Região Nordeste
ALPB terá 75% de deputados brancos em 2027 e registra queda na representação negra após eleições
Região Nordeste
Nova composição da ALPB revela redução de parlamentares pretos e pardos – Foto: Foto: divulgação/ ALPB
A nova formação da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), definida nas eleições de 2026, apresenta um cenário de redução da diversidade racial no Parlamento estadual. Dos 36 deputados eleitos para a próxima legislatura, 27 se declararam brancos, seis pardos e três pretos. Os números mostram que 75% das cadeiras serão ocupadas por parlamentares brancos, enquanto a participação de representantes negros, considerando pretos e pardos, ficará limitada a 25%.
O resultado representa um recuo na presença de deputados negros em comparação com a composição escolhida pelos eleitores em 2022. Naquela eleição, 13 parlamentares se identificaram como pretos ou pardos, correspondendo a aproximadamente 36% da Assembleia. Agora, esse número caiu para nove, uma diferença de quatro cadeiras e de cerca de 11 pontos percentuais na representação racial.
Outro aspecto que se destaca nos registros eleitorais é a alteração na identificação racial de três deputados que conquistaram a reeleição. Chió (PV), Felipe Leitão (MDB) e João Paulo Segundo (PP), que haviam declarado ser pardos em 2022, passaram a se identificar como brancos nas eleições de 2026. A mudança ocorre em um contexto no qual a autodeclaração racial também possui importância para as políticas de financiamento das candidaturas.
A identificação de cor ou raça informada à Justiça Eleitoral é um dos instrumentos utilizados para acompanhar a participação de diferentes grupos sociais nas disputas políticas. Embora a autodeclaração seja um direito individual, as alterações registradas entre eleições levantam discussões sobre a consistência dos dados e a necessidade de transparência nos mecanismos destinados a ampliar a diversidade nos espaços de poder.
As regras de financiamento das campanhas também fazem parte desse debate. Para as eleições de 2026, a legislação estabelece uma reserva mínima de 30% dos recursos públicos de campanha para candidaturas de pessoas pretas e pardas. A medida busca enfrentar desigualdades históricas no acesso ao financiamento eleitoral e oferecer melhores condições de participação política a grupos que tradicionalmente enfrentam dificuldades para conquistar representação parlamentar.
Apesar dos mecanismos de incentivo, o resultado das urnas na Paraíba mostra que a ampliação do acesso aos recursos não garante, isoladamente, o crescimento da presença negra nos cargos eletivos. A distribuição do financiamento, o apoio efetivo das direções partidárias, a estrutura das campanhas e a visibilidade dos candidatos são fatores que podem influenciar as possibilidades de eleição.
Entre os parlamentares eleitos que se declararam pretos estão Cida Ramos (PT), Jô Oliveira (PCdoB) e Nilvan Ferreira (PL). Já o grupo de deputados pardos reúne Mané Buchada (PL), Fábio Ramalho (MDB), Júnior Araújo (PP), Jutay Meneses (Republicanos), Maria Porto (União) e Tibério Limeira (PSB), conforme a relação apresentada. A composição reúne representantes de diferentes partidos, evidenciando que a questão racial ultrapassa as divisões ideológicas e envolve o conjunto do sistema político.
A redução da bancada negra coloca a representatividade racial entre os temas que merecem atenção na próxima legislatura da Assembleia Legislativa da Paraíba. Mais do que uma questão estatística, a composição do Parlamento provoca reflexões sobre as oportunidades de acesso aos cargos públicos e sobre a presença de diferentes segmentos da sociedade nas decisões políticas. O desafio para os partidos e instituições será avaliar se as políticas de incentivo estão produzindo resultados efetivos e quais medidas podem contribuir para uma representação mais diversa nas próximas eleições.
Região Nordeste
Ana Elisa denuncia incêndio em universidade de Pernambuco e alerta para possíveis ataques à democracia brasileira
Deputada federal eleita por Minas Gerais relembra os 21 anos de ditadura militar, critica o resultado das eleições presidenciais – Foto: Instagram/ Ana Eliza
A deputada federal eleita por Minas Gerais, Ana Elisa (PT), denunciou o incêndio que atingiu instalações de pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, após estudantes promoverem manifestações em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O episódio provocou preocupação e levantou questionamentos sobre uma possível ligação entre o ocorrido e o ambiente de tensão política no país.
Ao comentar o caso, Ana Elisa fez duras críticas ao cenário político brasileiro e relembrou os 21 anos de ditadura militar, período em que o país enfrentou censura, perseguições políticas e restrições às liberdades democráticas. Para a parlamentar eleita, o Brasil precisa estar atento a qualquer manifestação de violência que possa ameaçar direitos conquistados ao longo de décadas.
A deputada também demonstrou indignação com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (4). Em sua manifestação, classificou como fascista o candidato que terminou a votação em primeiro lugar, fazendo uma associação entre o avanço de movimentos autoritários e os riscos que, em sua avaliação, a democracia brasileira enfrenta.
Ana Elisa destacou a participação dos jovens nas manifestações políticas e afirmou que a mobilização estudantil representa uma importante expressão da democracia. Entretanto, demonstrou preocupação com o fato de o incêndio ter ocorrido logo após os protestos em apoio a Lula, levantando suspeitas que ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.
O incêndio atingiu uma estrutura da UFPE utilizada para atividades científicas e acadêmicas, provocando danos materiais e comprometendo pesquisas desenvolvidas na instituição. A destruição de equipamentos e instalações também representa um prejuízo para a produção de conhecimento e para os profissionais e estudantes envolvidos nos projetos.
Em sua crítica, Ana Elisa afirmou que movimentos fascistas historicamente recorrem à intimidação e à violência contra aqueles que expressam opiniões contrárias. A deputada relacionou essa preocupação ao atual momento político brasileiro, defendendo que a liberdade de manifestação deve ser preservada independentemente das posições partidárias.
Apesar das suspeitas levantadas após o episódio, ainda não há comprovação de que o incêndio tenha sido criminoso ou provocado por motivações políticas. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do ocorrido e identificar eventuais responsáveis, evitando conclusões antecipadas sobre a origem do fogo.
O caso reacendeu discussões sobre intolerância política, segurança nas universidades e respeito às instituições democráticas. Para Ana Elisa, a sociedade brasileira não pode permitir que divergências eleitorais se transformem em ameaças à liberdade de expressão, especialmente em um momento decisivo para o futuro político do país.
-
Região Sudeste5 dias atrásEduardo Paes acusa Garotinho de manobra para favorecer Douglas Ruas e impedir segundo turno no Rio de Janeiro
-
Política Destaque7 dias atrásLula endurece discurso após primeiro turno, mira Flávio Bolsonaro e promete colocar biografias, suspeitas e projetos frente a frente
-
Região Sudeste6 dias atrásPL amplia força no Senado, elege 19 nomes e terá bancada de 28 parlamentares a partir de 2027
-
Política Destaque5 dias atrásLula e Alckmin pretendem ampliar diálogo com lideranças e setores que não querem ver o Brasil “entregue às milícias” no segundo turno




