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Cuba calcula prejuízo de US$ 8,1 bilhões com bloqueio dos EUA e denuncia agravamento da crise na ilha

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Governo cubano afirma que restrições atingem energia, saúde, agricultura e transporte e cobra fim das sanções norte-americanas – Foto: Chancelaria cubana/ Granma

O governo de Cuba estima que as restrições econômicas, comerciais e financeiras impostas pelos Estados Unidos provocaram perdas de aproximadamente US$ 8,083 bilhões entre março de 2025 e fevereiro de 2026. O valor, apresentado pelo chanceler Bruno Rodríguez Parrilla, representa crescimento de 7% em relação ao período anterior e, segundo Havana, reflete principalmente as dificuldades para obter combustíveis, alimentos, medicamentos, equipamentos e outros produtos no mercado internacional.

A crise energética aparece entre os principais problemas apontados pelas autoridades cubanas. De acordo com o relatório, somente nesse setor as perdas chegaram a US$ 802,3 milhões. A falta de combustível teria impedido o funcionamento de aproximadamente 1.400 megawatts de capacidade instalada, contribuindo para apagões prolongados e afetando também serviços que dependem diretamente da eletricidade, como sistemas de abastecimento de água.

Os impactos também são considerados graves na rede de saúde. O governo cubano calcula prejuízos de US$ 367,3 milhões e afirma que mais de 95% dos equipamentos médicos apresentam algum nível de precariedade. Cerca de 100 mil pacientes estariam aguardando procedimentos cirúrgicos, incluindo aproximadamente 12 mil crianças. Segundo Rodríguez Parrilla, houve situações em que profissionais precisaram concluir cirurgias utilizando iluminação de equipamentos recarregáveis ou de celulares durante interrupções no fornecimento de energia.

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Na agricultura, as perdas informadas chegam a US$ 848 milhões. A escassez de combustível e eletricidade teria reduzido drasticamente o tempo disponível para irrigação das lavouras, além de prejudicar o transporte e a distribuição de alimentos. O documento também aponta prejuízos em outros setores, entre eles turismo, cultura, telecomunicações, educação e transporte.

O chanceler cubano também questionou o anúncio de US$ 100 milhões em ajuda humanitária feito pelos Estados Unidos. Segundo Rodríguez Parrilla, apenas uma pequena parcela do auxílio teria chegado efetivamente ao país, com alimentos e produtos de higiene destinados a cerca de 700 famílias. O governo de Cuba afirma estar disposto a receber assistência internacional, mas sustenta que qualquer operação deve respeitar as normas internacionais de cooperação e a soberania do país.

A disputa entre Havana e Washington deverá voltar ao centro do debate internacional em outubro, quando a Assembleia Geral das Nações Unidas deve analisar uma nova resolução relacionada ao fim das sanções contra Cuba. O governo cubano afirma que as perdas acumuladas chegam a US$ 178,7 bilhões em valores correntes e responsabiliza as medidas norte-americanas pelo agravamento de problemas enfrentados pela população. Os números, contudo, são estimativas elaboradas pelo próprio governo de Cuba e apresentadas dentro de sua campanha internacional pelo encerramento das restrições.

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Sequência de publicações de Trump no Truth Social provoca reação e pedidos por afastamento nos EUA

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Sequência de conteúdos publicados no Truth Social provocou reação de perfis opositores, que passaram a questionar a capacidade do presidente – Foto: Reprodução/ IA

Uma série de publicações feitas por Donald Trump no Truth Social durante o último domingo provocou forte repercussão entre críticos do presidente dos Estados Unidos. Imagens e vídeos, vários deles aparentemente produzidos com inteligência artificial, retratavam Trump em situações fictícias e levaram perfis políticos nas redes sociais a defender a aplicação da 25ª Emenda da Constituição americana. Até o momento, porém, a iniciativa não foi apresentada formalmente por integrantes do governo ou membros do Congresso.

Entre os conteúdos divulgados estavam montagens que mostravam Trump comandando um grupo de robôs, participando de uma reunião fictícia com George Washington e até iniciando uma guerra nuclear a partir do espaço. Algumas das publicações foram posteriormente retiradas da plataforma. Em outra montagem, o presidente aparecia ao lado de robôs acompanhados de mensagens de tom ameaçador, sem apresentar qualquer explicação sobre o contexto das imagens.

A sequência também incluiu vídeos relacionados a outros países. Um deles simulava uma ofensiva militar norte-americana contra a ilha iraniana de Kharg, considerada estratégica para as exportações de petróleo do Irã. Outra publicação mostrava Trump mudando ficticiamente o nome do estado do Novo México para “Nova América”. Houve ainda uma montagem envolvendo o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante uma partida de hóquei, além de uma imagem na qual o território iraniano era atingido por um martelo com as cores da bandeira dos Estados Unidos.

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O conteúdo rapidamente virou alvo de críticas. Perfis como Call to Activism e Republicans Against Trump defenderam publicamente o uso da 25ª Emenda, enquanto o influenciador Harry Sisson questionou o comportamento do presidente nas redes sociais. As manifestações, entretanto, representam avaliações políticas dos autores das postagens. Não foi apresentado diagnóstico médico que permita concluir, a partir dessas publicações, que Trump esteja incapacitado para exercer a Presidência.

A 25ª Emenda estabelece mecanismos para situações em que um presidente seja considerado incapaz de cumprir as funções do cargo. Pela Seção 4, o vice-presidente e a maioria dos principais integrantes do Executivo podem comunicar formalmente essa incapacidade ao Congresso. Se o presidente contestar a medida e seus integrantes mantiverem a posição, caberá ao Legislativo decidir. Para manter o vice-presidente como presidente em exercício, seria necessária uma maioria de dois terços tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, tornando o procedimento politicamente difícil sem amplo apoio institucional.

A repercussão ocorre em meio ao elevado volume de publicações de Trump nas redes sociais. Segundo levantamento divulgado pelo Daily Beast, o presidente publicou mais de mil mensagens no Truth Social somente durante agosto, incluindo postagens realizadas durante a madrugada. O veículo também informou que a assessora Natalie Harp, que auxilia Trump com conteúdos digitais, foi vista com um tablet durante a passagem do presidente pelo Trump National Golf Club, em Nova Jersey. Não há confirmação, contudo, de que ela tenha produzido ou publicado as montagens que provocaram a nova controvérsia. As informações são do site norte-americano The Daily Beast.

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