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Seguindo os passos do pai, senador Flávio Bolsonaro volta a levantar dúvidas sobre urnas em encontro com embaixadores
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Senador participou de encontro com diplomatas em Brasília e citou relatórios divulgados pelo governo dos Estados Unidos – Foto: Carlos Moura/ Agência Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato do partido à Presidência da República, voltou a abordar o debate sobre o sistema eleitoral brasileiro durante um encontro com representantes diplomáticos estrangeiros realizado em Brasília. A declaração ocorreu em um evento voltado à discussão de temas políticos e econômicos relacionados ao Brasil.
A participação do parlamentar aconteceu durante o “Debating Brazil”, iniciativa promovida pela agência Novo Selo Comunicação em parceria com o jornal The Brazilian Report. O encontro reuniu embaixadores e integrantes do corpo diplomático para discutir diferentes assuntos ligados ao cenário nacional.
Ao responder perguntas dos participantes, Flávio mencionou documentos da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), divulgados recentemente pelo governo do presidente Donald Trump. Segundo ele, os relatórios apontariam que governos da Venezuela tiveram condições de interferir em sistemas eletrônicos de votação utilizados naquele país.
Durante a exposição, o senador afirmou que parte das tecnologias empregadas em processos eleitorais teria origem semelhante à de uma empresa citada nos documentos. A declaração foi feita ao comentar a importância de acompanhar os avanços tecnológicos e garantir mecanismos de fiscalização durante as eleições.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no entanto, já esclareceu em ocasiões anteriores que a empresa Smartmatic, responsável pelos equipamentos utilizados nas eleições venezuelanas, não participa do sistema eletrônico de votação brasileiro. Conforme a Corte, as urnas utilizadas no Brasil possuem desenvolvimento, software e fiscalização próprios.
Ainda segundo o TSE, a Smartmatic participou de uma licitação para fabricação de urnas eletrônicas em 2020, mas não venceu o processo. A empresa teve contratos apenas para serviços de suporte técnico e conexão de dados, sem qualquer participação na produção ou operação das urnas utilizadas nas eleições brasileiras.
Após citar os documentos da CIA, Flávio Bolsonaro afirmou que não estava colocando em dúvida o sistema eleitoral brasileiro. O senador defendeu que organismos internacionais enviem o maior número possível de observadores para acompanhar o processo eleitoral, classificando a medida como um reforço à transparência das eleições.
As declarações voltaram a estabelecer paralelos com o episódio ocorrido em 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro reuniu embaixadores no Palácio da Alvorada para apresentar críticas ao sistema eleitoral. No ano seguinte, o Tribunal Superior Eleitoral considerou que aquele encontro configurou abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, decisão que tornou o ex-presidente inelegível por oito anos.
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Após declarações de Flávio Bolsonaro, ministros do TSE citam precedente de cassação e inelegibilidade por fake news eleitoral
Declarações do senador durante encontro com embaixadores reacendem discussão sobre decisões da Justiça Eleitoral – Foto: Reprodução/ YT
A repercussão das declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), feitas durante um encontro com embaixadores estrangeiros em Brasília, chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Integrantes da Corte passaram a relembrar um dos julgamentos mais importantes da história recente da Justiça Eleitoral, considerado o marco para a responsabilização de agentes públicos que propagam informações falsas sobre o sistema eletrônico de votação.
Durante o evento, o parlamentar voltou a levantar questionamentos sobre as urnas eletrônicas e mencionou a empresa venezuelana Smartmatic, sugerindo uma ligação entre a companhia e o sistema utilizado nas eleições brasileiras. A informação, entretanto, já foi desmentida oficialmente pelo TSE em diversas oportunidades, que afirma que a empresa nunca forneceu urnas eletrônicas para o Brasil.
As declarações ocorreram diante de representantes diplomáticos de dezenas de países e seguiram uma linha semelhante à adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em reunião com embaixadores realizada em 2022. Na ocasião, o então chefe do Executivo também apresentou críticas ao sistema eleitoral brasileiro e levantou suspeitas sobre a segurança das eleições sem apresentar provas.
Nos bastidores do TSE, ministros avaliam que o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro guarda semelhanças com o caso do ex-deputado estadual Fernando Francischini, cuja cassação, em 2021, inaugurou uma nova interpretação da Justiça Eleitoral sobre a disseminação de desinformação relacionada ao processo eleitoral.
Naquele julgamento, o tribunal entendeu que a divulgação deliberada de informações falsas capazes de comprometer a confiança pública nas eleições poderia configurar abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação. A decisão resultou na perda do mandato de Francischini e na sua inelegibilidade por oito anos.
O caso teve origem em uma transmissão ao vivo realizada pelo então deputado durante o segundo turno das eleições de 2018. Na ocasião, ele afirmou, sem apresentar qualquer prova, que urnas eletrônicas estariam impedindo o registro de votos para Jair Bolsonaro, alegações posteriormente consideradas falsas pela Justiça Eleitoral.
A decisão do TSE passou a ser vista como um divisor de águas na atuação da Corte contra campanhas de desinformação eleitoral. O entendimento firmado naquele julgamento serviu, posteriormente, como um dos fundamentos jurídicos utilizados na ação que declarou Jair Bolsonaro inelegível por oito anos em 2023.
Apesar das semelhanças entre os episódios, integrantes do tribunal destacam que existem diferenças relevantes. No caso envolvendo o ex-presidente, a Corte considerou que houve também abuso de poder político, já que a reunião com diplomatas ocorreu em uma estrutura oficial da Presidência da República, com utilização de recursos públicos e transmissão pelos canais institucionais do governo federal.
Em relação às declarações de Flávio Bolsonaro, não existe, até o momento, qualquer processo aberto na Justiça Eleitoral. A eventual abertura de investigação dependerá de iniciativa de partidos políticos, candidatos ou do Ministério Público Eleitoral, que poderão avaliar se houve violação à legislação eleitoral ou abuso passível de responsabilização.
Durante sua participação no seminário, o senador afirmou que não pretendia colocar em dúvida o sistema eleitoral brasileiro, mas defendeu a presença de observadores internacionais nas próximas eleições. O encontro reuniu representantes diplomáticos de mais de 40 países e foi promovido pela Novo Selo Comunicação em parceria com o jornal The Brazilian Report, tendo como foco debates sobre o cenário político e institucional do Brasil.
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