Região Nordeste
Polícia Federalidentifica repasse milionário de fundo ligado à Refit para empresa da família de Ciro Nogueira
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Investigação da Operação Sem Refino apura movimentações financeiras suspeitas envolvendo grupo acusado de fraudes bilionárias – Foto: Andressa Anholete/ Agência Senado
A Polícia Federal revelou, durante as investigações da Operação Sem Refino, a existência de uma transferência de R$ 14,2 milhões realizada por um fundo ligado ao grupo Refit para uma empresa pertencente à família do senador Ciro Nogueira. O caso está sendo acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e faz parte de um amplo inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e movimentações financeiras consideradas atípicas.
Segundo a PF, o valor teria sido enviado pelo fundo Athena, apontado pelos investigadores como uma das estruturas financeiras utilizadas pelo conglomerado empresarial controlado por Ricardo Magro. O empresário é considerado foragido da Justiça brasileira após ter mandado de prisão expedido no âmbito da operação. O nome dele também foi incluído na lista de procurados da Interpol.
De acordo com os investigadores, a transferência milionária chamou atenção pela falta de informações detalhadas sobre a negociação nos registros contábeis analisados pela PF. O senador Ciro Nogueira confirmou a operação financeira e afirmou que o valor corresponde à venda regular de um terreno em Teresina, destinado à implantação de uma distribuidora de combustíveis. Ele também declarou que sua participação societária na empresa era inferior a 1% no período da negociação.
A investigação aponta ainda que o fundo Athena recebe recursos de empresas ligadas ao grupo Refit e mantém conexões com holdings no exterior. A Polícia Federal suspeita que parte dessas estruturas financeiras tenha sido utilizada para ocultar movimentações consideradas irregulares. O grupo Refit é apontado pela Receita Federal como um dos maiores devedores tributários do Brasil, acumulando dívidas que ultrapassam R$ 26 bilhões.
Outro ponto que entrou na mira da PF envolve o ex-secretário-executivo da Casa Civil, Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, que atuou durante a gestão de Ciro Nogueira no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os investigadores identificaram repasses superiores a R$ 1,3 milhão feitos por empresas ligadas ao grupo Refit para contas relacionadas ao ex-assessor. Segundo o relatório policial, os valores eram rapidamente transferidos, comportamento considerado típico de empresas utilizadas apenas para circulação de recursos.
Em nota divulgada à imprensa, Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade e afirmou que a tentativa de associá-lo ao escândalo não possui fundamento. O senador declarou que a negociação ocorreu dentro da legalidade e afirmou confiar que as investigações irão comprovar a licitude da operação. Enquanto isso, a Polícia Federal segue aprofundando a análise das movimentações financeiras ligadas ao grupo investigado e seus possíveis vínculos políticos e empresariais. As informação e do jornal O Estado de São Paulo
Leia a íntegra da nota do senador Ciro Nogueira:
“O senador Ciro Nogueira lamenta as recorrentes tentativas de associá-lo a escândalos, as quais serão inevitavelmente frustradas, uma vez que não praticou nenhum ato irregular ou ilegal. Em relação ao caso em questão, esclarecemos que a empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis. O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado. Ressalte-se que a empresa da família do senador atua justamente no segmento imobiliário, na compra, venda e aluguel de imóveis. Informamos, ainda, que o senador atualmente sequer detém participação na empresa e que, na época do negócio, sua participação era inferior a 1%. O senador Ciro Nogueira manifesta sua total tranquilidade no que se refere a essas e outras insinuações. Ele destaca ser o principal interessado no esclarecimento dos fatos mencionados, acusações que surgem, estranhamente, em ano eleitoral com a clara intenção de desgastar sua imagem junto ao povo do Piauí.”
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Flávio Dino cobra explicações de Hugo Motta sobre viagem de Mario Frias em investigação envolvendo filme de Bolsonaro
STF pressiona Câmara após deputado ligado ao filme “Dark Horse” deixar o país durante investigação sobre emendas parlamentares – Foto: Gustavo Moreno/STF
O Supremo Tribunal Federal voltou a aumentar a pressão sobre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro após o ministro Flávio Dino exigir que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, explique em até 48 horas a viagem internacional do deputado federal Mario Frias. O parlamentar bolsonarista é alvo de investigação envolvendo o envio de milhões em emendas parlamentares para entidades ligadas à produção do filme “Dark Horse”, obra inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro.
Segundo a decisão judicial, Hugo Motta deverá esclarecer a situação funcional de Mario Frias e informar oficialmente qual o período autorizado para a viagem ao exterior. O deputado está atualmente no Bahrein e, conforme apontado pelo Supremo, permaneceu fora do alcance da Justiça por várias semanas enquanto tentativas de intimação eram realizadas.
A investigação foi provocada por uma ação protocolada pela deputada federal Tabata Amaral, que questiona o destino de emendas parlamentares enviadas para organizações consideradas suspeitas de atuar de forma interligada. A parlamentar pede que a Corte investigue possíveis irregularidades em repasses milionários destinados a entidades privadas ligadas ao setor cultural e audiovisual.
De acordo com os documentos apresentados ao STF, Mario Frias teria destinado cerca de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, entidade apontada como ligada à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada em Jair Bolsonaro. A ação também menciona outras instituições, como Academia Nacional de Cultura, Go Up Entertainment e Conhecer Brasil Assessoria, que estariam no centro da apuração sobre o uso das emendas parlamentares.
As denúncias apontam ainda que as organizações investigadas teriam relação direta com a produtora cultural Karina Ferreira da Gama, citada como uma das responsáveis pelo projeto cinematográfico. O caso ganhou maior repercussão após o STF determinar a intimação não apenas de Mario Frias, mas também dos deputados federais Bia Kicis e Marcos Pollon, mencionados na ação que tramita na Corte.
Outro ponto levantado na denúncia envolve repasses feitos à ONG Academia Nacional de Cultura. Segundo os autos, a entidade teria recebido aproximadamente R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares indicadas por políticos aliados do bolsonarismo, incluindo Alexandre Ramagem, Bia Kicis, Marcos Pollon e Carla Zambelli.
O caso voltou a ganhar força nos bastidores políticos após a divulgação de um áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro. Na gravação, o parlamentar aparece cobrando apoio financeiro do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para viabilizar a produção do filme “Dark Horse”. A nova ofensiva do STF amplia a pressão sobre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e coloca novamente no centro do debate o uso de dinheiro público em projetos ligados ao núcleo bolsonarista.
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