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Lula defende governança global da Inteligência Artificial e alerta para riscos à democracia em cúpula na Índia
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Durante cúpula em Nova Délhi, Lula propõe governança multilateral para conter abusos da IA – Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, em Nova Délhi, da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial e fez um apelo por uma governança internacional da tecnologia baseada no multilateralismo, na inclusão social e no desenvolvimento humano. Segundo ele, sem cooperação entre os países, a IA tende a aprofundar desigualdades históricas e fragilizar as democracias.
Durante seu discurso, Lula destacou que bilhões de pessoas ainda permanecem fora do ambiente digital e defendeu que qualquer avanço tecnológico precisa colocar o ser humano no centro das decisões. Para o presidente, o modelo atual de expansão da inteligência artificial corre o risco de beneficiar apenas grandes conglomerados econômicos, deixando populações inteiras à margem do progresso.
O chefe do Executivo brasileiro também chamou atenção para os perigos do uso indiscriminado da IA, especialmente na disseminação de desinformação e na manipulação de processos eleitorais. Ele alertou que conteúdos falsos produzidos por algoritmos podem comprometer a integridade da democracia e reforçou que toda inovação de grande impacto traz desafios éticos e políticos que precisam ser enfrentados coletivamente.
Outro ponto central da fala foi a necessidade de regulamentar as grandes empresas de tecnologia. Lula criticou a concentração de dados, infraestrutura e capital em poucos países e corporações, afirmando que o controle dos algoritmos não representa apenas inovação, mas uma nova forma de dominação. Para ele, a regulação das chamadas Big Techs é fundamental para proteger direitos humanos, garantir privacidade e fortalecer as economias nacionais.
O presidente ressaltou ainda que o Brasil avança na construção de um marco regulatório para a Inteligência Artificial e na atração de investimentos em centros de dados, além da implementação do Plano Brasileiro de IA, voltado à melhoria dos serviços públicos e à geração de emprego e renda. A participação brasileira na cúpula marca a primeira vez que um presidente do país integra um encontro global de alto nível dedicado exclusivamente ao tema.
Paralelamente ao evento, Lula cumpre agenda bilateral com o primeiro-ministro Narendra Modi, com foco na ampliação das parcerias econômicas e tecnológicas entre Brasil e Índia, países que também atuam juntos no âmbito do BRICS. O encontro reforça o momento de aproximação entre as duas nações, que buscam fortalecer o comércio, a transformação digital e a cooperação estratégica para a próxima década.
Para o Brasil é uma satisfação participar da Cúpula de Impacto de Inteligência Artificial organizada pelo governo indiano, sendo esta a primeira ocasião em que se realiza no Sul Global.
Aqui em Délhi, o mundo digital retorna à sua terra natal. Foram matemáticos indianos que nos… pic.twitter.com/o3e3O7scDO
— Lula (@LulaOficial) February 19, 2026
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Brasil–Índia ganha força no campo: Paulo Teixeira visita centro de pesquisas e defende intercâmbio
Brasil e Índia aproximam agendas agrícolas com foco em agroecologia e bioinsumos – Foto: Reprodução/ MDA
Em missão oficial que integra a agenda internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, visitou nesta quarta-feira o Instituto Indiano de Sistemas Agrícolas (Indian Council of Agricultural Research) em Modipuran, no estado de Uttar Pradesh. O encontro marcou mais um passo na estratégia de ampliar a cooperação entre Brasil e Índia no campo da produção sustentável de alimentos.
Recebido pela direção do instituto e por técnicos do Ministério da Agricultura indiano, o ministro conheceu de perto programas que apostam na substituição de fertilizantes e pesticidas químicos por soluções biológicas. A proposta central é fortalecer a agroecologia, reduzir custos de produção e ampliar a oferta de alimentos orgânicos, especialmente entre pequenos agricultores, que representam cerca de 80% do total no país asiático.
Durante a visita, pesquisadores apresentaram modelos agrícolas já adotados em larga escala, levados ao campo por meio de governos estaduais e agricultores capacitados como multiplicadores. As práticas incluem o uso de bioinsumos produzidos com materiais disponíveis nas próprias propriedades, como esterco bovino e plantas locais, melhorando o solo e combatendo pragas sem recorrer a químicos industriais.
Impressionado com os resultados, Paulo Teixeira destacou o alcance das iniciativas, que já beneficiam centenas de milhares de produtores rurais. Segundo ele, a experiência indiana mostra que é possível unir produtividade, preservação ambiental e inclusão social, abrindo caminhos concretos para uma transição agroecológica em países de grande extensão territorial.
Ao final da agenda, o ministro defendeu a criação de convênios entre o MDA e o Ministério da Agricultura da Índia, além de parcerias diretas entre o ICAR e a Embrapa, para intercâmbio de pesquisadores e troca de tecnologias. “O Brasil tem muito a aprender com a experiência indiana em bioinsumos”, afirmou, reforçando que a aproximação pode acelerar soluções sustentáveis para a agricultura familiar brasileira.
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