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Ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes é alvo de operação da PF por suspeitas de desvio

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Ação autorizada pelo STF cumpre mandados em quatro estados e apura suspeitas de lavagem de dinheiro – Foto: Christiano Antonucci/ Secom/ MT

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (6), a Operação Heritage para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos que teria movimentado mais de R$ 308 milhões. Entre os investigados está o ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), apontado como um dos alvos das medidas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Além do ex-chefe do Executivo estadual, a investigação alcança integrantes da alta administração pública de Mato Grosso. Secretários de Estado, um desembargador e um procurador estadual também são alvos das diligências realizadas pela Polícia Federal, que busca esclarecer a participação de cada investigado no suposto esquema.

De acordo com as investigações, o caso envolve um acordo firmado entre o governo estadual e uma empresa do setor de telefonia. A suspeita é de que a negociação tenha sido utilizada para desviar recursos públicos por meio de operações financeiras consideradas irregulares, com a utilização de fundos de investimento e empresas criadas para ocultar a origem e o destino do dinheiro.

A Polícia Federal apura possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso indevido de informação privilegiada. Os investigadores trabalham para identificar o fluxo dos recursos, os beneficiários das operações e o eventual prejuízo causado aos cofres públicos.

Ao todo, estão sendo cumpridos 25 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF. As ações ocorrem simultaneamente nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará, onde equipes da PF recolhem documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais considerados relevantes para o avanço das investigações.

Além das buscas, o Supremo determinou uma série de medidas cautelares contra os investigados. Entre elas estão a quebra dos sigilos bancário e fiscal, o bloqueio de bens até o limite de R$ 316 milhões, o recolhimento de passaportes para impedir viagens internacionais e a proibição de contato entre os alvos da operação.

Até a publicação desta reportagem, Mauro Mendes ainda não havia se manifestado publicamente sobre a investigação. O espaço permanece aberto para que o ex-governador apresente sua versão dos fatos.

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TRE-PR libera Deltan Dallagnol para disputar o Senado após julgamento apertado por 4 a 3

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Ex-procurador da Lava Jato vence disputa judicial pelo registro da candidatura; decisão ainda pode ser levada ao TSE – Foto: Pablo Valadares/ CdosD

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) decidiu manter Deltan Dallagnol, do Novo, na corrida por uma cadeira no Senado Federal nas eleições de 2026. Em um julgamento apertado, realizado na terça-feira (8), a Corte deferiu o registro da candidatura por 4 votos a 3, permitindo que o ex-procurador da República continue oficialmente na disputa eleitoral.

A sessão se estendeu por mais de sete horas e chegou ao placar de três votos para cada lado. Coube ao presidente do TRE-PR, desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, definir o resultado. Ele acompanhou a posição favorável ao registro e deu o quarto voto que garantiu a vitória de Dallagnol no tribunal paranaense.

A relatora, juíza Vanessa Jamus Marchi, também defendeu o deferimento da candidatura. No centro da discussão estava a situação jurídica de Dallagnol depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter cassado, em 2023, o registro que sustentava seu mandato de deputado federal. Na ocasião, a Justiça Eleitoral considerou as circunstâncias de sua saída do Ministério Público Federal enquanto havia procedimentos disciplinares relacionados à sua atuação.

No julgamento desta semana, porém, prevaleceu no TRE-PR o entendimento de que os fatos analisados anteriormente não impedem automaticamente Dallagnol de concorrer nas eleições de 2026. A relatora considerou que os procedimentos administrativos foram encerrados sem punições capazes de sustentar, atualmente, a inelegibilidade. O Ministério Público Eleitoral também havia se manifestado favoravelmente à elegibilidade do candidato.

A disputa judicial, entretanto, pode não terminar no Paraná. A candidatura havia sido impugnada pela coligação Paraná para Todos, integrada por partidos e federações que incluem PT e PDT, e a decisão do TRE-PR pode ser questionada no Tribunal Superior Eleitoral. Dessa forma, apesar da vitória por 4 a 3, a situação eleitoral de Dallagnol ainda poderá passar por nova análise em Brasília.

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