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Operação Rent a Car: Polícia Federal aponta suspeita de que Sóstenes Cavalcante usou verba da Câmara para pagar carro utilizado pela filha

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Deputado também é investigado pela origem de quase R$ 469 mil apreendidos em dinheiro vivo durante operação da Polícia Federal – Foto: Najara Araujo/ CdosD

A Polícia Federal ampliou as investigações envolvendo o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, para apurar um possível uso irregular de recursos públicos destinados ao exercício do mandato parlamentar. O caso faz parte dos desdobramentos da Operação Rent a Car, que investiga um suposto esquema de desvio de verbas públicas relacionadas à locação de veículos.

Segundo informações encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal, os investigadores identificaram indícios de que um automóvel alugado com recursos da cota parlamentar teria sido utilizado pela filha do deputado. A suspeita surgiu após a análise de documentos e registros obtidos ao longo da investigação.

De acordo com a Polícia Federal, um assessor do parlamentar intermediou, em março de 2024, a locação de um veículo que posteriormente foi entregue na residência de Sóstenes Cavalcante. A apuração aponta que o carro, um Corolla Cross, passou a ser utilizado pela filha do deputado, levantando dúvidas sobre a destinação dos recursos públicos empregados no contrato.

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Na avaliação dos investigadores, existem elementos que sugerem que o pagamento do aluguel do automóvel foi realizado com dinheiro da verba parlamentar, benefício que deve ser utilizado exclusivamente para atividades relacionadas ao exercício do mandato legislativo.

A defesa do parlamentar nega qualquer irregularidade. Em nota, a assessoria informou que o veículo é destinado ao uso de Sóstenes Cavalcante, admitindo apenas que, eventualmente, sua filha possa tê-lo utilizado em ocasiões isoladas.

Além da apuração sobre o veículo, a Polícia Federal também continua investigando a origem de R$ 468,7 mil apreendidos em espécie com o deputado durante uma fase anterior da Operação Rent a Car, realizada em dezembro do ano passado. Na época, Sóstenes afirmou que os recursos eram provenientes da venda de um imóvel localizado em Ituiutaba, em Minas Gerais.

Os investigadores, porém, apontam inconsistências na versão apresentada. A análise das etiquetas bancárias encontradas junto ao dinheiro levou à identificação de duas empresas do setor da construção civil e de dois irmãos que passaram a integrar o foco das investigações. A PF também afirma ter encontrado movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo recebimento de recursos públicos e elevados saques em dinheiro.

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Em declarações à imprensa, o deputado voltou a negar qualquer prática ilícita e sustentou que a apreensão está relacionada exclusivamente à negociação do imóvel. Segundo ele, uma das pessoas alvo da operação foi justamente a compradora da propriedade, reiterando que está à disposição das autoridades e afirmando não ter receio do andamento das investigações. Até o momento, não há decisão judicial que atribua responsabilidade criminal ao parlamentar, e o caso segue sob apuração da Polícia Federal.

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PF amplia investigação sobre R$ 468 mil apreendidos com Sóstenes Cavalcante e aponta falhas na versão apresentada pelo deputado

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Novas diligências apontam inconsistências na versão apresentada pelo deputado e aprofundam a apuração sobre a origem de R$ 468 mil – Foto: Bruno Spada/ CdosD

A investigação da Polícia Federal sobre os R$ 468 mil apreendidos em dinheiro vivo em um imóvel vinculado ao deputado federal Sóstenes Cavalcante ganhou novos desdobramentos. Após novas diligências, os investigadores afirmam ter identificado uma estrutura empresarial responsável por movimentações milionárias em espécie, levantando suspeitas sobre a verdadeira origem dos recursos encontrados durante a operação.

De acordo com o relatório da corporação, a apuração avançou a partir da análise das etiquetas bancárias localizadas junto às cédulas apreendidas. O rastreamento permitiu identificar empresas e pessoas que estariam integradas a um complexo sistema financeiro, cuja movimentação chamou a atenção pelo elevado volume de saques em dinheiro e pela forma como os recursos circulavam entre diferentes empresas.

Durante as investigações, a Polícia Federal também apontou divergências entre a versão apresentada pelo parlamentar e os elementos reunidos até o momento. Na ocasião da apreensão, Sóstenes Cavalcante informou que os R$ 468 mil seriam provenientes da venda de um imóvel em Minas Gerais. No entanto, segundo os investigadores, as diligências realizadas até agora não encontraram documentos ou indícios que confirmassem a relação entre o dinheiro apreendido e a suposta negociação imobiliária.

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As apurações passaram então a concentrar esforços em um grupo de empresas do setor da construção civil. Entre elas estão a Ejus Empreendimentos Imobiliários e a Foco Engenharia e Incorporações, que funcionam no mesmo endereço comercial e, segundo a Polícia Federal, fazem parte de uma estrutura empresarial administrada por pessoas ligadas ao mesmo grupo econômico.

Os investigadores destacam que uma das empresas analisadas apresenta características consideradas atípicas para o porte das movimentações financeiras registradas. Conforme o relatório, a empresa não possui funcionários formalmente registrados nem veículos em seu patrimônio, embora tenha realizado operações financeiras de grande volume, circunstância que passou a integrar as linhas de investigação.

Outro ponto que chamou a atenção da Polícia Federal foi o volume de dinheiro retirado diretamente das instituições financeiras. Somente nas duas empresas inicialmente analisadas foram identificados 22 saques que totalizam aproximadamente R$ 4,7 milhões. Com a ampliação da investigação para todo o grupo empresarial, esse número subiu para 81 retiradas em espécie, alcançando mais de R$ 15,5 milhões.

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Segundo os investigadores, a repetição das operações, a concentração dos saques em poucas pessoas e a elevada quantia movimentada reforçam a necessidade de aprofundar a análise sobre a origem dos recursos. A principal hipótese em apuração é que a estrutura empresarial possa ter sido utilizada para dificultar o rastreamento financeiro, hipótese que ainda será submetida a novas diligências e perícias autorizadas pela Justiça.

Até o momento, a Polícia Federal não apresentou denúncia criminal contra o deputado federal. A investigação permanece em andamento e busca esclarecer se existe qualquer vínculo entre os recursos apreendidos, as movimentações financeiras identificadas e eventual utilização de verbas de origem pública. As conclusões definitivas dependerão da continuidade das diligências, da análise da documentação financeira e da manifestação do Ministério Público Federal ao término da apuração. A reportagem é do jornal O Globo.

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