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Araguaia ganhou destaque pela alta produtividade na criação de gado e na agricultura, “fazenda é referência em engorda”
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Conheça a fazenda que é referência em engorda intensiva de gado – Foto: Reprodução
Pasto Extra Ordinário – Não faz muito tempo que o Vale do Araguaia ganhou destaque nacional pela alta produtividade na criação de gado e na agricultura. A região, que já foi chamada de “Vale dos Esquecidos”, hoje é conhecida como o novo celeiro do agro no país.
Ali, em meio às diversas propriedades que são referências para a pecuária, uma se destaca. É a Fazenda Conforto, conhecida como um dos principais sistemas de produção de confinamento de gado no Brasil.
Para chegar à propriedade de 12.000 hectares, que fica em Nova Crixás (GO), o caminho é fácil. Basta seguir pela rodovia GO-164, chamada “Estrada dos Bois”, que margeia o vale do Rio Araguaia. O difícil é entender como a fazenda, que em 2006 implantou o confinamento com 3.500 cabeças de gado, vai alcançar, em 2022, a surpreendente marca de 160 mil bois confinados. Em 23 anos, foram 1,25 milhão de bois abatidos.
Caminho para a alta produtividade
Quem nos explica essa evolução é o diretor de agronegócio da Fazenda Conforto, Cláudio Fernandes Braga, que está na gestão da propriedade há 23 anos.
Ele conta que o primeiro passo foi a divisão de pastagem. Em seguida, para atender ao objetivo do proprietário da fazenda, que buscava alta produtividade, foram colocadas áreas irrigadas, a fim de produzir mais na mesma área. O próximo degrau, segundo Braga, foi a implantação do confinamento, para agilizar o processo de engorda dos animais.
A gestão também priorizou o cuidado com a fertilidade do solo, que foi melhorando em qualidade ao longo dos anos. “Não tem como você produzir soja, milho e capim sem trabalhar com a fertilidade do solo. É um trabalho de anos e anos. Depois de preparar o solo, entramos com os nitrogenados e com o potássio, para multiplicar a produtividade”, diz Braga.
Pecuária, lavoura e pasto
Para o diretor da fazenda, é mais complicado produzir mais arrobas a pasto do que produzir arrobas em confinamento. “A gente precisa a cada dia ir buscando mais alternativas, novas formas de produção de variedades de capins mais produtivos, de adubações, de manejo, fazendo um contexto de várias modalidades dentro da mesma produção para que consiga o máximo”.
A fazenda trabalha com a integração lavoura-pecuária e quatro modalidades de recria. O pasto irrigado, que faz três safras em um pivô (soja, milho e capim); o rotacionado, com lotações de três ou quatro unidades de animal por hectare; e o pasto intensivo, onde é feita a recria e a suplementação no cocho.
“Temoso feedlot, também chamado de sequestro, em que a gente pega um grupo de animais por um determinado período do ano e coloca nessa modalidade. É uma recria só com o cocho, e não tem pasto. Pegamos esses animais com 9 a 10 arrobas, levamos até 14 arrobas e, depois, eles vão para o confinamento. A terminação é 100% confinamento”, detalha Braga.
A área de pastagem intensiva da fazenda ultrapassa 6.000 hectares, além de 2.408 hectares preservados de Reserva Legal.
Mais arrobas
Segundo o diretor da fazenda, essa modalidade gera aproximadamente 35 arrobas por hectare ao ano, só na parte de recria. Somado a isso, o que é engorda efetivada vira confinamento.
O sucesso da estratégia de produção é comprovado pelos resultados. Em 2020, foram cerca de 100 arrobas por hectare/ano. No ano seguinte, foram 116 arrobas. Para 2022, a expectativa é produzir 130 arrobas por hectare/ano.
“Estamos sempre procurando saber como produzir mais arrobas. Nosso negócio vive disso, então temos que estar buscando sempre como é que faz para produzir mais arrobas”, enfatiza.
Referência em mão de obra qualificada
Com cerca de 150 funcionários, a Fazenda Conforto conta com um departamento de recursos humanos estruturado, que oferece cursos, treinamento de liderança, investe em desenvolvimento humano, retenção de talentos e na qualidade de vida dos colaboradores.
“Estamos sempre buscando manter uma equipe motivada e empenhada. A nossa equipe fala a linguagem de gerar resultado, de produzir. Se você não tiver uma equipe engajada com você, não vai a lugar nenhum, pode esquecer”, destaca Braga.
A gestão também investe pesado em tecnologia. Um exemplo é o controle do confinamento, que antes era manual, trabalhoso e com alta margem de erro, e agora é feito de forma digital.
