Região Norte
TCE suspende pagamento de R$ 22,6 milhões e expõe gestão de Gladson Cameli sob suspeita de falta de transparência
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Falta de transparência marca desapropriação milionária do governo Gladson Cameli, aponta TCE – Arte: Alemão Monteiro
A gestão do governador Gladson Cameli volta ao centro de questionamentos após o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) determinar a suspensão imediata de pagamentos relacionados à desapropriação de um imóvel avaliado em R$ 22,6 milhões, em Rio Branco. A área seria destinada à construção de um complexo para a Expoacre, mas o processo já nasce cercado por dúvidas, falhas e indícios de irregularidades.
A decisão cautelar foi assinada pela conselheira Naluh Maria Lima Gouveia, relatora do caso, com base em parecer técnico que apontou riscos concretos de prejuízo aos cofres públicos e falta de transparência na condução do procedimento pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), órgão vinculado ao governo de Gladson Cameli.
De acordo com a determinação, a secretária da Seagri, Temyllis Lima da Silva, deve suspender imediatamente qualquer pagamento referente à desapropriação. O descumprimento pode gerar multa diária de R$ 2 mil. Além disso, a gestora terá apenas 48 horas para apresentar toda a documentação do processo, incluindo os critérios utilizados para justificar o valor milionário do imóvel.
O relatório técnico do TCE-AC levanta questionamentos graves. A área, com 75,5 hectares, foi avaliada em cerca de R$ 300 mil por hectare, mas não há comprovação de que o valor esteja compatível com o mercado. Também não foram apresentados critérios claros de avaliação, o que levanta suspeitas sobre possível superfaturamento.
Outro ponto que chama atenção é a falta de transparência. Informações essenciais não foram inseridas no sistema LICON, e o acesso ao processo administrativo foi restringido, dificultando a fiscalização. Para o órgão de controle, esse tipo de conduta compromete diretamente a lisura do processo conduzido dentro da estrutura do governo de Gladson Cameli.
A situação se agrava ao se constatar que a declaração de utilidade pública e a formalização da desapropriação ocorreram no mesmo dia, por meio de publicação extraordinária no Diário Oficial, o que levanta dúvidas sobre a pressa e a motivação do procedimento.
Na decisão, a relatora foi enfática ao apontar risco “concreto, atual e progressivo” de dano ao erário, especialmente porque os pagamentos já estavam programados em parcelas mensais, com a primeira prevista para o fim de março de 2026. Ou seja, sem a intervenção do TCE, o dinheiro público já começaria a ser desembolsado em um processo cheio de lacunas.
Outro aspecto preocupante é a falta de clareza sobre a real finalidade do empreendimento. O projeto é descrito apenas como um “complexo multifuncional”, sem detalhamento técnico ou comprovação de viabilidade. Na prática, isso abre margem para que milhões sejam investidos sem garantia de retorno ou utilidade pública efetiva.
O próprio Tribunal alerta que a aquisição do imóvel pode exigir novos investimentos elevados em infraestrutura, como obras e instalação de serviços básicos, sem qualquer previsão concreta de recursos. O risco, segundo o TCE, é que o Estado acabe criando um “elefante branco” às custas do dinheiro da população.
A concessão da medida cautelar considerou os princípios jurídicos do fumus boni iuris e do periculum in mora, ou seja, a existência de indícios de irregularidades e o risco imediato de prejuízo caso os pagamentos continuassem.
O processo segue agora para análise do Ministério Público de Contas, enquanto o governo de Gladson Cameli deverá prestar esclarecimentos sob pressão e dentro de prazo curto. Até lá, todos os pagamentos permanecem suspensos, e a desapropriação milionária segue sob forte suspeita.
Região Norte
Incra amplia investimentos em assentamentos e libera mais de R$ 9 milhões para famílias da Reforma Agrária em Rondônia
Créditos vão fortalecer produção rural, habitação e incentivar mulheres e jovens no campo – Foto: Incra/ RO
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) anunciou a liberação de mais de R$ 9,1 milhões em recursos destinados a famílias assentadas da Reforma Agrária em Rondônia. O investimento faz parte das ações de fortalecimento do desenvolvimento rural e contempla diversas modalidades do Crédito Instalação, voltadas ao incentivo da produção agrícola, apoio social e geração de renda nos assentamentos.
Os recursos serão distribuídos entre famílias que vivem em áreas rurais localizadas nos municípios de Ariquemes, Chupinguaia, Corumbiara, Cujubim, Machadinho do Oeste, Mirante da Serra, Nova Mamoré, Parecis, Porto Velho, Vale do Anari e Vilhena. O objetivo do programa é ampliar as condições de trabalho e melhorar a estrutura produtiva das comunidades assentadas em diferentes regiões do estado.
Entre as modalidades liberadas estão os créditos de Apoio Inicial, Fomento, Fomento Mulher e Fomento Jovem. As linhas de financiamento atendem desde famílias recém-assentadas até projetos voltados à autonomia econômica das mulheres rurais e à permanência dos jovens no campo, criando oportunidades de renda e fortalecendo a agricultura familiar.
Além da liberação dos novos créditos, o Incra informou que já garantiu a contratação de 100 moradias rurais e cerca de 1.500 créditos produtivos dentro do planejamento para 2026. O órgão também confirmou que a etapa de contratação de 300 reformas habitacionais terá início nos próximos dias, ampliando as ações voltadas à melhoria da qualidade de vida nos assentamentos.
O superintendente regional do Incra em Rondônia, Luís Flávio Carvalho Ribeiro, afirmou que as equipes técnicas seguem realizando atendimentos diretamente nas comunidades rurais para garantir a execução dos programas. Segundo ele, os investimentos buscam fortalecer não apenas a produção agrícola, mas também áreas como habitação, geração de renda e desenvolvimento sustentável nos assentamentos.
De acordo com a equipe técnica do Incra, a liberação dos créditos segue critérios específicos de planejamento e análise documental. O órgão explicou que os assentamentos contemplados são definidos com base em estudos técnicos e prioridades operacionais, priorizando famílias que ainda não tiveram acesso aos programas. Os projetos de assistência e acompanhamento são desenvolvidos em parceria com a Emater de Rondônia.
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