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Planilhas apreendidas pela PF colocam Alexandre Ramagem no centro de investigação sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro

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Ex-deputado federal aparece em registros analisados pela PF durante nova fase da Operação Unha e Carne – Crédito: Gustavo Moreno/ STF

A Polícia Federal identificou o nome do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) em planilhas apreendidas durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro associado à cúpula do jogo do bicho e possíveis ligações com agentes públicos do estado do Rio de Janeiro. Embora Ramagem não tenha sido alvo das medidas cumpridas nesta etapa da operação, ele figura entre os nomes que passaram a ser analisados pelos investigadores.

Segundo informações da investigação, os documentos apreendidos contêm registros de movimentações financeiras que podem estar relacionadas ao pagamento de vantagens indevidas e ao financiamento de atividades ilícitas. Um dos arquivos, identificado como “planilha 2”, traz quatro anotações atribuídas ao ex-parlamentar, identificado nos registros como “DEP RAMAGEM” e “DEP ALEXANDRE RAMAGEM”.

Os lançamentos apontam valores de R$ 39.708,00, R$ 30 mil, R$ 18.100,00 e R$ 22.080,00, registrados em diferentes datas do mês de setembro. As planilhas, entretanto, não informam o ano em que os supostos pagamentos teriam ocorrido, nem apresentam detalhes sobre a origem dos recursos ou a finalidade das movimentações, aspectos que seguem sob apuração da Polícia Federal.

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De acordo com os investigadores, o material apreendido reúne anotações que podem indicar pagamentos irregulares, doações eleitorais e outras operações financeiras consideradas suspeitas. A PF informou que a documentação ainda está sendo periciada e que novas diligências serão realizadas para verificar a autenticidade dos registros e identificar eventuais responsabilidades.

Alexandre Ramagem, que comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro, também enfrenta outros desdobramentos na esfera judicial. Após perder o mandato de deputado federal em decorrência de condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ele deixou o Brasil e atualmente permanece nos Estados Unidos, onde aguarda a análise de um pedido de asilo político enquanto responde a um processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro.

Além de Ramagem, o nome do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), também aparece nas planilhas apreendidas pela Polícia Federal. A defesa de Castro afirmou, por meio de nota, que a simples menção ao seu nome nos documentos não comprova qualquer recebimento de recursos ou prática de irregularidade, classificando como infundadas as interpretações que associem o ex-governador a atos ilícitos.

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A quinta fase da Operação Unha e Carne também resultou na prisão preventiva do pastor e empresário Márcio Poncio, localizado em um flat na Barra da Tijuca. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, ainda foram expedidos mandados de prisão contra Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como líder da organização investigada, e contra o ex-deputado Rodrigo Bacellar, ambos já custodiados em decorrência de fases anteriores da operação. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões.

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa investigada controlaria um amplo esquema de comercialização de cigarros falsificados e lavagem de dinheiro no estado do Rio de Janeiro, causando prejuízos bilionários aos cofres públicos por meio da sonegação de impostos. A corporação afirma que as investigações continuam para esclarecer a possível participação de agentes públicos e identificar todos os envolvidos, enquanto as defesas dos citados negam a prática de qualquer irregularidade. As informações são da coluna do jornalista Octavio Guedes, no G1.

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Ministro Alexandre de Moraes determina apreensão de armas, cancela registro de CAC e mantém Bolsonaro em prisão domiciliar

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Decisão do ministro do STF estabelece prazo para entrega do armamento à PF, revoga o porte de arma do ex-presidente

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou a revogação do registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ordenou a apreensão de 11 armas vinculadas ao ex-chefe do Executivo. A decisão também manteve a prisão domiciliar, sem estabelecer um novo prazo para o encerramento da medida, além de fixar 48 horas para que o armamento seja entregue à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.

Além do cancelamento do registro de CAC, Moraes determinou a revogação do porte de arma de Bolsonaro. Entre os itens que deverão ser recolhidos está uma pistola Glock calibre 9 mm, localizada anteriormente com um sargento do Exército durante uma abordagem policial em Brasília, fato que deu origem à investigação.

A relação de armas que deverão ser entregues inclui pistolas, carabinas, fuzis e espingardas, abrangendo equipamentos classificados como de uso permitido e de uso restrito. Segundo a decisão, todo o material deverá permanecer sob custódia da Polícia Federal após o recolhimento.

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O despacho também determina que a Polícia Federal seja comunicada imediatamente para efetivar o cancelamento do porte de arma e do registro de CAC do ex-presidente. A medida faz parte das cautelares impostas no processo em que Bolsonaro responde perante o Supremo Tribunal Federal.

Ao analisar o caso, Alexandre de Moraes acompanhou o entendimento apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que concluiu não haver comprovação de falta grave atribuída diretamente a Bolsonaro no episódio envolvendo a pistola encontrada com o militar. A Polícia Federal chegou à mesma conclusão quanto à inexistência de crime praticado pelo ex-presidente nesse caso específico, embora o sargento investigado tenha sido indiciado.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde março, quando o STF autorizou a substituição do regime por motivos de saúde após um período de internação para tratamento de broncopneumonia. Na ocasião, a decisão teve caráter humanitário e levou em consideração a necessidade de acompanhamento médico contínuo.

Na nova manifestação, Moraes optou por não fixar um prazo para o término da prisão domiciliar e advertiu que qualquer descumprimento das condições impostas ou de outras medidas cautelares poderá resultar na revogação do benefício, com retorno imediato ao regime fechado.

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O ex-presidente também foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. A condenação inclui os crimes de golpe de Estado, liderança de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado, devendo a pena ser cumprida inicialmente em regime fechado.

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