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Governador em exercício, Ricardo Couto amplia cortes e exonera mais 93 nomes na Secretaria de Governo do Rio de Janeiro
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Pacote de cortes atinge Casa Civil e Secretaria de Governo e expõe estrutura inchada – Foto: Reprodução/ TV Globo
O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, intensificou o processo de enxugamento da máquina pública e publicou uma nova leva de exonerações que elevou para mais de 540 o número de demissões em menos de 30 dias de gestão. A medida atinge principalmente cargos comissionados ligados à Casa Civil e à Secretaria de Governo, áreas consideradas estratégicas dentro do Palácio Guanabara.
A decisão faz parte de um plano mais amplo de reorganização administrativa que, na prática, escancara o tamanho da estrutura herdada. Entre os exonerados estão servidores que haviam disputado eleições municipais, não conseguiram se eleger e acabaram alocados em funções distantes de suas cidades de origem — um movimento que levanta questionamentos sobre uso político da máquina pública.
Nos bastidores, a avaliação é de que o corte vai além de um simples ajuste administrativo e revela uma tentativa de romper com práticas consideradas comuns em gestões anteriores, como a manutenção de cargos por indicação política. A meta do governo é reduzir cerca de 40% dos postos existentes nessas duas secretarias, o que pode resultar na eliminação de aproximadamente 1,6 mil cargos.
Além da redução de pessoal, a gestão aposta no impacto financeiro das medidas. A estimativa oficial aponta para uma economia mensal em torno de R$ 10 milhões, valor que, segundo o governo, poderá ser redirecionado para áreas prioritárias. Parte das exonerações também tem como alvo possíveis “funcionários fantasmas”, o que reforça o discurso de combate a irregularidades.
O pacote inclui ainda mudanças estruturais relevantes. Uma das principais ações foi a recriação da Subsecretaria-Geral da Casa Civil, que ficará sob comando do procurador do estado Sérgio Pimentel. Ele atuará ao lado do secretário da Casa Civil, Flávio Willeman, ambos com histórico técnico dentro da administração pública.
Paralelamente, o governo decidiu extinguir três subsecretarias consideradas pouco estratégicas: Projetos Especiais, Gastronomia e Ações Comunitárias e Empreendedorismo. As estruturas vinculadas a esses setores também foram descontinuadas, numa tentativa de reduzir sobreposição de funções e gastos considerados desnecessários.
Desde que assumiu o comando do estado, Couto também promoveu mudanças em cargos-chave, nomeando novos gestores para áreas sensíveis como Controladoria-Geral, Instituto de Segurança Pública, RioPrevidência e Cedae. A movimentação indica uma reconfiguração completa do núcleo de poder administrativo do estado.
Outro ponto central da atual gestão é a promessa de um “choque de transparência”. O governo determinou a revisão de mais de 6,7 mil contratos ativos, que juntos somam cerca de R$ 81 bilhões. A auditoria pretende identificar irregularidades, revisar despesas e estabelecer maior controle sobre o uso de recursos públicos, em um cenário que pode revelar fragilidades profundas na gestão anterior.
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Eleição sem disputa e sob suspeita: Douglas Ruas assume Alerj em meio a boicote, decisões judiciais e crise institucional no Rio
Boicote da oposição, decisões judiciais e disputa pelo controle do governo escancaram instabilidade institucional no estado – Foto: Thiago Lontra/ Alerj
A eleição que levou o deputado Douglas Ruas (PL) à presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta sexta-feira (17) ocorreu longe de qualquer clima de normalidade política. Sem concorrência direta e sob questionamentos na Justiça, o processo foi marcado por esvaziamento do plenário e críticas contundentes da oposição, que se recusou a participar da votação.
Apesar da vitória com ampla maioria entre os presentes, o resultado não representa consenso dentro da Casa. Um bloco expressivo de parlamentares decidiu boicotar a eleição, classificando o modelo adotado como desequilibrado e sujeito a pressões políticas. Nos bastidores, o clima é de desconfiança e tensão entre as bancadas.
O principal ponto de discórdia foi a manutenção do voto aberto. Para a oposição, o formato expõe deputados e favorece interferências políticas, comprometendo a liberdade de escolha. Já aliados de Ruas defendem que a transparência deve prevalecer, argumentando que o eleitor tem o direito de saber como cada parlamentar se posiciona.
A crise se intensifica pelo histórico recente da disputa. Uma tentativa anterior de eleição já havia sido anulada pela Justiça, o que aumentou o grau de insegurança jurídica em torno do comando da Alerj. A nova votação, portanto, ocorre sob a sombra de decisões judiciais e disputas políticas ainda não resolvidas.
Além da disputa interna no Legislativo, o cenário se complica com a crise no Executivo estadual. Tradicionalmente, o presidente da Alerj assume papel central na linha sucessória do governo, mas, desta vez, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) mudou o rumo dos acontecimentos.
O STF determinou que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro permaneça como governador interino, impedindo que o novo presidente da Alerj assuma o cargo, mesmo estando na linha sucessória. A medida reforça o caráter excepcional do momento político vivido pelo estado.
Essa interferência direta do Judiciário evidencia o tamanho da crise institucional no Rio, onde as regras tradicionais foram suspensas para evitar novos conflitos políticos. A indefinição sobre quem deve comandar o Executivo aumenta a insegurança e dificulta a estabilidade administrativa.
Nos bastidores, cresce a expectativa sobre a decisão definitiva do STF, que deverá estabelecer como será escolhido o novo governador em mandato-tampão. Até lá, o estado segue sendo conduzido de forma interina, em meio a disputas políticas intensas.
Outro fator que contribui para o cenário turbulento foi a recente cassação do mandato do ex-presidente da Alerj, que desencadeou uma reconfiguração interna na Casa. A decisão judicial alterou a distribuição de forças políticas e fortaleceu grupos que hoje sustentam a nova gestão.
Com isso, a eleição de Douglas Ruas passa a ser vista não apenas como um ato administrativo, mas como parte de uma reorganização mais ampla do poder no estado. O fortalecimento de determinadas bancadas levanta questionamentos sobre equilíbrio e representatividade dentro do Legislativo.
Enquanto isso, a oposição promete levar o caso novamente aos tribunais superiores, o que pode prolongar ainda mais a crise e gerar novos capítulos de instabilidade política. A disputa, portanto, está longe de terminar.
No meio desse cenário, a população assiste a mais um episódio de conflito entre os poderes, com decisões judiciais, manobras políticas e disputas internas dominando o debate público. A eleição na Alerj, em vez de encerrar um ciclo, parece ter aberto uma nova fase de incertezas no Rio de Janeiro.
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