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TSE cobra explicações da Meta sobre suspeitas de restrições a publicações do presidente Lula e estabelece prazo de 48 horas

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Justiça Eleitoral dá prazo de 48 horas para empresa apresentar informações técnicas sobre alcance de publicações – Foto: Ricardo Stuckert

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu uma nova frente de apuração sobre a atuação das redes sociais nas eleições presidenciais de 2026. Neste sábado (10), a Corte determinou que a Meta, responsável pelo Facebook e Instagram, apresente esclarecimentos sobre suspeitas de tratamento desigual na circulação de conteúdos políticos, após questionamentos apresentados pela coligação que apoia a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A iniciativa ocorre em um momento decisivo da campanha de segundo turno, quando Lula enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL). A representação levanta dúvidas sobre a transparência dos mecanismos utilizados pelas plataformas digitais para ampliar ou reduzir a visibilidade de determinadas publicações, situação que, caso comprovada, poderá representar um desequilíbrio na disputa eleitoral.

Segundo a coligação Brasil Pronto pra Mais, publicações relacionadas ao presidente Lula e a integrantes de seu campo político estariam enfrentando limitações seletivas de distribuição. A suspeita é de que mecanismos internos da plataforma possam estar prejudicando a divulgação de mensagens eleitorais, comprometendo a igualdade de condições entre os candidatos.

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Outro ponto que chamou a atenção da Justiça Eleitoral envolve a possível utilização de inteligência artificial para impulsionar ataques políticos. Os dados apresentados na representação mencionam 255 perfis no Instagram supostamente administrados por sistemas automatizados, responsáveis por alcançar aproximadamente 58 milhões de visualizações durante um mês com conteúdos direcionados contra Lula, o Partido dos Trabalhadores e a primeira-dama Janja da Silva.

A investigação também considera informações sobre a circulação de materiais produzidos artificialmente. Entre os dias 1º e 5 de outubro, um levantamento do projeto VigIA identificou 64 conteúdos sintéticos, dos quais 61 continuariam disponíveis nas plataformas. Esses números reforçaram os questionamentos sobre a eficácia das medidas adotadas pela empresa para identificar e moderar publicações potencialmente irregulares.

Ao analisar o pedido, o TSE considerou necessário obter informações diretamente da Meta, uma vez que os dados sobre distribuição de publicações, publicidade eleitoral, moderação e autenticidade dos perfis estão sob controle da própria companhia. A empresa terá 48 horas para apresentar os esclarecimentos técnicos solicitados pela Justiça.

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Para aprofundar a análise, o Tribunal decidiu solicitar à Agência Lupa e ao Instituto Democracia em Xeque informações sobre os procedimentos e critérios utilizados em seus estudos. A medida busca permitir uma avaliação técnica das denúncias e verificar se os elementos apresentados sustentam a existência de possíveis irregularidades.

Depois da manifestação da Meta, a coligação de Lula e a Procuradoria-Geral Eleitoral terão prazo de 24 horas cada para apresentar suas considerações. Somente após essas etapas será examinado o pedido de medida urgente apresentado à Corte.

O episódio amplia o debate sobre o poder das grandes empresas de tecnologia na formação da opinião pública e na disputa eleitoral brasileira. Embora ainda não exista uma conclusão judicial de que a Meta tenha favorecido Flávio Bolsonaro ou prejudicado Lula, a cobrança de explicações pelo TSE coloca em discussão a necessidade de fiscalização dos algoritmos e de garantias para que a competição presidencial ocorra sem interferências indevidas no ambiente digital.

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Presidente Lula critica suspensão do “Exército do Lula” por Nunes Marques e acusa Justiça Eleitoral de favorecer Flávio Bolsonaro

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Presidente denuncia decisões que considera tendenciosas, questiona a atuação do comando do TSE – Foto: Ricardo Stuckert 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu neste domingo (11) à determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que ordenou a suspensão do canal “Exército do Lula”, mantido pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) no WhatsApp. Lula classificou a medida como mais um episódio de tratamento desigual na disputa presidencial e acusou a Justiça Eleitoral de adotar decisões que, em sua avaliação, prejudicam sua campanha e acabam beneficiando seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL).

A manifestação do presidente ocorreu após o TSE atender a uma solicitação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro, que atribuiu ao canal a divulgação organizada de informações falsas contra o candidato do PL. Pela determinação judicial, o WhatsApp deverá impedir novas publicações e a entrada de participantes no grupo de mobilização até a homologação do resultado do segundo turno. A plataforma recebeu prazo de três horas, após ser oficialmente notificada, para cumprir a ordem.

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Ao comentar o episódio, Lula demonstrou insatisfação com a postura da cúpula eleitoral e afirmou que não aceitará restrições que considera injustificadas à participação de seus apoiadores no debate político. O presidente também questionou a imparcialidade das decisões recentes e defendeu que a Justiça assegure condições equivalentes às duas candidaturas, sem comprometer a liberdade de manifestação dos eleitores durante a campanha.
Bloqueio de canal com milhões de seguidores amplia confronto político

Com mais de 3 milhões de seguidores, o canal administrado por André Janones tornou-se uma das principais ferramentas de mobilização digital dos apoiadores de Lula nesta reta final da eleição. Para Nunes Marques, entretanto, a estrutura vinha sendo utilizada para distribuir conteúdos considerados irregulares pela Justiça Eleitoral. Entre os materiais questionados pela campanha de Flávio estão publicações sobre supostas ligações com milícias e possíveis mudanças em programas sociais. Essas alegações integram a controvérsia judicial e não representam fatos comprovados.

Lula afirmou que o crescimento da mobilização de seus apoiadores nas redes sociais pode estar relacionado ao aumento das restrições impostas a integrantes de sua campanha. Segundo o presidente, enquanto canais ligados ao campo governista enfrentam bloqueios, publicações de seus adversários continuariam circulando. Diante desse cenário, anunciou que o PT buscará medidas judiciais para contestar as decisões e cobrar equilíbrio na atuação da Justiça Eleitoral. A coordenação da campanha também informou que analisa os instrumentos jurídicos disponíveis para tentar reverter a suspensão.

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A controvérsia acontece em um momento decisivo da corrida presidencial e amplia a tensão entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro. Além do bloqueio do canal, o candidato do PL apresentou uma ação contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e André Janones, solicitando sanções eleitorais por supostas práticas abusivas. O processo ainda depende de análise judicial, e as acusações não foram definitivamente comprovadas. Enquanto isso, a discussão sobre os limites da propaganda política nas plataformas digitais ganha força e coloca novamente a atuação do TSE no centro do debate sobre a igualdade de condições na eleição de 2026.

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