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Criadores de conteúdo e artistas declaram apoio à reeleição de Lula e apresentam dez propostas para plataformas digitais e inteligência artificial

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Influenciadores progressistas lançam carta de apoio à reeleição de Lula e reivindicam proteção aos criadores diante do avanço da IA – Foto: Ricardo Stuckert

Um grupo formado por influenciadores, artistas e comunicadores ligados ao campo progressista tornou pública uma carta de apoio à candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além da manifestação política, o documento reúne dez propostas voltadas às plataformas digitais e ao avanço da inteligência artificial no país. A iniciativa foi divulgada pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

A mobilização é articulada por Biana, Thiago Guimarães e pelo Cria Coletivo. Entre os nomes que aderiram ao documento aparecem Nath Finanças, Camila Fremder, Rita Von Hunty, Sabrina Fernandes, Laura Sabino, Lauany Schultz e Orlando Calheiros. De acordo com os organizadores, os participantes da iniciativa reúnem, juntos, mais de 12 milhões de seguidores no Instagram.

Transparência nas plataformas

Entre as reivindicações apresentadas está a ampliação da transparência sobre o funcionamento das grandes plataformas digitais. O grupo defende que os usuários tenham mais informações e controle sobre os sistemas de recomendação de conteúdo, além da possibilidade de escolher algoritmos e transferir dados entre diferentes serviços. Também são defendidos procedimentos mais claros de moderação e mecanismos para recorrer de decisões tomadas pelas empresas.

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A inteligência artificial ocupa espaço importante no documento. Os signatários cobram maior transparência sobre a utilização de obras, imagens e outros conteúdos na criação e no treinamento dessas tecnologias. A carta também propõe medidas de proteção contra a reprodução não autorizada de voz, imagem e identidade, além de mecanismos destinados a garantir remuneração aos profissionais responsáveis pelos conteúdos utilizados no ambiente digital.
Participação nas políticas digitais

Outra frente defendida pelos autores envolve investimentos em infraestrutura digital pública e aberta e políticas voltadas à soberania tecnológica. O documento também propõe iniciativas de fortalecimento da comunicação considerada de interesse público, abrangendo áreas como jornalismo, educação, ciência e cultura.

Por fim, o grupo propõe a criação de uma Mesa Permanente de Criadores Digitais vinculada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência, por intermédio da Secretaria de Políticas Digitais. A ideia é ampliar a participação desses profissionais na discussão de políticas relacionadas às plataformas e à inteligência artificial. Mesmo declarando apoio à reeleição de Lula, os signatários afirmam que pretendem preservar autonomia para fazer críticas e cobranças a um eventual novo governo.

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Promessa de Flávio Bolsonaro de “decretar Brasil de Jesus Cristo” provoca reação de bispo, que alerta para ameaça ao Estado laico

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Dom Roberto Francisco afirma que proposta anunciada pelo candidato à Presidência precisa ser esclarecida – Foto: Charles Vieira/ Campanha

O bispo dom Roberto Francisco Ferreira Paz, da Diocese de Campos, questionou o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a declaração de que, caso seja eleito, pretende ter entre seus primeiros atos um decreto afirmando que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Para o religioso, a proposta precisa ser explicada com clareza, principalmente quanto aos possíveis efeitos sobre brasileiros que seguem outras religiões ou não professam nenhuma fé.

Integrante da Pastoral da Saúde e da Comissão para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Roberto classificou a ideia anunciada por Flávio como “perigosa”. O bispo questionou se uma iniciativa dessa natureza poderia gerar privilégios aos cristãos ou algum tipo de tratamento diferente para seguidores de outras crenças. Segundo ele, a liberdade religiosa deve ser garantida igualmente a todos os cidadãos.

A discussão ganhou repercussão após uma declaração feita por Flávio Bolsonaro em agosto. Ao explicar sua ausência em um debate promovido pela TV Bandeirantes, o candidato afirmou que gostaria de debater com quem não acredita em Deus e disse que, chegando à Presidência, um de seus primeiros atos seria decretar que o país pertence a Jesus Cristo. A fala voltou ao centro do debate nesta segunda-feira (28), após os questionamentos públicos feitos pelo bispo.

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Dom Roberto argumentou que existe diferença entre um governante manifestar publicamente sua fé e transformar uma convicção religiosa pessoal em ato oficial de governo. Para ele, um presidente pode declarar sua religião, mas deve governar cidadãos de todas as crenças. O religioso afirmou que o Estado não possui uma fé própria e deve assegurar o livre exercício religioso. O Conselho Nacional de Justiça também reconhece, com base na Constituição, o caráter laico do Estado brasileiro e as liberdades de consciência, crença e religião.

O bispo também relacionou a declaração do candidato ao que chamou de “doutrina dominacionista”, corrente que, segundo sua avaliação, busca ampliar a influência religiosa sobre a política. Dom Roberto defendeu que critérios confessionais não sejam utilizados na administração pública e lembrou que decisões de um presidente precisam considerar toda a população, independentemente de orientação religiosa. Até a publicação da manifestação do bispo pela Folha de S.Paulo, a assessoria de Flávio Bolsonaro ainda não havia apresentado resposta específica aos questionamentos.

A manifestação ocorre ainda em meio a outro episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e setores católicos. Nos últimos dias, circulou a informação falsa de que o candidato pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Flávio negou a alegação e afirmou defender a liberdade religiosa. A própria informação foi posteriormente corrigida, e o candidato agradeceu à CNBB após a entidade negar ter disseminado a versão. O novo debate, porém, concentra-se na declaração efetivamente feita pelo presidenciável sobre um eventual decreto envolvendo Jesus Cristo e nos questionamentos apresentados pelo bispo sobre seus possíveis efeitos institucionais.

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