Região Sudeste
Deputada Ana Elisa denuncia ameaças de morte e estupro após ataques de Nikolas Ferreira nas redes sociais
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Parlamentar Minas Gerais afirma que passou a sofrer intimidações após publicações de políticos bolsonaristas – Foto: Gabriel Paiva/ PT na Câmara
A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) denunciou, na noite desta quinta-feira (8), uma onda de ataques virtuais que, segundo seu relato, evoluiu para graves ameaças de morte e violência sexual. A parlamentar afirma que a situação se agravou depois que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou publicações e montagens envolvendo seu nome. Diante da quantidade de mensagens ameaçadoras, sua equipe decidiu retirar temporariamente do ar sua conta na rede social X, antigo Twitter.
A ofensiva nas redes teria começado após o usuário Felipe Leme recuperar antigas manifestações de Ana Elisa relacionadas ao fechamento de igrejas. As publicações passaram a circular entre apoiadores do bolsonarismo e ganharam maior repercussão depois de serem compartilhadas por Nikolas Ferreira. De acordo com a deputada eleita, conteúdos apresentados como brincadeiras e montagens políticas acabaram estimulando uma sequência de manifestações ofensivas e intimidações contra ela.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Ana Elisa relatou que passou a receber ameaças em intervalos extremamente curtos, chegando, segundo ela, a uma nova mensagem a cada dois minutos. A parlamentar afirmou estar preocupada com sua integridade física e revelou que ainda não dispõe de uma estrutura especial de segurança. Ela também responsabilizou politicamente Nikolas Ferreira, Gleidson Azevedo e Eduardo Azevedo pela propagação de conteúdos que considera falsos e ofensivos, atribuindo aos três parte da responsabilidade pelo ambiente de hostilidade criado contra ela.
Ana Elisa também relacionou os ataques à sua decisão de participar da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a deputada eleita, depois de dedicar 45 dias à própria candidatura, passou a colaborar com a mobilização eleitoral do presidente e se tornou alvo de montagens, fotografias manipuladas e publicações destinadas a ridicularizá-la. Ao comentar o episódio, destacou que mulheres negras enfrentam formas específicas de violência e discriminação na política brasileira, manifestando preocupação com a possibilidade de as agressões virtuais ultrapassarem os limites das redes sociais.
Entre as publicações atribuídas a Nikolas Ferreira estão montagens que associam Ana Elisa ao influenciador conhecido como Charles Henriquepédia e à primeira-dama Janja Lula da Silva. Em uma das postagens, o deputado escreveu que gostava mais de Ana Elisa quando ela era humorista. Em outra, utilizou a expressão “resenha” para ironizar a parlamentar. Ana Elisa questionou o emprego do termo por sua associação, em determinados ambientes digitais, a comunidades nas quais discursos ofensivos podem ser apresentados como simples brincadeiras.
Expressão utilizada nas redes é citada em estudo do Ministério Público
A discussão também envolve a chamada “bolha da resenha”, expressão analisada em um glossário sobre subculturas violentas e linguagens digitais elaborado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul. O documento explica que determinados grupos virtuais podem favorecer a circulação de manifestações misóginas, intolerantes e de banalização da violência sob a justificativa do humor. Entretanto, o próprio material ressalta que nem todas essas comunidades possuem características extremistas, e o uso isolado da palavra não representa prova de ligação com organizações neonazistas ou outros movimentos radicais.
O episódio reacende o debate sobre os limites da disputa política nas plataformas digitais e a necessidade de combater ameaças dirigidas a representantes eleitos. Para Ana Elisa, divergências ideológicas não podem servir de justificativa para intimidação, violência sexual ou ameaças à vida. A parlamentar sustenta que os ataques comprometeram sua segurança e seu direito de participar livremente do debate público. As acusações de atuação coordenada e eventual responsabilidade criminal dos envolvidos, contudo, dependem de apuração pelas autoridades competentes.
