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Sequência de publicações de Trump no Truth Social provoca reação e pedidos por afastamento nos EUA
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Sequência de conteúdos publicados no Truth Social provocou reação de perfis opositores, que passaram a questionar a capacidade do presidente – Foto: Reprodução/ IA
Uma série de publicações feitas por Donald Trump no Truth Social durante o último domingo provocou forte repercussão entre críticos do presidente dos Estados Unidos. Imagens e vídeos, vários deles aparentemente produzidos com inteligência artificial, retratavam Trump em situações fictícias e levaram perfis políticos nas redes sociais a defender a aplicação da 25ª Emenda da Constituição americana. Até o momento, porém, a iniciativa não foi apresentada formalmente por integrantes do governo ou membros do Congresso.
Entre os conteúdos divulgados estavam montagens que mostravam Trump comandando um grupo de robôs, participando de uma reunião fictícia com George Washington e até iniciando uma guerra nuclear a partir do espaço. Algumas das publicações foram posteriormente retiradas da plataforma. Em outra montagem, o presidente aparecia ao lado de robôs acompanhados de mensagens de tom ameaçador, sem apresentar qualquer explicação sobre o contexto das imagens.
A sequência também incluiu vídeos relacionados a outros países. Um deles simulava uma ofensiva militar norte-americana contra a ilha iraniana de Kharg, considerada estratégica para as exportações de petróleo do Irã. Outra publicação mostrava Trump mudando ficticiamente o nome do estado do Novo México para “Nova América”. Houve ainda uma montagem envolvendo o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante uma partida de hóquei, além de uma imagem na qual o território iraniano era atingido por um martelo com as cores da bandeira dos Estados Unidos.
O conteúdo rapidamente virou alvo de críticas. Perfis como Call to Activism e Republicans Against Trump defenderam publicamente o uso da 25ª Emenda, enquanto o influenciador Harry Sisson questionou o comportamento do presidente nas redes sociais. As manifestações, entretanto, representam avaliações políticas dos autores das postagens. Não foi apresentado diagnóstico médico que permita concluir, a partir dessas publicações, que Trump esteja incapacitado para exercer a Presidência.
A 25ª Emenda estabelece mecanismos para situações em que um presidente seja considerado incapaz de cumprir as funções do cargo. Pela Seção 4, o vice-presidente e a maioria dos principais integrantes do Executivo podem comunicar formalmente essa incapacidade ao Congresso. Se o presidente contestar a medida e seus integrantes mantiverem a posição, caberá ao Legislativo decidir. Para manter o vice-presidente como presidente em exercício, seria necessária uma maioria de dois terços tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, tornando o procedimento politicamente difícil sem amplo apoio institucional.
A repercussão ocorre em meio ao elevado volume de publicações de Trump nas redes sociais. Segundo levantamento divulgado pelo Daily Beast, o presidente publicou mais de mil mensagens no Truth Social somente durante agosto, incluindo postagens realizadas durante a madrugada. O veículo também informou que a assessora Natalie Harp, que auxilia Trump com conteúdos digitais, foi vista com um tablet durante a passagem do presidente pelo Trump National Golf Club, em Nova Jersey. Não há confirmação, contudo, de que ela tenha produzido ou publicado as montagens que provocaram a nova controvérsia. As informações são do site norte-americano The Daily Beast.
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Cúpula dos BRICS em Nova Déli pode marcar nova fase do bloco após expansão e chegada de novos membros
Encontro terá Índia nas articulações e deve priorizar integração econômica, autonomia estratégica e fortalecimento dos mecanismos de cooperação – Foto: Ricardo Stuckert
A reunião de líderes dos BRICS, marcada para os dias 12 e 13 de setembro, em Nova Déli, deverá colocar no centro das discussões o futuro do agrupamento após o processo de ampliação dos últimos anos. Com novos países incorporados à articulação, o desafio passa a ser transformar o aumento da representatividade econômica e política em iniciativas concretas. O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, diante da ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa é que o encontro avance além do debate sobre a entrada de novos integrantes. Entre os assuntos considerados estratégicos estão financiamento para o desenvolvimento, ampliação do comércio, utilização de moedas nacionais nas transações, integração financeira, infraestrutura, energia, segurança alimentar, ciência, tecnologia e inteligência artificial. A intenção é fortalecer instrumentos capazes de aumentar a cooperação entre economias que possuem interesses e realidades bastante diferentes.
A Índia terá papel decisivo nessa articulação. Sob a liderança do primeiro-ministro Narendra Modi, o país procura manter relações relevantes com diferentes polos internacionais, preservando ao mesmo tempo sua autonomia diplomática. Nova Déli mantém laços históricos com Moscou, busca administrar as divergências com Pequim e também possui relações econômicas e estratégicas importantes com Estados Unidos e países europeus. Essa postura pode contribuir para evitar que os BRICS sejam caracterizados como uma aliança de confronto com o Ocidente.
Outro ponto de atenção será a relação entre Índia e China. A participação de Xi Jinping ganha importância diante dos recentes movimentos de aproximação entre os dois gigantes asiáticos, apesar das disputas acumuladas ao longo dos últimos anos. A capacidade de Nova Déli e Pequim de manter canais de cooperação dentro dos BRICS, mesmo diante de interesses concorrentes em outras áreas, será fundamental para o funcionamento de um agrupamento cada vez maior e mais diversificado.
A Rússia, liderada por Vladimir Putin, também ocupa posição relevante nesse cenário, principalmente pelo fortalecimento de suas relações econômicas com países asiáticos e outras nações do Sul Global. Paralelamente, instituições já criadas pelo bloco, como o Novo Banco de Desenvolvimento, presidido por Dilma Rousseff, aparecem como exemplo de como decisões políticas podem ser convertidas em mecanismos efetivos de financiamento. A expansão de instrumentos semelhantes poderá definir a capacidade dos BRICS de exercer influência prática na economia internacional.
Para o Brasil, o encontro representa uma oportunidade de defender uma atuação baseada no multilateralismo e na autonomia estratégica. A principal questão em Nova Déli deverá ser menos o tamanho do agrupamento e mais sua capacidade de funcionar de forma coordenada. Depois de ampliar sua presença mundial, os BRICS entram em uma etapa na qual integração dos novos integrantes, fortalecimento institucional e resultados econômicos concretos serão fundamentais para determinar o peso político do bloco nos próximos anos.
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