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Conhecer bem os índices zootécnicos da propriedade é um requisito indispensável para uma gestão pecuária eficiente
Ao calcular a taxa de desfrute, o pecuarista sabe o quanto a produção do seu rebanho aumentou em relação ao seu rebanho inicial, em determinado período.
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Como usar taxa de desfrute para medir a eficiência da fazenda – Foto: Reprodução
Pasto extra ordinário – Para quem atua na pecuária de corte, um dos dados mais importantes a serem analisados é a taxa de desfrute. Ela mostra quanto o pecuarista aumentou a produção do rebanho em um determinado tempo, em relação ao seu rebanho inicial.
A taxa de desfrute é considerada um KPI (Key Performance Indicator), ou chave de indicação de performance. Isso significa que, quanto maior a taxa de desfrute, maior será o índice de produtividade interna do rebanho, ou seja, maior é a eficiência daquela atividade pecuária.
Diferença entre taxa de desfrute e taxa de abate
Muitos pecuaristas ainda confundem a taxa de desfrute (TD) com a taxa de abate (TA). Embora estes dois índices zootécnicos forneçam informações relevantes para a gestão pecuária, é muito importante conhecer a diferença entre eles.
“A taxa de desfrute mensura a capacidade do rebanho de produzir animais sem comprometer seu efetivo básico por meio da comercialização de animais excedentes ou adicionais. Já a taxa de abate refere-se apenas ao que a fazenda abateu ou vendeu. As duas taxas podem ser calculadas em cabeças ou arrobas”, esclarece o zootecnista e mestre em Produção Animal Marcelo Fernandes dos Santos.
O cálculo da taxa de abate considera a relação entre o número de cabeças abatidas e o número total de animais existentes, sem considerar os bezerros em aleitamento. Em geral, a taxa de abate é menor que a taxa de desfrute. Essas duas taxas são iguais quando todos os animais do rebanho são destinados ao abate.
Como calcular a taxa de desfrute
Segundo o especialista, uma forma simples de se calcular a taxa de desfrute é utilizar a seguinte equação: reduza do seu estoque final o estoque inicial e as compras, e depois some as vendas. O resultado será a produção do rebanho. Este valor deve ser dividido pelo estoque inicial e depois multiplicado por 100. O resultado final será o percentual relacionado à taxa de desfrute.
Equação para calcular a taxa de desfrute:
estoque final (EF) – estoque inicial (EI) – compras (C) + vendas (V) = produção do rebanho (PD) ÷ estoque inicial (EI) * 100
| Aprenda a calcular a taxa de desfrute no exemplo abaixo:
(EF) estoque final: 320 animais (EI) estoque inicial: 200 animais (C) compras: 40 animais (V) vendas: 40 animais 1° passo: EF – EI – C + V= PD ÷ EI * 100 2° passo: 320 – 200 – 40 + 40 = 120 3° passo: 120 ÷ 200 = 0,60 4° passo: 0,60 * 100 = 60% (taxa de desfrute) |
Taxa de desfrute para diferentes sistemas de produção
De acordo com Santos, a fórmula citada pode ser utilizada para avaliar a taxa de desfrute em qualquer sistema de produção, desde que a fazenda tenha um bom controle zootécnico e a cultura de coletar seus dados de produção, pois sem dados coletados não é possível gerar as informações.
“Após mensurar a TD, podemos utilizar alguns valores de referência para avaliar se o sistema que estamos avaliando está indo ladeira acima ou ladeira abaixo”, diz o zootecnista, que também é diretor da Acurácia Consultoria.
Confira os parâmetros utilizados para avaliar a TD para cada sistema de produção:
● produção de bezerros: TD maior que 35%
● ciclo completo: TD maior que 45%
● recria e engorda: TD maior que 55%
Alguns valores de referência podem ser utilizados para a situação atual da fazenda. Para comparar os resultados após a avaliação, podem ser utilizados os seguintes parâmetros:
● produção de bezerros: TD maior que 35%
● ciclo completo: TD maior que 45%
● recria e engorda: TD maior que 55%
Fatores que influenciam na taxa de desfrute
Segundo o zootecnista, toda variável ambiental, ou seja, que não é genética, pode interferir no alcance da taxa de desfrute ideal. Entre elas estão estresse, oferta ou restrição de volumoso, suplementação adequada por categorias e épocas do ano e vacinas reprodutivas.
Ele cita como exemplo as fêmeas que estão em sistemas que realizam um excelente manejo de pastagem e aumentam a taxa de prenhez já no início da estação de monta. “Em virtude do bom escore de condição corporal, as fêmeas expostas aumentam a chance de levar a gestação até o final, produzindo mais bezerros e aumentando a produção do rebanho, o que reflete na taxa de desfrute.”
