Região Sudeste
Prefeito Washington Quaquá aposta em polo intelectual em Maricá e convida Silvio Almeida para projeto estratégico
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Prefeito quer unir universidade, memória histórica e debate nacional em iniciativa ambiciosa – Foto: Filipe Araújo/ MINC/ Foto: Site do PT
O prefeito de Maricá, Washington Quaquá, anunciou uma nova investida política e intelectual ao trazer para o município o jurista e filósofo Silvio Almeida. A proposta envolve a construção de um espaço voltado à reflexão sobre soberania, economia e desenvolvimento do Brasil, com forte ênfase na questão racial como elemento central do debate contemporâneo.
A iniciativa não se limita a um convite simbólico. Segundo Quaquá, Silvio Almeida deve atuar diretamente em dois projetos estruturantes: a criação de uma universidade municipal e a implantação de um museu dedicado à memória da escravidão negra no Atlântico e à influência africana na formação do Brasil. A ideia é transformar Maricá em referência nacional na produção de conhecimento estratégico.
Dentro desse plano, a futura UniMar surge como peça-chave. A universidade pretende formar profissionais e pesquisadores comprometidos com uma visão crítica do país, integrando excelência acadêmica com responsabilidade social. O objetivo é criar um ambiente capaz de gerar ideias que influenciem políticas públicas e o rumo do desenvolvimento nacional.
Ao mesmo tempo, o projeto resgata inspirações históricas ao propor algo semelhante ao antigo Instituto Superior de Estudos Brasileiros. Criado na década de 1950, o ISEB reuniu importantes intelectuais e foi fundamental na formulação de estratégias de desenvolvimento econômico e fortalecimento do Estado brasileiro.
Diferentemente do modelo original, no entanto, a nova proposta pretende incorporar de forma direta o debate sobre desigualdade racial. Sob liderança de Silvio Almeida, o espaço deverá conectar temas como racismo estrutural, democracia e economia, ampliando o escopo tradicional do pensamento desenvolvimentista.
Outro eixo relevante é o museu da escravidão e da contribuição africana. A proposta vai além de preservar a memória histórica, buscando também valorizar o papel da população negra na construção social, econômica e cultural do país, em um movimento de ressignificação da história brasileira.
A articulação entre universidade, centro de pensamento e espaço cultural revela uma estratégia mais ampla. Maricá tenta se posicionar como um laboratório de ideias, onde conhecimento acadêmico, identidade histórica e planejamento político caminham juntos para influenciar o debate nacional.
Com essa iniciativa, Quaquá reforça a intenção de projetar o município para além da gestão local. Ao lado de Silvio Almeida, a aposta é transformar Maricá em um centro de formulação de propostas para o Brasil, em um momento em que o país busca novos caminhos para seu desenvolvimento econômico e social.
Parabéns ao prefeito @Quaqua13_ pela coragem e por não se curvar aos linchamentos midiáticos. https://t.co/ilsVDylFqi
— Leonardo Attuch (@AttuchLeonardo) April 12, 2026
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Prefeita de Guapimirim (RJ), Marina Rocha, vira ré por suspeita de esquema milionário na saúde pública
MP aponta direcionamento de licitações, empresa sem estrutura e possível prejuízo aos cofres públicos – Foto: Reprodução/ TV Globo
A Justiça do Rio de Janeiro aceitou uma ação de improbidade administrativa contra a prefeita de Guapimirim, Marina Rocha, além de um servidor público e outros três envolvidos em um suposto esquema de fraudes em contratos da área da saúde. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que investiga irregularidades em licitações conduzidas pela prefeitura.
Segundo o órgão, há indícios de que contratos públicos foram direcionados de forma sistemática para beneficiar a empresa Speed Meg, apontada como peça central no esquema. A investigação sugere que a empresa atuava como uma espécie de “fachada”, sendo favorecida repetidamente ao longo dos anos.
De acordo com a denúncia, a Speed Meg se consolidou como a principal — e praticamente única — fornecedora de exames de média e alta complexidade no município por cerca de uma década. O domínio prolongado levanta suspeitas sobre a lisura dos processos licitatórios realizados nesse período.
Os promotores também identificaram possíveis indícios de superfaturamento em contratos firmados com a prefeitura, o que pode ter causado prejuízos significativos aos cofres públicos. Os valores pagos pelos serviços estão sob análise detalhada.
Outro ponto considerado grave pela investigação é que a empresa não possuiria estrutura própria para executar os serviços contratados. Ainda conforme o MPRJ, os exames eram realizados por terceiros, por meio de outras empresas, o que levantaria suspeitas de simulação de cumprimento das exigências legais.
Entre os investigados está Iram Moreno de Oliveira, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, apontado como um dos articuladores do esquema ao lado da filha, Mêllanie da Costa Oliveira. Apesar de já ter sido absolvido na esfera criminal em um caso anterior, ele teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral.
Também figuram como réus Neiva Maurício da Silva Bonfante, que atuava na comissão de licitação, e Philipe Gomes Pereira, responsável direto pelos processos licitatórios ligados à empresa. Segundo a denúncia, ele teria deixado de cumprir obrigações básicas de fiscalização e ainda recebido valores da empresa investigada, o que motivou seu afastamento do cargo por decisão judicial.
No caso da prefeita Marina Rocha, o Ministério Público sustenta que ela foi informada das irregularidades, mas não tomou providências para interromper os contratos. A acusação destaca que a gestora permitiu a continuidade das contratações, mesmo diante de indícios de ilegalidades.
Um dos editais mais recentes analisados pela investigação também levanta suspeitas: segundo o MPRJ, o processo não teve ampla divulgação, o que resultou na participação de apenas uma empresa interessada — justamente a Speed Meg. O contrato previa a realização de dezenas de exames e procedimentos, com valor próximo de R$ 9 milhões.
Diante das evidências apresentadas, a Justiça determinou a suspensão das atividades da empresa no município e concedeu prazo de três meses para que a prefeitura realize uma nova contratação regular dos serviços de saúde. Além disso, foi decretado o bloqueio de R$ 8,6 milhões dos envolvidos na ação.
Procurada, a Speed Meg afirmou que está à disposição das autoridades e negou qualquer prática de superfaturamento. A empresa declarou ainda que não recebeu comunicação oficial da Justiça até o momento, mas garantiu que apresentará sua defesa no processo.
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