Região Sudeste
Mãe da deputada bolsonarista Eduarda Campopiano recebe auxílio do BPC desde 2019 e divulga cursos pagos
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Informações sobre ganhos com as aulas e composição da renda familiar permanecem sem esclarecimento – Foto: Instagram @eduarda_campopiano
A divulgação de cursos pagos de artesanato pela mãe da deputada eleita Eduarda Campopiano (PL-SP) trouxe questionamentos sobre os critérios de manutenção do benefício assistencial recebido por ela. Débora Campopiano, de 59 anos, é beneficiária do Benefício de Prestação Continuada (BPC) desde pelo menos 2019. As informações disponíveis, entretanto, não comprovam irregularidade no pagamento.
Artesã, Débora utiliza um perfil no Instagram com mais de 28 mil seguidores para apresentar trabalhos e promover aulas de fabricação de bonecas de pano. Entre as publicações estão ofertas de cursos e oficinas com diferentes condições de pagamento. Em 2023, um dos conteúdos foi anunciado por R$ 67 à vista ou em parcelas; em 2025, um workshop foi divulgado com possibilidade de parcelamento em quatro vezes.
Eduarda também participou da promoção das atividades da mãe. Em uma postagem de agosto de 2023, apareceu convidando interessadas para um curso gratuito que posteriormente disponibilizaria conteúdos pagos. A existência dessas ofertas não permite estabelecer quantas pessoas compraram as aulas, quanto a artesã recebeu ou se a atividade gerou renda contínua.
O BPC garante um salário mínimo mensal a pessoas com deficiência e a idosos a partir dos 65 anos que atendam aos requisitos assistenciais. Como Débora tem 59 anos, a modalidade destinada a idosos não se aplica à sua faixa etária. A avaliação do direito ao benefício envolve critérios de renda, composição familiar, cadastro e, no caso de pessoas com deficiência, condições individuais analisadas pelo INSS.
A assessoria da deputada eleita foi procurada, mas não esclareceu se Eduarda reside com a mãe, se Débora recebe valores pela comercialização dos cursos ou se eventuais ganhos foram comunicados ao instituto. Essas informações são necessárias para avaliar a situação, pois a remuneração da filha somente pode ser considerada conforme as regras que definem o grupo familiar do beneficiário.
Eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo após exercer mandato de vereadora em Praia Grande, Eduarda ganhou projeção com posições conservadoras e críticas ao feminismo e às cotas raciais. O benefício recebido por sua mãe passa a integrar o debate público sobre a parlamentar, mas qualquer conclusão sobre pagamento indevido depende de documentação e análise das condições efetivas de Débora. A divulgação de cursos, por si só, não comprova fraude ou descumprimento das exigências do programa.
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TSE manda vice de Flávio Bolsonaro apagar vídeo com acusações contra Lula e ameaça aplicar multa diária
Justiça Eleitoral considera que Alfredo Gaspar ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao divulgar acusações sem comprovação – Foto: Carlos Moura/Agência Senado
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, neste sábado (10), a retirada de uma publicação feita pelo candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL), integrante da chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). O vídeo, divulgado no Instagram, apresenta acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que, segundo a decisão judicial, não possuem sustentação em provas. O candidato recebeu prazo de 24 horas para excluir o material, sob risco de multa diária.
A determinação partiu do ministro Marco Aurélio Bellizze, que identificou possíveis abusos no conteúdo divulgado durante a campanha presidencial. Na avaliação do magistrado, a liberdade de manifestação política não autoriza a atribuição de crimes a adversários sem elementos concretos que sustentem as afirmações. A decisão destaca especialmente as acusações que associam Lula a uma suposta organização criminosa e a outras práticas ilícitas.
A controvérsia começou após a divulgação de informações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e uma suposta transferência de R$ 30 milhões em espécie para o Instituto Lula. O dinheiro teria sido destinado à produção de um documentário sobre o presidente. A narrativa ganhou repercussão política e passou a circular nas redes sociais, apesar dos questionamentos sobre a existência de documentos ou depoimentos capazes de confirmar a versão apresentada.
O conteúdo, entretanto, foi contestado por manifestações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR). A PF esclareceu que Vorcaro não prestou depoimento com as declarações atribuídas a ele e que não foram entregues à instituição documentos ou outros materiais contendo as informações divulgadas. Os esclarecimentos colocaram em dúvida a base factual utilizada para sustentar as acusações que chegaram ao debate eleitoral.
A Procuradoria-Geral da República também esclareceu que não houve depoimento presencial ou contato direto de seus integrantes com o empresário sobre o episódio. Segundo o órgão, as comunicações relacionadas ao caso ocorreram por intermédio dos representantes legais de Vorcaro. A defesa do empresário igualmente contestou a versão que circulou publicamente, ampliando os questionamentos sobre a origem das alegações.
Com a decisão do TSE, Alfredo Gaspar deverá retirar o vídeo dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral. Caso a determinação não seja cumprida, a Meta, responsável pelo Instagram, deverá providenciar a exclusão da publicação. O episódio reacende a discussão sobre a circulação de acusações não comprovadas nas redes sociais e a responsabilidade dos candidatos pela divulgação de informações durante a disputa presidencial.
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