Região Sudeste
Alckmin cobra investigação sobre suposta ligação de Tarcísio com caso Banco Master: “Ninguém está acima da lei”
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Banco Master entra no debate eleitoral e Alckmin cobra esclarecimentos sobre suspeitas envolvendo Tarcísio – Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil | Agência Alesp
O vice-presidente da República e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu que sejam investigadas com rigor as suspeitas envolvendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e personagens ligados ao Banco Master. Para Alckmin, doações eleitorais feitas dentro das regras são legítimas, mas qualquer eventual relação entre recursos destinados a campanhas e benefícios concedidos posteriormente pelo poder público precisa ser esclarecida pelas autoridades competentes.
O posicionamento ocorre após Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mencionar em proposta de colaboração premiada repasses que teriam beneficiado as campanhas de Tarcísio e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022. Segundo o relato atribuído ao ex-banqueiro, R$ 5 milhões teriam sido distribuídos entre as duas campanhas, sendo R$ 2 milhões para Tarcísio e R$ 3 milhões para Bolsonaro, em uma negociação que envolveria Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero, apareceu naquele pleito como importante doador individual dos dois candidatos.
Alckmin também comentou os desdobramentos do caso envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e classificou como preocupante a crise provocada pelas suspeitas. O vice-presidente sustentou que Polícia Federal, Ministério Público e demais instituições de fiscalização devem trabalhar com independência para esclarecer os fatos, independentemente de quem seja atingido pelas apurações. Segundo ele, a sociedade espera que as investigações revelem a verdade e produzam consequências caso sejam comprovadas irregularidades.
Ao tratar da responsabilidade de autoridades públicas, o vice-presidente afirmou que a cobrança deve ser ainda maior sobre aqueles que ocupam os cargos mais importantes da República. Alckmin defendeu uma apuração que avance “doa a quem doer” e aproveitou para elogiar a postura do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Ele argumentou que investigadores devem ter autonomia para atuar sem sofrer ameaças, pressões ou substituições motivadas pelo alcance político de determinada investigação.
No cenário paulista, Alckmin ainda fez críticas à administração de Tarcísio e avaliou positivamente a atuação política de Fernando Haddad (PT), que tem direcionado ataques à atual gestão estadual. O vice-presidente citou segurança pública, educação e a privatização da Sabesp entre os temas que, em sua avaliação, merecem maior debate. Sobre a companhia de saneamento, questionou especialmente a condução do processo de desestatização e as condições em que o serviço passou para a iniciativa privada.
Por fim, Alckmin comentou a manifestação convocada por Flávio Bolsonaro (PL) e aliados para o 7 de Setembro, na Avenida Paulista, e afirmou que a data da Independência não deve servir de espaço para manifestações favoráveis a rupturas institucionais. Para o vice-presidente, partidos e candidatos têm liberdade para promover atos e defender suas propostas, desde que respeitem as instituições democráticas. Alckmin encerrou destacando que, em sua avaliação, uma das principais divisões da política brasileira está entre aqueles que preservam os valores democráticos e os que adotam posições contrárias à democracia.
Região Sudeste
PF encontra mensagens de Cláudio Castro com dono da Refit e aponta possível tratamento privilegiado no Rio
Conversas extraídas do celular do ex-governador mostram contatos diretos com Ricardo Magro Foto: Reprodução/ Acervo Pessoal/ TV Globo
Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro revelaram contatos frequentes com o empresário Ricardo Magro, proprietário da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. O conteúdo aparece nas investigações da Operação Sem Refino e, segundo a PF, indica que a relação entre o então chefe do Executivo fluminense e integrantes do grupo empresarial teria ultrapassado os contatos institucionais normalmente mantidos entre o poder público e representantes do setor privado.
Os diálogos foram mencionados em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou novas diligências, buscas e quebras de sigilo na investigação. Em uma das mensagens destacadas pelos investigadores, Castro escreveu a Magro: “Aqui você tem um amigo. Saiba disso”. Para a PF, o material aponta a existência de um canal direto entre o ex-governador, o empresário e pessoas que atuavam na defesa dos interesses da Refit.
A investigação também identificou conversas entre Castro e o advogado Marcos Joaquim Gonçalves Alves, apontado pela PF como ligado às demandas da empresa. Em uma das ocasiões, o advogado buscava viabilizar uma reunião relacionada à situação fiscal da refinaria. Castro teria respondido que poderia ajudar na articulação e escreveu: “Eu toco por aqui”. Os investigadores analisam se houve atuação pessoal do então governador para facilitar o andamento de assuntos administrativos de interesse do grupo.
Outro ponto levantado pela Polícia Federal envolve uma viagem de Castro a Nova York. Conforme a investigação, Ricardo Magro teria participado da organização de um evento frequentado pelo então governador e atuado na recepção da comitiva durante a passagem pelos Estados Unidos. A PF afirma que a viagem teve patrocínio da Refit e sustenta que as mensagens encontradas posteriormente indicariam uma relação mais próxima entre os dois do que aquela descrita publicamente por Castro após a primeira fase da operação.
De acordo com os investigadores, o conteúdo do celular também mostra acompanhamento de pedidos apresentados pela Refit a órgãos estaduais, articulação de reuniões e consultas sobre a tramitação de processos. A apuração tenta determinar se integrantes do poder público favoreceram a companhia em questões administrativas, tributárias e ambientais. Entre os episódios analisados está a renovação, em 2024, da licença de operação e recuperação da refinaria, aprovada apesar de manifestações contrárias de representantes do Ibama e da Uerj.
As conclusões apresentadas pela Polícia Federal ainda fazem parte de uma investigação e não representam condenação de Cláudio Castro, Ricardo Magro ou dos demais envolvidos. Carlo Luchione, advogado do ex-governador, afirmou que a defesa ainda não teve acesso à íntegra dos dados retirados do telefone e informou que Castro está à disposição da PF para prestar esclarecimentos. A defesa também nega que o ex-governador tenha praticado qualquer ato ilícito. Ricardo Magro teve a prisão preventiva determinada na primeira fase da Operação Sem Refino e, conforme consta na investigação, está foragido e incluído na difusão vermelha da Interpol.
Troca de mensagens de Castro e Magro obtidas pela Polícia Federal — Foto: Reprodução/TV Globo
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