. A regra tende a ampliar a adoção do modelo 5×2, embora não determine que as duas folgas ocorram obrigatoriamente em dias consecutivos.
A PEC ainda permite regras diferenciadas para atividades submetidas a escalas especiais, como o regime 12×36, além de setores essenciais, entre eles saúde, segurança, transporte e limpeza urbana. A compensação poderá ser definida por acordos e convenções coletivas, desde que seja preservada, na média mensal, a garantia dos períodos de descanso. Direitos como 13º salário, férias com adicional de um terço, FGTS, licenças, horas extras e demais garantias trabalhistas permanecem preservados. Já profissionais classificados como hipersuficientes poderão negociar condições específicas, mas continuarão com direito a dois dias de descanso semanal remunerado.
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Deputados da bancada de esquerda aciona Fachin e cobra do STF fim do sigilo sobre caso Dark Horse envolvendo Flávio Bolsonaro
Deputados questionam tratamento dado por André Mendonça às investigações e pedem que PGR avalie possível suspeição do ministro – Foto: Gabriel Paiva
Deputados federais de PT, PCdoB, PSOL e Rede recorreram nesta quarta-feira (2) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para tentar levar ao Plenário da Corte a discussão sobre o sigilo das investigações relacionadas ao caso Dark Horse. Os procedimentos citados pelos parlamentares alcançam o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e tratam de repasses atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para a produção de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).
Na petição encaminhada ao comando do Supremo, os deputados questionam a condução do ministro André Mendonça, relator dos procedimentos. O principal argumento apresentado é de que investigações sob responsabilidade do magistrado teriam recebido tratamentos diferentes em relação à divulgação pública das informações, circunstância que, segundo os autores, precisa ser analisada pela Corte.
Os parlamentares citam como comparação procedimentos envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e informações relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes que tiveram conteúdo tornado público. Em sentido contrário, afirmam que três investigações ligadas a Flávio Bolsonaro continuam protegidas por sigilo. Para os deputados, o Supremo deveria adotar parâmetros uniformes sobre a publicidade dos casos, sobretudo em período eleitoral.
Outro ponto incluído na representação diz respeito às informações divulgadas nesta quarta-feira sobre um suposto encontro reservado entre André Mendonça e Daniel Vorcaro. Conforme reportagens mencionadas pelos deputados, o encontro teria ocorrido em março de 2025, em um endereço privado na cidade de São Paulo, e teria durado aproximadamente duas horas.
A petição destaca que, naquele período, o Banco Master já enfrentava dificuldades perante o Banco Central. Apesar de incorporar o episódio aos argumentos apresentados ao STF, os parlamentares reconhecem expressamente que não conseguiram verificar de maneira independente a autenticidade do material utilizado como referência. Ainda assim, sustentam que as circunstâncias precisam ser devidamente esclarecidas caso o encontro seja confirmado.
Para os deputados, a combinação entre a alegada diferença de tratamento das investigações e as informações sobre o encontro com Vorcaro justificaria uma análise mais aprofundada sobre a atuação do relator. A representação afirma que esses elementos poderiam suscitar questionamentos objetivos sobre a imparcialidade de André Mendonça na condução dos procedimentos relacionados ao caso.
Além de solicitar que o Plenário determine o levantamento do sigilo das investigações do Dark Horse, os parlamentares querem que Fachin encaminhe as informações à Procuradoria-Geral da República (PGR). Caberia então ao órgão avaliar a necessidade de providências, incluindo uma eventual arguição de suspeição do ministro e a apuração dos contatos que teriam ocorrido entre Mendonça e Daniel Vorcaro.
O documento também registra que os deputados poderão apresentar diretamente um pedido de suspeição caso entendam que a diferença de tratamento entre os procedimentos permaneça após uma manifestação do Plenário. A petição solicita que a controvérsia seja analisada já na primeira sessão presencial do STF e pede, paralelamente, que André Mendonça reavalie de imediato a decisão de manter sob sigilo as investigações relacionadas ao caso Dark Horse.
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