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Auditoria aponta suspeitas de R$ 400 milhões na Cedae Saúde e dívida de Cláudio Castro com plano médico
Levantamento relata pagamentos a empresas ligadas ao ex-presidente da entidade – Foto: Reprodução/ Facebook
Uma auditoria na Cedae Saúde, entidade responsável pela assistência médica de empregados da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, apontou indícios de irregularidades financeiras que ultrapassam R$ 400 milhões. Contratado pelo governo estadual, o levantamento identificou operações suspeitas e a inclusão do ex-governador Cláudio Castro (PL) no plano de saúde, apesar de ele não possuir vínculo empregatício com a estatal. O relatório será encaminhado ao Ministério Público para avaliação e eventual aprofundamento das apurações.
Segundo a atual administração, Castro foi cadastrado como funcionário da Cedae e teve acesso à cobertura médica durante 547 dias, entre fevereiro de 2025 e agosto de 2026. A esposa e os dois filhos também foram inscritos como dependentes. A direção afirma que não houve pagamentos correspondentes ao benefício nesse período, o que resultou em uma dívida de aproximadamente R$ 141 mil e no cancelamento do plano em agosto. A análise de registros de dez anos não teria encontrado outros governadores atendidos nas mesmas condições.
Em sua manifestação, Castro declarou que a própria diretoria da companhia informou que ele poderia utilizar o serviço e providenciou sua carteirinha. O ex-governador afirmou que não recebeu boletos, cobranças mensais ou avisos de inadimplência enquanto esteve no plano. Segundo sua versão, a primeira notificação chegou pelos Correios cerca de uma semana antes da publicação da reportagem. Ele informou que quitará o valor cobrado e contestou o encerramento da cobertura sem comunicação prévia.
Outra frente da auditoria envolve R$ 95 milhões pagos a quatro empresas que, conforme os auditores, estariam relacionadas a Eric Frederik Gualberto, ex-presidente da Cedae Saúde. O levantamento aponta vínculos por meio de uma estrutura offshore nas Ilhas Virgens Britânicas e possíveis favorecimentos na contratação de fornecedores. A constituição de uma offshore, isoladamente, não caracteriza ilegalidade; o questionamento recai sobre as relações identificadas e a aplicação dos recursos. O material fornecido não apresenta manifestação de Gualberto sobre os apontamentos.
Conduzido pela consultoria Grant Thornton, com acompanhamento do Gabinete de Segurança Institucional e da Cedae, o trabalho começou após a exoneração de Gualberto, em 23 de junho de 2026. Ao assumir a entidade, a nova gestão constatou a exclusão de arquivos contábeis e de informações sobre fornecedores referentes ao período de dezembro de 2023 a abril de 2026. Os dados foram recuperados, permitindo aos auditores reconstruir movimentações financeiras e examinar operações da administração anterior.
A diferença nos repasses mensais também passou a integrar a apuração. Conforme a atual direção, a Cedae transferia aproximadamente R$ 20 milhões por mês à entidade na gestão passada, enquanto o valor caiu para cerca de R$ 6 milhões após a mudança administrativa redução de aproximadamente 70%. A administração sustenta que os repasses anteriores superavam as necessidades de funcionamento. Essa comparação, contudo, não comprova por si só a ocorrência de desvios e deverá ser analisada junto aos demais registros.
Fundada em 1988, a Cedae Saúde atende aproximadamente 17 mil beneficiários, entre trabalhadores ativos, aposentados, pensionistas e dependentes. Além da assistência médica, a instituição atua em saúde ocupacional e segurança do trabalho, fornece medicamentos de uso contínuo e realiza exames admissionais e periódicos. Os indícios levantados pela auditoria colocam sob análise a gestão dos recursos destinados a esses serviços e as relações mantidas com fornecedores.
A fiscalização ocorreu no contexto do Decreto 50.254/2026, assinado pelo governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, que determinou a revisão de contratos de órgãos e empresas públicas estaduais. Com o envio do relatório ao Ministério Público, caberá ao órgão avaliar a necessidade de novas diligências, apurar possíveis responsabilidades e examinar medidas para eventual recuperação de valores. Os apontamentos da auditoria constituem indícios que ainda dependerão de investigação para determinar a existência e a extensão de eventuais ilícitos. As informações e do jornal O Globo
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