RIO DE JANEIRO

Agro

Zearalenona em espécies aquáticas: quando os problemas começam a surgir?

Publicados

Agro

O uso crescente de proteínas de origem vegetal é a principal via de contaminação direta da micotoxina Zearalenona (ZEN) em dietas de peixes e camarões – Foto: Reprodução

A Pesquisa Global de Micotoxinas da Biomin revelou que a ZEN está presente em 48% das mais de 200 amostras de rações balanceadas ou compostos analisadas entre 2016 e 2020. Os dados de outras pesquisas sobre a contaminação por ZEN em matérias-primas comumente utilizadas na indústria aquícola – como trigo, milho e subprodutos da indústria de milho (DDGS, glúten), soja, arroz e outros – reforçam a conclusão de que ela tem forte presença e afeta de maneira imperceptível a aquicultura. Porém, sua presença em espécies aquáticas é um sério problema que passa despercebido.

Reconhecendo e entendendo a ZEN em aquicultura – Mas como a Zearalenona afeta os animais aquáticos? Quais espécies são afetadas e o que pode ser feito a respeito? Seus efeitos podem ser divididos em três aspectos: toxicidade direta, efeitos endócrinos gerais e transtornos reprodutivos. Ao avaliar sua toxicidade direta em espécies do crustáceo Artemia, observou-se mortalidade dos animais em concentrações tão baixas como 10 μg/kg, além de aumento dessa taxa com o tempo e o aumento da concentração de toxina. Estudos in vitro avaliando linhas celulares de peixes (salmões do Atlântico, trutas arco-íris e carpa comum) demonstraram a citotoxicidade direta da ZEN e reconheceram a glucuronidação como a principal via metabólica celular. No entanto, essa metabolização celular não impediu seus efeitos citotóxicos e genotóxicos, acompanhados de estresse oxidativo.

Os transtornos endócrinos e reprodutivos, como muitos processos biológicos e fisiológicos, estão interconectados a partir da interação entre a ZEN e os receptores de estrogênio (REs). Várias pesquisas descreveram essas interações ligante-receptoras. Em peixes, a ZEN e seus metabólitos se aderem facilmente aos Res, provocando uma cascata de respostas, que em sua maioria afeta o sistema reprodutivo. Adicionalmente, são observados outros fatores importantes. Por exemplo, trutas arco-íris alimentadas com dieta contendo a micotoxina mostraram alterações imunológicas e sanguíneas, tais como maior explosão respiratória, mudanças no leucograma, mudanças bioquímicas e alterações na expressão de citocinas. A maioria desses parâmetros não se normalizou após a retirada da dieta contaminada, o que sugere efeitos irreversíveis da ZEN sobre as funções imunológicas.

ZEN causa efeitos irreversíveis sobre as funções imunológicas – A conexão entre os efeitos generalizados e reprodutivos da ZEN pode ser observada em larvas de peixes. A micotoxina induziu anomalias no desenvolvimento, como edema pericárdico, hiperemia, edema do saco vitelínico, deformidades da coluna vertebral e diminuição da frequência cardíaca em peixes zebra (Danio rario). Também foram reportadas alterações de neurotoxicidade, danos ao DNA, apoptose celular e alterações histológicas estruturais em embriões dessa espécie. Esses resultados lançam luz não apenas sobre os efeitos e mecanismos tóxicos da ZEN, mas também sobre a importância do tempo de exposição à toxina. Da mesma forma que em outros animais, o sistema e a fase mais afetados pela ZEN são: sistema reprodutivo em animais reprodutores e desenvolvimento inicial dos sistemas/órgãos da progênie durante as fases embrionária, larval e juvenil. As patologias mais frequentemente reportadas que afetam o desenvolvimento e a reprodução de espécies aquáticas incluem:

I) Mosaico genético, machos intersexo e feminização: a presença simultânea de tecidos ovarianos e testiculares e a ocorrência de machos feminizados exibindo fenótipo feminino em peixe ou genótipo masculino foram observadas em trutas alimentadas com dietas contendo níveis de ZEN inferiores aos limites de orientação estabelecidos pela União Europeia.

II) Anomalias das gônadas: as alterações morfológicas macroscópicas em machos incluem lóbulos testiculares fragmentados e desenvolvimento anormal dos testículos. Nas fêmeas, as alterações incluem desenvolvimento assimétrico, maturação precoce e hipertrofia dos ovários. Isso leva a diferenças que podem ter consequências econômicas diretas, uma vez que maior porcentagem do peso total do peixe provém das vísceras e não do filé.

III) Efeitos sobre os espermatozoides: redução da quantidade e qualidade dos espermatozoides e aumento patológico da concentração espermática relativa, que provavelmente se devem à diminuição da produção de líquido seminal.

IV) Fecundidade de fêmeas, sucesso da fertilização, taxas de sobrevivência e patologias que afetam o desenvolvimento: menor eclodibilidade, desenvolvimento e comportamento reprodutivo lentos e anormais, malformações e mutações. Além disso, as progênies de peixes expostos cronicamente à ZEN têm risco de mortalidade precoce significativamente mais alto.

