Região Centro-oeste
Presidente Lula sanciona Lei Antifacção com penas de até 40 anos e promete cerco mais duro ao crime organizado
Região Centro-oeste
Lula sanciona Lei Antifacção e endurece combate ao crime organizado no Brasil – Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma nova legislação voltada ao enfrentamento direto das organizações criminosas no país, estabelecendo medidas mais rígidas contra facções, milícias e grupos armados. A chamada Lei Antifacção amplia o poder de atuação do Estado e mira principalmente as lideranças dessas estruturas, consideradas responsáveis pela expansão da violência em diversas regiões do Brasil.
A nova lei foi construída a partir de um projeto enviado ao Congresso Nacional ainda em 2025 e passou por ajustes na Câmara e no Senado até sua aprovação definitiva. Com a sanção presidencial, o país passa a contar com um conjunto mais robusto de mecanismos legais para combater organizações criminosas que atuam com violência, intimidação e controle territorial.
Entre os principais pontos da legislação está o aumento significativo das penas para integrantes de alto escalão dessas organizações, que agora podem chegar a até 40 anos de prisão. Além disso, a norma restringe benefícios penais, como liberdade condicional, indulto e progressão de regime, especialmente para lideranças envolvidas diretamente em crimes graves.
A lei também define de forma mais clara o que caracteriza uma facção criminosa, incluindo grupos formados por três ou mais pessoas que utilizam violência ou grave ameaça para exercer domínio sobre territórios, populações ou atividades econômicas. A atuação dessas organizações contra serviços públicos e infraestrutura essencial também passa a ser enquadrada com mais rigor.
Outro avanço considerado estratégico é o fortalecimento da chamada “asfixia financeira” das facções. O texto permite o bloqueio e a apreensão de bens, inclusive ativos digitais e participações empresariais, além de facilitar a conversão desses recursos em patrimônio público, mesmo antes de condenações definitivas em alguns casos.
A legislação ainda cria o Banco Nacional de Dados de Organizações Criminosas, que vai integrar informações de diferentes estados e órgãos de segurança. A medida busca melhorar o compartilhamento de dados e tornar mais eficiente a atuação conjunta das forças policiais e dos sistemas de inteligência no país.
Outro ponto relevante é o reforço da cooperação entre instituições nacionais e internacionais, com destaque para a atuação da Polícia Federal e a formalização das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado. A intenção é ampliar a capacidade de investigação e repressão, inclusive em operações que envolvam conexões fora do Brasil.
Apesar do endurecimento das regras, o presidente vetou trechos do projeto considerados inconstitucionais ou prejudiciais ao interesse público, como a possibilidade de enquadrar pessoas sem ligação comprovada com organizações criminosas e a redistribuição de recursos apreendidos. Ainda assim, a nova lei já é vista como um dos marcos mais rigorosos no combate ao crime organizado no país.
Região Centro-oeste
Governo Lula denuncia ofensiva no Congresso contra leis ambientais e alerta para avanço do desmatamento
Ministério do Meio Ambiente alerta para retrocessos graves e diz que propostas colocam em risco fiscalização, florestas e combate ao desmatamento – Foto: Fernando Donasci/ MMA
O governo federal elevou o tom contra um conjunto de projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional e que, segundo o Ministério do Meio Ambiente, podem provocar um dos maiores retrocessos ambientais já registrados no país. As propostas foram apresentadas como ameaça direta à preservação dos biomas brasileiros, ao combate ao desmatamento e até à credibilidade internacional do Brasil na área ambiental.
Durante apresentação realizada pelo Ministério do Meio Ambiente, Ibama e ICMBio, representantes do governo afirmaram que os projetos enfraquecem instrumentos de fiscalização ambiental, reduzem áreas protegidas e flexibilizam regras para exploração de vegetação nativa. Entre os pontos mais criticados está a tentativa de limitar o uso de embargos remotos feitos com base em imagens de satélite, mecanismo considerado fundamental para conter o avanço do desmatamento ilegal.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Ribeiro Capobianco, classificou o avanço das propostas como “um retrocesso inimaginável” para um país que possui uma das legislações ambientais mais reconhecidas do mundo. Segundo ele, os projetos atendem interesses específicos de setores que ainda insistem em explorar recursos naturais sem compromisso com a conservação ambiental e a sustentabilidade.
Uma das propostas mais polêmicas pode liberar o desmatamento de mais de 50 milhões de hectares de vegetação nativa não florestal em biomas como Cerrado, Pantanal, Pampa, Mata Atlântica e Caatinga. O texto também altera regras de proteção da vegetação nativa e amplia brechas para ocupações em áreas ambientais sensíveis, o que preocupa especialistas e órgãos de fiscalização.
Outro projeto criticado pelo governo reduz o nível de proteção da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, transformando parte da unidade em Área de Proteção Ambiental (APA), categoria considerada mais flexível para atividades econômicas. Além disso, propostas ligadas ao crédito rural podem impedir que informações sobre desmatamento ilegal e grilagem de terras sejam usadas na análise de financiamentos e seguros agrícolas.
Mesmo diante da pressão política no Congresso, o governo federal afirma que continuará atuando para barrar medidas que fragilizem a legislação ambiental brasileira. O Ministério do Meio Ambiente argumenta que o país conseguiu reduzir o desmatamento nos últimos anos enquanto ampliava mercados internacionais para o agronegócio, mostrando que preservação ambiental e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.
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