Região Sudeste
Presidente Lula reúne principais aliados para definir estratégia da esquerda na disputa pelo Governo de São Paulo
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Encontro em Brasília deve discutir composição da chapa governista e o futuro político de Márcio França nas eleições estaduais – Foto: Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve comandar, nesta quarta-feira (24), uma reunião em Brasília para avançar nas negociações sobre a formação da chapa que representará a base governista na disputa pelo Governo de São Paulo nas eleições de 2026. O encontro faz parte das articulações políticas que envolvem PT e PSB na definição da estratégia eleitoral para o maior colégio eleitoral do país.
Além de Lula, a reunião deverá contar com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apontado como principal nome do PT para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ex-ministro Márcio França. O objetivo é buscar consenso sobre os papéis que cada liderança desempenhará na eleição estadual.
Nos bastidores, dirigentes da base aliada trabalham para fortalecer uma candidatura capaz de enfrentar o atual governador Tarcísio de Freitas. Entre as possibilidades discutidas está a formação de uma chapa unificada entre PT e PSB, tendo Haddad como candidato ao governo e Márcio França ocupando a vaga de vice-governador.
Entretanto, Márcio França ainda avalia diferentes cenários para a disputa. Até pouco tempo, sua prioridade era concorrer a uma vaga no Senado, mas mudanças no quadro político paulista reacenderam a possibilidade de disputar diretamente o comando do Estado.
A decisão ganhou força após a desistência de possíveis adversários que poderiam representar uma alternativa ao atual governador. Com menos nomes competitivos na corrida eleitoral, aliados de França passaram a defender que sua candidatura ao governo poderia ampliar o espaço da oposição e evitar uma disputa concentrada apenas entre dois grandes grupos políticos.
Por outro lado, integrantes ligados a Fernando Haddad entendem que uma candidatura própria de Márcio França poderia fragmentar o eleitorado identificado com o campo governista. Para esse grupo, a composição de uma chapa única fortaleceria a aliança entre PT e PSB e aumentaria as chances de levar a disputa para um segundo turno.
A expectativa é de que o encontro em Brasília contribua para reduzir as divergências entre as lideranças e estabeleça um caminho comum para a construção da candidatura governista em São Paulo. A definição também é vista como estratégica para os planos nacionais da base de apoio do presidente Lula nas eleições de 2026.
Embora ainda não haja anúncio oficial, a tendência é que as negociações avancem nas próximas semanas, à medida que os partidos intensificam a organização de suas chapas e alianças para a disputa eleitoral do próximo ano.
Região Sudeste
Flávio Bolsonaro tenta apagar desgaste do bolsonarismo em audiência sobre tarifas nos Estados Unidos
Senador busca se apresentar como defensor da economia brasileira em meio à crise comercial entre Brasil e Estados Unidos – Foto: Reprodução/ X/ @FlavioBolsonaro
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciou que participará de uma audiência pública nos Estados Unidos para tentar impedir a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A iniciativa acontece em meio ao aumento das tensões comerciais entre os dois países e surge após críticas à atuação internacional de integrantes da família Bolsonaro.
A movimentação ocorre após um período de desgaste político provocado pela atuação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em território norte-americano. Nos últimos meses, ele intensificou contatos com aliados do presidente Donald Trump e defendeu medidas de pressão contra autoridades brasileiras, em meio aos desdobramentos judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As articulações tiveram consequências práticas. Em 2025, o governo Trump impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e relacionou a decisão ao julgamento de Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. A medida gerou preocupação entre empresários, exportadores e diversos setores da economia nacional.
Agora, Flávio Bolsonaro tenta construir uma imagem de defensor do setor produtivo e afirma que sua participação na audiência pública tem como objetivo evitar novos prejuízos econômicos ao Brasil. A estratégia, porém, enfrenta críticas por ocorrer após a própria base bolsonarista ter incentivado a internacionalização dos conflitos políticos internos.
A nova ameaça surgiu após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação iniciada em 2025. O órgão propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, alegando supostas práticas comerciais consideradas desfavoráveis aos interesses norte-americanos em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, pagamentos eletrônicos e decisões judiciais envolvendo plataformas digitais.
O sistema de pagamentos Pix também entrou no centro do debate. O relatório americano aponta que algumas políticas brasileiras podem afetar empresas dos Estados Unidos que atuam no país. Diante disso, Flávio Bolsonaro pretende utilizar sua participação na audiência para defender o sistema brasileiro, argumentando que ele também beneficia companhias estrangeiras instaladas no mercado nacional.
Segundo aliados do senador, a apresentação será acompanhada de dados técnicos e relatórios econômicos. Flávio sustenta que a adoção das tarifas acabaria prejudicando exportadores brasileiros, consumidores norte-americanos e setores da oposição política brasileira, além de provocar impactos negativos nas relações comerciais entre os dois países.
A audiência pública está marcada para o dia 6 de julho e deverá reunir representantes do setor privado, entidades empresariais e especialistas. A decisão final sobre a adoção ou não das novas tarifas caberá ao presidente Donald Trump, após a publicação do relatório definitivo do USTR, prevista para 15 de julho. Enquanto isso, o governo brasileiro mantém sua estratégia de atuação diplomática e evita participar diretamente da consulta pública norte-americana.
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