V) Indução e expressão de genes e proteínas sensíveis ao estrogênio, indução de genes da gema sensíveis ao estrogênio, de maneira dependente da dose, e consequente produção das proteínas vitelogenina e zona radiata: essas proteínas também servem como biomarcadores para a exposição à ZEN e outros xenoestrogêniose são utilizadas em várias diretrizes de ensaios da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). A partir do que foi revelado pelas pesquisas até o momento, a presença de ZEN em espécies aquáticas pode constituir sério problema que passa despercebido em algumas das mais importantes espécies comerciais de salmonídeos, ciprinídeos, crustáceos e outros.

As patologias mais frequentemente reportadas que afetam o desenvolvimento e a reprodução de espécies aquáticas incluem – Foto: Reprodução

Por Dr. Roy Rosen, Cientista de Desenvolvimento em Aquicultura da Biomin

E Veja Também no 3 de Julho Notícias

Veja o Vídeo Abaixo: O presidente Jair Bolsonaro disse que vai prorrogar por mais dois anos a desoneração da folha de pagamento das empresas de 17 setores. “Resolvemos prorrogar por mais dois anos a desoneração da folha. Isso tem a ver com manutenção de emprego. Quem se eleger em 2022 vai ter 2023 todinho para resolver essa questão”, disse em um evento no Palácio do Planalto.

Acompanhe nossas Redes Sociais

Twitter 3 de Julho Notícias

Youtube 3 de Julho Notícias Vídeos

Página Facebook 3 de Julho Notíci

Página do Instagram 3 de Julho Noticias

Veja o Vídeo:

Veja-se no  Twitter 3 de Julho Notícias, seja membro e compartilhe

Veja-se no  Youtube 3 de Julho Notícias Vídeos, seja membro e compartilhe.

Veja-se na  Página Facebook 3 de Julho Notíci, seja membro e compartilhe.

Veja-se na  Página do Instagram 3 de Julho Noticias, seja membro e compartilhe

Propaganda

Agro

Safra brasileira de grãos deve superar 360 milhões de toneladas e consolidar novo recorde no campo

Publicados

em

Levantamento da Conab aponta crescimento da produção nacional de grãos na safra 2025/26 – Foto: CNA/ Wenderson Araujo/ Trilux

A agricultura brasileira segue em ritmo de crescimento na temporada 2025/26 e deve alcançar uma produção de 360,1 milhões de toneladas de grãos, segundo as projeções mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa representa um aumento de 2,2% em comparação com o ciclo anterior, reforçando a força do agronegócio na economia nacional.

O avanço da produção é impulsionado principalmente pela ampliação da área cultivada, que deverá atingir 83,5 milhões de hectares. Apesar de a produtividade média permanecer praticamente estável em relação à safra passada, a expansão das lavouras garante um incremento de aproximadamente 7,8 milhões de toneladas no volume total colhido.

Entre as principais culturas, o milho continua ocupando posição de destaque. A expectativa é de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, distribuídas entre as três safras do cereal. A primeira safra está praticamente concluída, enquanto a segunda segue em fase de colheita em grande parte do país. Estados como Mato Grosso apresentam desempenho positivo graças às condições climáticas favoráveis, embora períodos de estiagem tenham afetado parte das lavouras em Goiás, Minas Gerais e Piauí.

A soja também registrou excelente desempenho nesta temporada. Com a colheita já encerrada, a produção foi estimada em 180,6 milhões de toneladas, resultado superior ao ciclo anterior. O crescimento é atribuído ao aumento da área plantada, ao investimento em tecnologia e ao clima favorável durante boa parte do desenvolvimento das lavouras.

No setor do algodão, a expectativa também é positiva. A produção de pluma deve alcançar cerca de 4,06 milhões de toneladas. Mesmo com uma pequena redução na área cultivada, o ganho de produtividade compensou a diminuição dos plantios, favorecido pelas boas condições climáticas observadas ao longo do ciclo.

Já culturas voltadas ao consumo interno apresentam cenários distintos. A produção de arroz foi estimada em 11,1 milhões de toneladas, registrando retração em relação ao ano anterior devido à redução da área cultivada. O feijão também deve apresentar leve queda, com produção próxima de 3 milhões de toneladas, mas o volume continua considerado suficiente para atender ao abastecimento do mercado brasileiro.

Entre as culturas de inverno, o trigo preocupa os técnicos. A expectativa é de uma produção de aproximadamente 6 milhões de toneladas, reflexo tanto da redução da área destinada ao cereal quanto da previsão de menor produtividade nas lavouras desta temporada.

Além da produção, a Conab revisou as projeções para o mercado agrícola. O estoque final de milho foi reajustado para cerca de 14,5 milhões de toneladas ao fim da safra, enquanto as exportações de algodão devem alcançar 3,38 milhões de toneladas. Para a soja, o aumento da demanda interna para processamento e o crescimento das exportações levaram à atualização dos estoques finais, reforçando o bom momento vivido pelo agronegócio brasileiro nos mercados nacional e internacional.

Outras informações sobre o cultivo e as condições de mercado sobre as principais culturas cultivadas no país podem ser encontradas no 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26.

Continue lendo

POLÍTICA

TUDO SOBRE POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTE

GERAL

MAIS LIDAS DA SEMANA