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Lula critica desorganização da própria campanha, cobra mudanças e busca reação após Flávio Bolsonaro sair na frente no primeiro turno
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Presidente classifica campanha como a menos organizada desde 1989, expõe falhas na coordenação do PT e exige reforço na mobilização política – Foto: Reprodução/ Youtube
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um momento de tensão e cobranças internas após o desempenho abaixo das expectativas no primeiro turno das eleições presidenciais. Com a disputa decisiva marcada para 25 de outubro, o petista tenta reorganizar sua equipe, corrigir problemas de comunicação e fortalecer a articulação com partidos aliados para enfrentar o senador Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a primeira etapa da eleição à frente do atual presidente.
O resultado das urnas provocou preocupação entre dirigentes petistas e integrantes do governo. Enquanto Flávio Bolsonaro conquistou 47,03% dos votos válidos, Lula recebeu 45,16%, contrariando as projeções de aliados que acreditavam na possibilidade de uma vitória ainda no primeiro turno. A diferença colocou a campanha governista diante da necessidade de conquistar novos eleitores e recuperar terreno em regiões consideradas estratégicas para a votação decisiva.
A insatisfação chegou ao próprio presidente, que não poupou críticas à condução da campanha comandada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva. Durante uma manifestação pública na quarta-feira (7), Lula afirmou que sua estrutura eleitoral deixou a desejar e classificou a organização como a pior de todas as campanhas presidenciais das quais participou desde 1989. A declaração expôs divergências que já vinham sendo discutidas nos bastidores do partido.
Entre os principais problemas apontados por integrantes da campanha estão dificuldades na distribuição de materiais eleitorais, falhas na comunicação entre dirigentes estaduais e nacionais e falta de integração na organização das agendas políticas. Apesar da pressão sobre Edinho Silva, sua substituição não é considerada a alternativa mais provável. A tendência é ampliar o grupo responsável pelas decisões e dividir atribuições com lideranças experientes, buscando maior eficiência nesta reta final.
Uma das possibilidades em discussão é reforçar a participação de nomes importantes do PT e de partidos aliados. O ex-governador cearense Camilo Santana, o ministro Rui Costa e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, aparecem entre as lideranças que poderão intensificar a mobilização no Nordeste. Em São Paulo, a expectativa é de maior envolvimento de Fernando Haddad e do vice-presidente Geraldo Alckmin. O objetivo é ampliar a presença da candidatura nos estados e aproximar a campanha dos eleitores que ainda não definiram seu voto.
A comunicação digital também entrou no centro das mudanças planejadas. A equipe pretende investir em vídeos curtos, mensagens diretas e conteúdos produzidos pelo próprio Lula para plataformas como Instagram e TikTok. Nesse processo, a deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa (PT), de 21 anos, que conquistou 524 mil votos, poderá contribuir com novas estratégias para alcançar principalmente o público jovem. O nome de Bruno Monteiro, secretário de Cultura licenciado da Bahia, também é mencionado como possível reforço na área de comunicação.
Outra frente considerada fundamental envolve a segurança pública, assunto que ganhou destaque na disputa presidencial. Lula decidiu adotar um discurso mais firme sobre o enfrentamento à criminalidade, utilizando o lema: “Para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão”. Paralelamente, aliados discutem como apresentar propostas relacionadas ao combate ao crime organizado, à atuação do governo federal na segurança e à defesa dos programas sociais, buscando estabelecer diferenças entre os projetos políticos apresentados pelos dois candidatos.
Com pouco mais de duas semanas até o segundo turno, Lula enfrenta o desafio de transformar as críticas internas em mudanças concretas e recuperar a confiança de setores do eleitorado. A campanha aposta na intensificação das atividades de rua, na participação de lideranças regionais e em uma comunicação mais próxima da população. Entretanto, o tempo reduzido e a vantagem conquistada por Flávio Bolsonaro no primeiro turno aumentam a pressão sobre a coordenação petista, que precisará superar suas próprias divergências para tentar garantir a reeleição do presidente em 25 de outubro.
