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MP Eleitoral pressiona TSE para reconhecer cassação da chapa de Cláudio Castro após julgamento por abuso nas eleições
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Recurso aponta contradição em decisão da Corte e reacende debate sobre punição a ex-governador do Rio.
O Ministério Público Eleitoral voltou a aumentar a pressão sobre o Tribunal Superior Eleitoral ao questionar oficialmente o resultado do julgamento que condenou o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, por abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022. O órgão afirma que existe uma contradição no entendimento apresentado pela Corte, já que parte dos ministros teria votado pela cassação da chapa, mas o resultado final não deixou essa punição claramente registrada.
O recurso foi apresentado pelo vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, que cobra do TSE uma correção formal no resumo da decisão para que fique explícito que houve maioria favorável à cassação dos diplomas eleitorais de Cláudio Castro e do então vice-governador, Thiago Pampolha. Segundo o Ministério Público, a omissão pode gerar insegurança jurídica e enfraquecer o alcance da punição aplicada pela Justiça Eleitoral.
De acordo com o entendimento apresentado pelo MP, três ministros teriam defendido diretamente a cassação da chapa, enquanto outros dois consideraram apenas prejudicada a perda do mandato em razão das renúncias dos cargos, sem afastar a possibilidade de cassação do diploma. Apenas dois integrantes da Corte votaram contra a medida mais dura.
O Ministério Público sustenta que a cassação do diploma possui efeito diferente da simples perda do mandato. Na avaliação do órgão, mesmo após a renúncia ao cargo, a Justiça Eleitoral ainda pode reconhecer a ilegalidade da eleição e invalidar formalmente o resultado das urnas quando houver comprovação de abuso político e econômico.
O recurso também faz um alerta sobre o risco de se criar uma espécie de “atalho jurídico” para escapar das consequências eleitorais. Para os procuradores, permitir que a saída antecipada do cargo impeça punições mais severas abriria espaço para manobras políticas e enfraqueceria o combate ao uso indevido da máquina pública em períodos eleitorais.
A ação envolve acusações de utilização da estrutura do governo estadual durante o processo eleitoral de 2022. As investigações apontaram aumento expressivo de contratações temporárias, ampliação de despesas públicas e outras medidas consideradas eleitoreiras com potencial de influenciar o resultado da disputa no Rio de Janeiro.
O caso também atingiu o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, citado no processo eleitoral e que atualmente enfrenta problemas judiciais em outra investigação. O parlamentar é alvo de acusações relacionadas ao vazamento de informações sigilosas de uma operação policial envolvendo integrantes do crime organizado.
Além da disputa no TSE, o impasse político segue no Supremo Tribunal Federal, onde ministros analisam qual deverá ser o modelo de escolha do futuro governador do Rio de Janeiro em caso de vacância definitiva: eleição direta pela população ou escolha indireta pela Assembleia Legislativa. O julgamento segue suspenso e ainda não há previsão para retomada da análise.
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STF mantém prisão de Thiago Rangel e impede Alerj de votar soltura do deputado investigado pela Polícia Federal
Decisão unânime da Primeira Turma reforça permanência do parlamentar na cadeia e amplia crise política na Assembleia do Rio – Foto: IA
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, manter a prisão preventiva do deputado estadual Thiago Rangel e impedir que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro tenha poder para votar a revogação da medida. A decisão fortalece a atuação da Justiça no combate aos esquemas investigados pela Polícia Federal envolvendo contratos da área da educação no estado.
O relator do caso, Alexandre de Moraes, já havia determinado a continuidade da prisão do parlamentar e deixou claro que a manutenção da custódia não dependeria de autorização ou votação interna da Alerj. Nesta quinta-feira, os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia acompanharam integralmente o entendimento do relator, formando maioria absoluta na Corte.
Thiago Rangel foi preso na última terça-feira durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de irregularidades milionárias em contratos firmados pela Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, incluindo possíveis fraudes na compra de materiais e contratação de serviços públicos.
A decisão do STF também representa um duro recado à classe política fluminense, especialmente após episódios recentes em que parlamentares tentaram utilizar a própria Assembleia para derrubar medidas judiciais. O entendimento da Corte sinaliza que o Legislativo estadual não poderá interferir automaticamente em decisões cautelares determinadas pelo Judiciário em casos considerados graves.
O episódio relembra outro escândalo recente envolvendo o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. No ano passado, deputados chegaram a votar pela revogação da prisão do parlamentar, que havia sido alvo da mesma operação policial por suspeita de vazamento de informações sigilosas relacionadas às investigações sobre o deputado conhecido como TH Joias.
Mesmo após aquela votação na Assembleia, Bacellar voltou a ser preso meses depois, após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral. O caso ganhou repercussão nacional por envolver denúncias ligadas ao chamado escândalo do Ceperj, um dos maiores alvos de investigações sobre supostos desvios de recursos públicos no Rio de Janeiro.
Com a nova decisão da Suprema Corte, cresce a pressão sobre setores políticos ligados ao grupo investigado, enquanto o STF reforça o entendimento de que a gravidade das acusações e os riscos apontados pela investigação justificam a manutenção da prisão preventiva do deputado Thiago Rangel.
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