Região Nordeste
MP aciona Prefeitura do Recife e concessionária por supostas irregularidades em parques públicos
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Ação pede reconstrução de pista de bicicross, questiona publicidade de apostas e cobra preservação da função social dos espaços – Foto: Acervo/TV Globo
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) ingressou com uma ação civil pública contra a Prefeitura do Recife e a concessionária Viva Parques, alegando uma série de irregularidades na administração dos parques Jaqueira, Santana, Dona Lindu e Apipucos. A ação busca responsabilizar os envolvidos por danos morais coletivos e por supostos descumprimentos do contrato de concessão firmado para a gestão dos espaços públicos.
Segundo o MPPE, a principal controvérsia envolve a demolição da tradicional pista de bicicross do Parque da Jaqueira, existente há mais de quatro décadas. Para o órgão, a estrutura possuía valor esportivo, histórico e cultural, sendo parte da identidade do parque e da cidade do Recife.
Na ação, o Ministério Público pede que a Justiça determine a reconstrução da pista com as mesmas características anteriores, além de exigir que futuras intervenções que alterem equipamentos públicos sejam precedidas de consultas e participação popular.
Os promotores sustentam que a substituição da pista por um projeto voltado à exploração gastronômica altera a finalidade original do parque e privilegia interesses comerciais em detrimento do acesso gratuito e democrático da população ao espaço público.
Outro ponto destacado é a realização de eventos pagos em áreas dos parques. O MPPE argumenta que festivais e atividades com cobrança de ingressos criam restrições temporárias de acesso, contrariando o princípio de uso livre dos equipamentos públicos e limitando o direito da população de usufruir dos espaços.
A ação também questiona a instalação de publicidade considerada irregular dentro do Parque da Jaqueira, especialmente anúncios de casas de apostas esportivas. Segundo o Ministério Público, esse tipo de propaganda seria incompatível com um ambiente frequentado diariamente por crianças, adolescentes e famílias.
Além disso, o órgão aponta que parte das peças publicitárias teria sido instalada em área de proteção patrimonial sem as autorizações necessárias dos órgãos responsáveis, o que poderia representar violação das normas urbanísticas e ambientais vigentes.
O MPPE também pede a anulação de dispositivos do regulamento de uso dos parques que restringem manifestações políticas, reuniões públicas e cultos religiosos. Na avaliação das promotoras, tais limitações afrontam direitos garantidos pela Constituição Federal e extrapolam as competências de uma concessionária privada.
Na esfera financeira, o Ministério Público solicita que a Prefeitura do Recife instaure procedimento administrativo para apurar eventual descumprimento contratual por parte da empresa responsável pela concessão. O valor atribuído à causa é de aproximadamente R$ 6 milhões.
Em resposta, a Viva Parques informou que ainda não havia sido formalmente citada pela Justiça, mas afirmou que todas as intervenções foram realizadas dentro dos procedimentos administrativos previstos, em diálogo com os órgãos públicos e acompanhadas por estudos técnicos. A empresa também defendeu que os investimentos ampliaram a infraestrutura esportiva e mantiveram o acesso gratuito aos parques.
Já a Prefeitura do Recife declarou que irá analisar os questionamentos apresentados pelo Ministério Público no âmbito da ação judicial. A administração municipal ressaltou que os parques continuam sendo patrimônio público e afirmou que a concessão envolve apenas a gestão dos serviços e investimentos, permanecendo sob fiscalização do município.
O caso agora seguirá sob análise da Justiça pernambucana. A Vara da Fazenda Pública responsável pelo processo concedeu prazo para que Prefeitura e concessionária apresentem suas manifestações antes de decidir sobre os pedidos de liminar formulados pelo Ministério Público.
Região Nordeste
Janaína Andrade assume comando do MPF na Paraíba e entra para a história como 1ª mulher a chefiar a instituição
Nova procuradora-chefe inicia mandato para o biênio 2026-2028 com o compromisso de fortalecer a defesa dos direitos da sociedade – Foto: TV Cabo Branco
A procuradora Janaína Andrade de Sousa foi empossada em João Pessoa, como nova procuradora-chefe do Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba. A cerimônia marcou um momento histórico para a instituição, já que ela se tornou a primeira mulher a assumir o cargo máximo da unidade estadual desde a criação do órgão no estado.
O mandato de Janaína terá duração de dois anos, abrangendo o período de 2026 a 2028. Na mesma solenidade, o procurador Yordan Moreira Delgado tomou posse como procurador-chefe substituto, passando a integrar a nova administração do MPF paraibano.
Durante seu discurso de posse, Janaína destacou a importância da representatividade feminina no comando da instituição e afirmou que assume a função com grande senso de responsabilidade. Segundo ela, o objetivo será manter o Ministério Público Federal próximo da sociedade e comprometido com a promoção da justiça e da cidadania.
À frente do MPF na Paraíba, a procuradora será responsável por coordenar as atividades da instituição em áreas estratégicas, incluindo o combate à corrupção, a defesa do patrimônio público, a proteção dos direitos humanos, a preservação do meio ambiente e a fiscalização da correta aplicação de recursos públicos federais.
Antes de assumir a chefia, Janaína Andrade construiu uma trajetória voltada à defesa dos direitos da população. Ela atuou como Procuradora Regional dos Direitos do Cidadão, participando de ações relacionadas à proteção de grupos vulneráveis e ao fortalecimento das garantias constitucionais.
Ao longo da carreira, também esteve envolvida em iniciativas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, à promoção da igualdade de gênero e ao aperfeiçoamento de políticas públicas. Agora, à frente do MPF na Paraíba, inicia uma nova etapa com o desafio de fortalecer a atuação institucional em benefício da sociedade.
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