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Governo Trump revoga visto da embaixadora do Brasil nos EUA e amplia tensão diplomática com Brasília

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Medida ocorre em meio ao impasse sobre a indicação do novo embaixador norte-americano – Foto: Rick Bajornas/ UN/ Divulgação

A relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo de tensão nesta terça-feira (4), após o governo do presidente Donald Trump decidir revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão foi interpretada como uma resposta direta ao impasse envolvendo a nomeação do novo representante norte-americano em Brasília.

Segundo informações divulgadas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, a medida está ligada à demora do governo brasileiro em conceder o chamado agrément autorização diplomática obrigatória para que Daniel Perez assuma oficialmente a chefia da embaixada dos EUA no Brasil. Sem essa aprovação, o indicado não pode exercer o cargo.

Fontes do governo norte-americano afirmam que a administração Trump considera injustificada a demora brasileira e sustenta que autoridades de Brasília teriam sinalizado que a autorização somente seria analisada após as eleições presidenciais brasileiras. Diante desse cenário, Washington adotou o princípio da reciprocidade e não descartou novas medidas diplomáticas caso o impasse permaneça.

Maria Luiza Viotti é uma das diplomatas mais experientes da carreira brasileira. Embaixadora em Washington desde 2023, ela acumulou passagens por postos estratégicos, como a representação permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU) e a embaixada brasileira na Alemanha, além de ocupar cargos de destaque no Ministério das Relações Exteriores.

O desgaste entre os dois países, entretanto, já vinha se intensificando nas últimas semanas. Recentemente, o Itamaraty negou a emissão de vistos para dois integrantes do Departamento de Estado norte-americano que participariam de uma missão oficial no Brasil, decisão que aumentou o clima de desconfiança entre os governos.

Os dois representantes dos Estados Unidos haviam sido citados em reportagens da imprensa internacional sobre discussões relacionadas ao sistema eleitoral brasileiro. Washington, por sua vez, negou qualquer intenção de interferência no processo eleitoral e afirmou que a agenda da missão incluiria temas como liberdade religiosa, liberdade de expressão e integridade eleitoral.

Em nota oficial, o Departamento de Estado declarou que a reciprocidade continuará sendo adotada nas relações diplomáticas. O governo norte-americano afirmou que espera condições adequadas para que seus representantes atuem no Brasil e indicou que novas restrições poderão ser aplicadas caso não haja avanço nas negociações envolvendo a indicação do embaixador.

A revogação do visto de Maria Luiza Viotti representa mais um episódio de desgaste nas relações entre Brasília e Washington e evidencia o aumento da tensão diplomática entre os dois países. Nos bastidores, autoridades acompanham a evolução da crise e avaliam que uma solução dependerá da retomada das negociações entre os governos para evitar novos impactos nas relações bilaterais.

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Sequência de publicações de Trump no Truth Social provoca reação e pedidos por afastamento nos EUA

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Sequência de conteúdos publicados no Truth Social provocou reação de perfis opositores, que passaram a questionar a capacidade do presidente – Foto: Reprodução/ IA

Uma série de publicações feitas por Donald Trump no Truth Social durante o último domingo provocou forte repercussão entre críticos do presidente dos Estados Unidos. Imagens e vídeos, vários deles aparentemente produzidos com inteligência artificial, retratavam Trump em situações fictícias e levaram perfis políticos nas redes sociais a defender a aplicação da 25ª Emenda da Constituição americana. Até o momento, porém, a iniciativa não foi apresentada formalmente por integrantes do governo ou membros do Congresso.

Entre os conteúdos divulgados estavam montagens que mostravam Trump comandando um grupo de robôs, participando de uma reunião fictícia com George Washington e até iniciando uma guerra nuclear a partir do espaço. Algumas das publicações foram posteriormente retiradas da plataforma. Em outra montagem, o presidente aparecia ao lado de robôs acompanhados de mensagens de tom ameaçador, sem apresentar qualquer explicação sobre o contexto das imagens.

A sequência também incluiu vídeos relacionados a outros países. Um deles simulava uma ofensiva militar norte-americana contra a ilha iraniana de Kharg, considerada estratégica para as exportações de petróleo do Irã. Outra publicação mostrava Trump mudando ficticiamente o nome do estado do Novo México para “Nova América”. Houve ainda uma montagem envolvendo o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante uma partida de hóquei, além de uma imagem na qual o território iraniano era atingido por um martelo com as cores da bandeira dos Estados Unidos.

O conteúdo rapidamente virou alvo de críticas. Perfis como Call to Activism e Republicans Against Trump defenderam publicamente o uso da 25ª Emenda, enquanto o influenciador Harry Sisson questionou o comportamento do presidente nas redes sociais. As manifestações, entretanto, representam avaliações políticas dos autores das postagens. Não foi apresentado diagnóstico médico que permita concluir, a partir dessas publicações, que Trump esteja incapacitado para exercer a Presidência.

A 25ª Emenda estabelece mecanismos para situações em que um presidente seja considerado incapaz de cumprir as funções do cargo. Pela Seção 4, o vice-presidente e a maioria dos principais integrantes do Executivo podem comunicar formalmente essa incapacidade ao Congresso. Se o presidente contestar a medida e seus integrantes mantiverem a posição, caberá ao Legislativo decidir. Para manter o vice-presidente como presidente em exercício, seria necessária uma maioria de dois terços tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, tornando o procedimento politicamente difícil sem amplo apoio institucional.

A repercussão ocorre em meio ao elevado volume de publicações de Trump nas redes sociais. Segundo levantamento divulgado pelo Daily Beast, o presidente publicou mais de mil mensagens no Truth Social somente durante agosto, incluindo postagens realizadas durante a madrugada. O veículo também informou que a assessora Natalie Harp, que auxilia Trump com conteúdos digitais, foi vista com um tablet durante a passagem do presidente pelo Trump National Golf Club, em Nova Jersey. Não há confirmação, contudo, de que ela tenha produzido ou publicado as montagens que provocaram a nova controvérsia. As informações são do site norte-americano The Daily Beast.

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