Para os pecuaristas que querem melhorar a taxa de desfrute, Santos recomenta a intensificação da pecuária, investindo em pastagens melhoradas e protocolos nutricionais.
“Estas ações possibilitam o aumento da produção de arrobas por hectare/ano e o melhoramento genético animal, por meio da seleção, com foco em reduzir a idade ao primeiro parto, aumentar a eficiência alimentar e gerar maior peso a desmama, o que alavanca esse indicador essencial para o sucesso da atividade.”
Tecnologias ajudam a melhorar da taxa de desfrute
Outro aliado para melhorar a taxa de desfrute é o uso de inovações tecnológicas na gestão da propriedade. Como exemplo, o especialista destaca as fazendas que têm controle zootécnico na palma da mão, com sistemas de gerenciamento de dados e armazenamento em nuvem, sincronização de dados a longa distância e recursos computacionais que permitem manipular milhões de dados produtivos em segundos.
“Todas estas tecnologias apoiam os tomadores de decisão, entregando dados confiáveis e ferramentas que permitem melhorar a taxa de desfrute”, afirma.
Outras tecnologias disponíveis são os softwares de descarga programada em confinamento, os sistemas de automação para fábricas de suplemento na fazenda, as tecnologias aplicadas à genética e o cruzamento de cultivares que buscam desenvolver híbridos de pastagem cada vez mais produtivos e adaptáveis.
“Tenha o máximo de informações sobre as atividades da fazenda. Já sabemos que a taxa de desfrute é uma informação, então, sem os dados, não temos informações, e sem informações constantes e confiáveis, não há uma gestão eficiente”, orienta Santos.
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Safra brasileira de grãos deve superar 360 milhões de toneladas e consolidar novo recorde no campo
Levantamento da Conab aponta crescimento da produção nacional de grãos na safra 2025/26 – Foto: CNA/ Wenderson Araujo/ Trilux
A agricultura brasileira segue em ritmo de crescimento na temporada 2025/26 e deve alcançar uma produção de 360,1 milhões de toneladas de grãos, segundo as projeções mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa representa um aumento de 2,2% em comparação com o ciclo anterior, reforçando a força do agronegócio na economia nacional.
O avanço da produção é impulsionado principalmente pela ampliação da área cultivada, que deverá atingir 83,5 milhões de hectares. Apesar de a produtividade média permanecer praticamente estável em relação à safra passada, a expansão das lavouras garante um incremento de aproximadamente 7,8 milhões de toneladas no volume total colhido.
Entre as principais culturas, o milho continua ocupando posição de destaque. A expectativa é de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, distribuídas entre as três safras do cereal. A primeira safra está praticamente concluída, enquanto a segunda segue em fase de colheita em grande parte do país. Estados como Mato Grosso apresentam desempenho positivo graças às condições climáticas favoráveis, embora períodos de estiagem tenham afetado parte das lavouras em Goiás, Minas Gerais e Piauí.
A soja também registrou excelente desempenho nesta temporada. Com a colheita já encerrada, a produção foi estimada em 180,6 milhões de toneladas, resultado superior ao ciclo anterior. O crescimento é atribuído ao aumento da área plantada, ao investimento em tecnologia e ao clima favorável durante boa parte do desenvolvimento das lavouras.
No setor do algodão, a expectativa também é positiva. A produção de pluma deve alcançar cerca de 4,06 milhões de toneladas. Mesmo com uma pequena redução na área cultivada, o ganho de produtividade compensou a diminuição dos plantios, favorecido pelas boas condições climáticas observadas ao longo do ciclo.
Já culturas voltadas ao consumo interno apresentam cenários distintos. A produção de arroz foi estimada em 11,1 milhões de toneladas, registrando retração em relação ao ano anterior devido à redução da área cultivada. O feijão também deve apresentar leve queda, com produção próxima de 3 milhões de toneladas, mas o volume continua considerado suficiente para atender ao abastecimento do mercado brasileiro.
Entre as culturas de inverno, o trigo preocupa os técnicos. A expectativa é de uma produção de aproximadamente 6 milhões de toneladas, reflexo tanto da redução da área destinada ao cereal quanto da previsão de menor produtividade nas lavouras desta temporada.
Além da produção, a Conab revisou as projeções para o mercado agrícola. O estoque final de milho foi reajustado para cerca de 14,5 milhões de toneladas ao fim da safra, enquanto as exportações de algodão devem alcançar 3,38 milhões de toneladas. Para a soja, o aumento da demanda interna para processamento e o crescimento das exportações levaram à atualização dos estoques finais, reforçando o bom momento vivido pelo agronegócio brasileiro nos mercados nacional e internacional.
Outras informações sobre o cultivo e as condições de mercado sobre as principais culturas cultivadas no país podem ser encontradas no 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26.
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