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Flávio Bolsonaro pode congelar reajustes de aposentadorias e cortar pisos da saúde e educação para reduzir gastos de R$ 250 bilhões
Propostas discutidas nos bastidores da campanha incluem mudanças nos reajustes do INSS e do BPC – Foto: Reprodução/ Piauí hoje
A equipe econômica ligada à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República avalia medidas de contenção de despesas públicas que podem provocar mudanças significativas na Previdência Social e no financiamento da saúde e da educação. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, o objetivo das discussões é promover um ajuste fiscal estimado em R$ 250 bilhões, equivalente a aproximadamente 2% do Produto Interno Bruto (PIB). As propostas, entretanto, levantam preocupações sobre possíveis impactos na renda de aposentados e na manutenção de serviços essenciais à população.
Entre as alternativas analisadas está a possibilidade de desvincular os reajustes das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) dos aumentos reais do salário mínimo. Atualmente, os benefícios vinculados ao piso nacional acompanham sua valorização. Pela mudança em discussão, esses pagamentos poderiam passar a receber apenas a correção da inflação, impedindo que milhões de beneficiários tenham os mesmos ganhos reais concedidos aos trabalhadores que recebem o salário mínimo.
A alteração teria consequências especialmente importantes para a parcela mais vulnerável da população brasileira. Dos mais de 41 milhões de benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), aproximadamente 70% possuem valor equivalente ao salário mínimo. Embora a correção inflacionária preserve, em princípio, o poder de compra desses pagamentos, a proposta impediria que aposentados e beneficiários do BPC participassem dos ganhos adicionais proporcionados pela política de valorização salarial.
Outra medida considerada pela equipe econômica envolve a retirada das vinculações constitucionais que estabelecem investimentos mínimos federais em saúde e educação. Atualmente, a União deve aplicar pelo menos 15% da Receita Corrente Líquida em ações e serviços públicos de saúde e 18% da receita de impostos, consideradas as regras constitucionais, na manutenção e desenvolvimento do ensino. A proposta em discussão substituiria esses parâmetros por reajustes vinculados à inflação, permitindo que os investimentos nessas áreas deixassem de acompanhar o crescimento da arrecadação federal.
Apesar das informações sobre as discussões econômicas, a campanha de Flávio Bolsonaro nega que essas medidas integrem seu programa oficial de governo. Em manifestação encaminhada à Folha de S.Paulo, a assessoria afirmou que conversas informais e interpretações de terceiros não podem ser apresentadas como decisões da candidatura. A equipe também destacou que as propostas mencionadas não aparecem no plano de governo registrado e que as posições oficiais são aquelas expressas publicamente pelo candidato e seus principais assessores.
As discussões ocorrem após declarações de integrantes da campanha favoráveis a uma ampla revisão das despesas públicas. O próprio Flávio Bolsonaro já defendeu a realização de um “tesouraço” nas contas federais, enquanto o senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela coordenação política da candidatura, sinalizou a intenção de reavaliar reformas anteriores, incluindo mudanças nas legislações previdenciária e trabalhista. Nos bastidores, entretanto, a divulgação de medidas que possam ser interpretadas como redução de direitos é considerada politicamente delicada durante a disputa presidencial.
Uma das estratégias discutidas prevê encaminhar ao Congresso Nacional uma ampla proposta de emenda à Constituição logo após as eleições, caso Flávio Bolsonaro seja eleito. A iniciativa, chamada informalmente de “Super PEC da Transição”, reuniria diferentes medidas de redução de despesas e buscaria aproveitar o período entre a votação e a posse presidencial para iniciar a reorganização das contas públicas. A expectativa dos defensores da proposta é conquistar a confiança dos investidores e reduzir as pressões sobre os juros e a dívida pública.
Além das mudanças previdenciárias e orçamentárias, integrantes do grupo econômico trabalham em propostas envolvendo privatizações, redução da estrutura ministerial, revisão de subsídios, combate aos chamados supersalários e substituição das atuais regras fiscais. Parte dessas discussões recebe contribuições do economista Adolfo Sachsida, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro. Embora os formuladores defendam as medidas como necessárias para equilibrar as finanças do país, o debate coloca em evidência uma questão central para os brasileiros: até que ponto um ajuste nas contas públicas poderá comprometer a valorização das aposentadorias e os recursos destinados à saúde e à educação? As informãos e da Folha de São Paulo.
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