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Oposição ligada a Flávio Bolsonaro articula ofensiva no Congresso e tenta barrar avanço de PECs e projetos prioritários do governo Lula

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Aliados de Flávio Bolsonaro querem reunião com Hugo Motta e Davi Alcolumbre para tentar conter avanço de PECs e projetos negociados pelo Planalto – Ricardo Stuckert

Parlamentares de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciaram uma nova ofensiva no Congresso Nacional para tentar dificultar o avanço de propostas consideradas estratégicas pelo Palácio do Planalto. Deputados e senadores ligados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) trabalham para conseguir uma reunião com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em meio à reta final das votações antes do período eleitoral.

A articulação ganhou força depois que Lula se reuniu, na quarta-feira (26), com Motta e Alcolumbre e acertou uma agenda para destravar matérias de interesse do Executivo. A reação da oposição foi praticamente imediata. O objetivo dos bolsonaristas é conversar com os comandantes das duas Casas já na próxima semana e tentar reduzir o ritmo das votações. Líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ) confirmou que o grupo pretende procurar os dois presidentes.

Entre os compromissos acertados entre o governo e o comando do Congresso está a conclusão da tramitação da medida provisória relacionada à chamada “taxa das blusinhas”. Também entraram no radar o projeto que estabelece regras para a exploração de minerais críticos e a proposta do Redata, programa de incentivos destinado à instalação e expansão de centros de dados no país.

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A maior resistência da oposição, entretanto, está concentrada em duas propostas com forte repercussão política e social: a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança Pública. Pelo entendimento construído entre Lula e os presidentes do Congresso, os relatórios deverão avançar inicialmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, sem que tenha sido estabelecida uma data para eventual votação pelo plenário da Casa.

Diante da popularidade das duas pautas, os oposicionistas evitam concentrar o discurso em uma rejeição direta às propostas. A estratégia tem sido questionar principalmente o momento escolhido para acelerar a tramitação. Parlamentares argumentam que mudanças dessa dimensão exigem discussão mais prolongada e não deveriam ser apreciadas às pressas em pleno calendário eleitoral. Davi Alcolumbre também indicou que os temas precisam passar por debate e negociação antes de uma decisão definitiva.

Além da pressão política sobre o comando do Congresso, senadores alinhados a Flávio Bolsonaro começaram a apresentar alterações aos textos. Na PEC relacionada à jornada de trabalho, Hamilton Mourão (Republicanos-RS) apresentou uma emenda inspirada em proposta defendida por Rogério Marinho (PL-RN), permitindo maior espaço para negociação coletiva sobre redução da jornada e compensação de horários. Na PEC da Segurança, Damares Alves (Republicanos-DF) apresentou mudança destinada a ampliar a autonomia dos estados no enfrentamento ao crime organizado.

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Outra alternativa estudada pela oposição é apresentar destaques para que determinados pontos sejam votados separadamente. A estratégia pode abrir novas frentes de disputa durante a análise das matérias e aumentar as chances de mudanças nos textos. Qualquer alteração substancial feita pelo Senado, porém, poderá obrigar as propostas a retornarem para nova apreciação da Câmara dos Deputados, prolongando a tramitação.

Os relatores escolhidos para conduzir as duas PECs na CCJ sinalizam resistência às tentativas de alteração. Omar Aziz (PSD-AM), responsável pela proposta sobre a escala 6×1, e Rogério Carvalho (PT-SE), relator da PEC da Segurança, defendem preservar os textos encaminhados pela Câmara. A intenção é evitar modificações que provoquem uma nova rodada de votação entre deputados e dificultem a conclusão das propostas.

Para o governo Lula, o avanço das duas matérias tem peso especial na agenda política. A mudança da escala 6×1 é apresentada pelo Planalto como uma bandeira voltada aos trabalhadores, enquanto a reformulação das regras de segurança pública é defendida como instrumento para ampliar a coordenação nacional no combate às organizações criminosas. Com a oposição tentando ganhar tempo e o governo pressionando pelo avanço das propostas, a próxima semana deverá transformar o Congresso em um dos principais campos da disputa política que antecede as eleições. As informações e do portal O Globo.

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Rui Falcão aciona STF e pede investigação sobre suposta “fazenda de bots” ligada a argentino e possível atuação nas eleições de 2026

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Deputado quer cooperação com a Bolívia para preservar provas, identificar operadores e apurar vínculos da estrutura digital – Foto: Zeca Ribeiro/Ag. Câmara/ Redes sociais

O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar providências relacionadas a uma estrutura de automação digital que teria sido localizada pelas autoridades da Bolívia em imóveis associados ao argentino Fernando Cerimedo. O parlamentar defende que o Brasil busque imediatamente cooperação jurídica com o país vizinho para preservar equipamentos, dados e outras possíveis provas, além de investigar se a operação teria alguma ligação com o processo eleitoral brasileiro de 2026.

De acordo com as informações apresentadas ao Supremo, autoridades bolivianas teriam apreendido aparelhos eletrônicos e identificado uma suposta “fazenda de bots” nos endereços relacionados a Cerimedo. Diante disso, Falcão quer evitar que informações consideradas relevantes sejam perdidas e solicita que o material seja disponibilizado às autoridades brasileiras para análise. A intenção é descobrir como a estrutura funcionava, quem estava por trás dela e quais eram seus objetivos.

O nome de Fernando Cerimedo já apareceu em apurações brasileiras sobre a disseminação de alegações sem fundamento contra o sistema eleitoral após a eleição presidencial de 2022. O argentino foi indiciado pela Polícia Federal em 2024, enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou sua participação na divulgação de conteúdos sobre supostas fraudes nas urnas eletrônicas. A investigação sobre sua conduta, entretanto, permaneceu separada diante da necessidade de aprofundar a apuração sobre seu conhecimento e eventual envolvimento com os fatos investigados.

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Na petição encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, Falcão sustenta que o material encontrado na Bolívia poderá ajudar a esclarecer questões que ainda permanecem abertas. O deputado pretende que sejam rastreados os responsáveis pela operação, as contas utilizadas, a origem dos recursos financeiros, possíveis contratantes e eventuais beneficiários. Também pede que seja investigada a existência de conexões entre a estrutura e pessoas, partidos políticos ou candidaturas brasileiras.

A preocupação do parlamentar alcança diretamente as eleições de 2026. Falcão solicita que os investigadores verifiquem se a estrutura localizada no território boliviano foi utilizada, estava sendo utilizada ou poderia estar sendo preparada para interferir no ambiente político e eleitoral brasileiro. O pedido ocorre também após Cerimedo voltar ao debate público sobre as urnas eletrônicas ao participar, em julho, de uma transmissão com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ocasião em que o sistema eleitoral brasileiro voltou a ser questionado.

Além do encaminhamento das informações para as autoridades responsáveis pelas investigações criminais, Rui Falcão quer que eventuais elementos relacionados especificamente ao processo eleitoral sejam compartilhados com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Procuradoria-Geral Eleitoral. Com isso, caso a cooperação com a Bolívia revele alguma conexão efetiva com o Brasil, os órgãos eleitorais poderão avaliar possíveis responsabilidades, identificar beneficiários e verificar se houve tentativa de utilização de redes automatizadas para influenciar as eleições de 2026.

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