A fazenda possui diversos sistemas e controles automatizados para garantir o melhor desempenho do campo ao curral, e tem seu desenvolvimento acompanhado diariamente por meio de dispositivos de alta tecnologia. A nutrição diária de cada animal e curral são feitas por diversos sistemas e controles, com acesso remoto por meio de aplicativos.
História construída passo a passo
O proprietário da Fazenda Conforto é o empresário, ex-piloto de Stock Car e antigo dono de um laboratório farmacêutico, Alexandre Funari Negrão, ou Xandy Negrão. Ele comprou a propriedade em 1996 com recria e engorda de gado e, dez anos depois, na busca por um alto desempenho no negócio, implantou o confinamento.
Foi assim, passo a passo, que a história da fazenda foi construída nos últimos 25 anos. Para Braga, é o resultado de um trabalho feito ao longo do tempo, sempre buscando melhorias.
“Nunca paramos de investir. O que tem de tecnologia nova, a gente testa, coloca em prática, vê se tem viabilidade. O nosso diferencial é que a gente tem uma visão de ser e continuar sendo pecuarista. Para o futuro, não consigo medir qual o teto. A Conforto já produz bastante, mas a gente ainda vê lacunas onde podemos produzir mais. E eucobro muito que a gente tem que atingir o máximo”, ressalta Braga.
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Agro
Safra brasileira de grãos deve superar 360 milhões de toneladas e consolidar novo recorde no campo
Levantamento da Conab aponta crescimento da produção nacional de grãos na safra 2025/26 – Foto: CNA/ Wenderson Araujo/ Trilux
A agricultura brasileira segue em ritmo de crescimento na temporada 2025/26 e deve alcançar uma produção de 360,1 milhões de toneladas de grãos, segundo as projeções mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa representa um aumento de 2,2% em comparação com o ciclo anterior, reforçando a força do agronegócio na economia nacional.
O avanço da produção é impulsionado principalmente pela ampliação da área cultivada, que deverá atingir 83,5 milhões de hectares. Apesar de a produtividade média permanecer praticamente estável em relação à safra passada, a expansão das lavouras garante um incremento de aproximadamente 7,8 milhões de toneladas no volume total colhido.
Entre as principais culturas, o milho continua ocupando posição de destaque. A expectativa é de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, distribuídas entre as três safras do cereal. A primeira safra está praticamente concluída, enquanto a segunda segue em fase de colheita em grande parte do país. Estados como Mato Grosso apresentam desempenho positivo graças às condições climáticas favoráveis, embora períodos de estiagem tenham afetado parte das lavouras em Goiás, Minas Gerais e Piauí.
A soja também registrou excelente desempenho nesta temporada. Com a colheita já encerrada, a produção foi estimada em 180,6 milhões de toneladas, resultado superior ao ciclo anterior. O crescimento é atribuído ao aumento da área plantada, ao investimento em tecnologia e ao clima favorável durante boa parte do desenvolvimento das lavouras.
No setor do algodão, a expectativa também é positiva. A produção de pluma deve alcançar cerca de 4,06 milhões de toneladas. Mesmo com uma pequena redução na área cultivada, o ganho de produtividade compensou a diminuição dos plantios, favorecido pelas boas condições climáticas observadas ao longo do ciclo.
Já culturas voltadas ao consumo interno apresentam cenários distintos. A produção de arroz foi estimada em 11,1 milhões de toneladas, registrando retração em relação ao ano anterior devido à redução da área cultivada. O feijão também deve apresentar leve queda, com produção próxima de 3 milhões de toneladas, mas o volume continua considerado suficiente para atender ao abastecimento do mercado brasileiro.
Entre as culturas de inverno, o trigo preocupa os técnicos. A expectativa é de uma produção de aproximadamente 6 milhões de toneladas, reflexo tanto da redução da área destinada ao cereal quanto da previsão de menor produtividade nas lavouras desta temporada.
Além da produção, a Conab revisou as projeções para o mercado agrícola. O estoque final de milho foi reajustado para cerca de 14,5 milhões de toneladas ao fim da safra, enquanto as exportações de algodão devem alcançar 3,38 milhões de toneladas. Para a soja, o aumento da demanda interna para processamento e o crescimento das exportações levaram à atualização dos estoques finais, reforçando o bom momento vivido pelo agronegócio brasileiro nos mercados nacional e internacional.
Outras informações sobre o cultivo e as condições de mercado sobre as principais culturas cultivadas no país podem ser encontradas no 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26.
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